terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Para lápis ter ponta: apontador...

No meu último devaneio, citei um simples exemplo de um guardanapo com um telefone, clássico dos bons velhos e românticos tempos, para enaltecer como as coisas estavam ficando cada vez mais modernas, diferentes, mecânicas até.

Pois bem. Eis que, numa festa juvenil - no sentido literal da palavra - no sábado, um cidadão chega até a mim, pede meu telefone e saca do bolso... uma caneta! A reação que eu e minhas amigas tivemos foi a mesma: nos entreolhamos, como se estivéssemos frente à um... um... um telégrafo!

3 perguntas nos cercaram naquele momento:
1 - Oi?
2 - De onde você é?
3 - Você não tem celular?

Se eu dei meu telefone para o moço? Sim: 156. Ele anotou.

E para celebrar este devaneio, escuto Johnny Cash neste momento, para que, mesmo que apenas em música, eu possa voltar de verdade aos velhos tempos, de músicas românticas, saias rodadas e galanteios.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Unfollow

Quanto tempo a imagem de uma pessoa pode durar na cabeça de alguém? Por quanto tempo um cheiro pode trazer lembranças? E por quanto tempo pode-se ainda ouvir o tom daquela voz naqueles minutos de silêncio e devaneio, antes de dormir, durante o banho, dentro do carro...

Hoje não "curtimos" mais o verdadeiro pesar da palavra SAUDADE. Alimentamos a dor dela, sim, mas não sabemos mais como lidar com ela. O rosto, pode ser facilmente encontrado no Facebook, no twitter, nas fotos taggeadas, no foursquare - assim como o estilo de vida, gostos, rotina... O tom da voz pode ser ouvido no Youtube, em qualquer vídeo numa busca mais avançada.

Hoje ninguém mais se permite à falta, à saudade como a dor da palavra exprime. Não há mais um retrato antigo no criado-mudo, não há mais uma carta, um telegrama com palavras saudosas. Os retratos daquele rosto antigo, jovem, sépio, se atualiza constantemenrte, através de efeitos de aplicativos de celulares ultramodernos. Não se risca mais um número de telefone da agenda, ou enfim joga fora o guardanapo com o telefone dado no primeiro encontro. No máximo deletamos da agenda do celular e excluímos o histórico de SMS. É a tecnologia substituindo a memória - ou ajudando-a, como insistimos.

Quantas vezes ouvi falar em imagens que se esvaíam com o tempo - ah, só com o tempo. Que cheiros remetem à sensações, que se eternizam, mas que, como um mecanismo orgânico, o cheiro remete à memória e não o contrário - mecanismo esse de defesa de corações despedaçados, com certeza.

Eu não tenho um retrato seu, mas te vejo quando bem entendo, quando aperta o peito e eu revivo sensações e emoções de maneira puramente virtual. Mas isso não é bom, nada bom.

Eu quero cheiros, e a tecnologia ainda não chegou a este ponto.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Depois da tempestade... vamos trabalhar pela bonança!

E nem só de devaneios vive minha cabeça... Semana passada, como muitos, enfrentei a agonia e sensação de impotência frente à natureza. Minha cunhada mora em Nova Friburgo, e durante três dias ficamos sem notícias, sem informações, no desespero de que coisas ruins pudessem ter acontecido. Com a ajuda da equipe do meu trabalho consegui falar com muita gente na cidade, com a Defesa Civil, com a Polícia, Prefeitura, mas tudo em vão... (explicando, nada funcionava lá e eu utilizava rotas telefônicas de emergência para conseguir completar as ligações). Na sexta-feira, a boa notícia, que todos estavam bem, fora da cidade. Mas passaram por maus bocados. Resgate pelos bombeiros, perda de amigos, o escritório inundado, entre tantas outras perdas e tristezas. Mas, apesar de tudo, sem um arranhão.

O que fica dessa experiência para mim, para ela, para tantos, é a solidariedade. Vejo tantos amigos e pessoas próximas engajadas em ajudar, em participar, em pelo menos rezar por estas pessoas que perderam tudo, e para muitas delas, tudo mesmo!
Eu estou recolhendo doações entre meus amigos e no trabalho, tenho amigos fazendo o mesmo, repassei a campanha para as outras filiais da minha empresa. Em Porto Alegre por exemplo, as pessoas levam as doações para o cais, e somente um dos gerentes lá arrecadou 75 camisetas, fora as doações de alimentos e afins. O pessoal de Florianópolis depositou dinheiro para a compra de água. A ajuda está vindo até mesmo da Austrália, onde uma brasileira-aussie manda sua contribuição pela minha conta também – e olha que a situação lá também não é fácil. Isso fora todas as doações recebidas aqui. Coração está aquecido!
Mas, na tentativa de angariar mais e mais, encaminho um texto recebido do meu aluno, cujo cunhado Thiago está trabalhando como voluntário na arrecadação e envio das doações:

DOAÇÕES REGIÃO SERRANA

Primeiramente gostaria muito de agradecer a presteza e colaboração de todos, pois em apenas 24 horas conseguimos arrecadar aproximadamente R$5.200,00 (Utilizado para compras de suprimentos) e centenas de doações de roupas, alimentos , remédios, materiais de limpeza e mais... enchendo dois caminhões e dois carros grandes.
Ontem fomos pessoalmente para entregar as doações .Chegando lá vimos que a situação esta bem pior do que passa pela tv , aquilo esta parecendo um campo de guerra completamente destruido, cidades rurais acabadas , algumas só com escola é igreja de pé. 

 

 
Após nossa ida é que realmente vimos o que o povo de lá precisa de doações , muitas coisas que foram doadas , pouca serventia terão para esse primeiro momento, por isso relacionei uma lista abaixo com as prioridades. Muitos locais ainda não foram alcançados por meio terrestre , por isso a prioridade de doarmos alimentos para pronto consumo , que não precisam ir ao fogo. Na zona rural ainda estão sem agua, luz, gás e telefone.
Novamente agradeço muito a todos pela colaboração , porem as doações não podem parar, continuaremos as arrecadações para brevemente irmos a região serrana entregar os donativos. Comuniquem aos amigos de trabalho , faculdade, parentes... Vamos tentar arrecadar o máximo possível. Contamos mais uma vez com a colaboração de vocês. Aos que estiverem interesse em doar, mas que não podem trazer a doação pessoalmente, também estamos arrecadando dinheiro para compra de suprimentos. Lembrem-se essa é uma campanha paralela , tudo que for arrecadado será entregue pessoalmente nas regiões afetadas.
Muitas famílias se salvaram e não perderam a casa, mas por dentro nada restou, então quem estiver alguma sobrando que possa ser doado, também estamos arrecadando, são os itens: GELADEIRA / FOGÃO / ARMÁRIOS / CAMAS / TELEVISÃO / MESA / CADEIRAS / SOFA / PANELAS / TALHERES / PRATOS / COPOS... 
  • ALIMENTOS DE PRONTO USO QUE NÃO NECESSITAM IR AO FOGO (Enlatados) : PRIORIDADE
Salsicha / Ervilha / Milho Verde / Atum / Sardinha / Pão de Forma / Biscoitos / Agua / Leite em Pó / Leite / Nescau / Leite Condensado / Pêssego / Figo...
  • ALIMENTOS DIVERSOS :
Arroz / Feijão / Açucar / Macarrão / Tempero Pronto / Miojo / Molho de Tomate / Farinha / Fubá / Sopa Pronta / Sal...
  • MATERIAL DE LIMPEZA :
Pano de Chão / Balde / Vassoura / Rodo / Desinfetante  / Álcool / Pá de Obra / Enxada / Sabão em Pó / Detergente / Cloro / Esponja...
  • MATERIAL HOSPITALAR:
Luva cirúrgica / Mascara Respiratória / Gase / Esparadrapo / Atadura / Algodão / Povedine / Antiflamatórios / Analgésicos...
  • ROUPAS DE CAMA E BANHO :
Toalha / Lençol / Cobertor / Colchão / Colchonete / Travesseiro....
  • HIGIENE PESSOAL :
Escova de Dente / Absorvente / Shampoo / Desodorante / Sabonete / Pasta de Dente / Talco...
  • MATERIAIS DIVERSOS :
Copo Descartável / Rações para Cães / Velas / Fósforo / Fogareiros / Lanterna com pilha / Fita Crepe larga / Fita Adesiva Larga / Sacolas Resistentes / Fitilio...
  • CRIANÇAS :
Mamadeira / Chupeta / Brinquedo / Leite Ninho / Roupas / Fralda / Papinhas / Leite NESTLE NAN / Lenço Umedecido / Hipoglos / Talco...

OBS:  Agradecemos a todos as Doações de Roupas , mas por favor NÃO DOEM ROUPAS por enquanto , os centros de Distribuições da Região Serrana estão abarrotados , vamos dar prioridade aos itens relacionados acima que são de extrema importância.

OBRIGADA A TODOS , VAMOS FAZER A NOSSA PARTE!!!!!!!

PS: Não vou postar os dados bancários, endereço e contato do Thiago aqui por questões óbvias, mas quem tiver interesse na doação, me mandem uma mensagem e eu passarei os dados bancários e de contato dele ok? Fiquem despreocupados, pois é uma pessoa super confiável!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Se vai chover então deixa molhar!

Eu, que sou uma garota tão pensativa, perdida em sonhos e ilusões, sempre devaneando no mesmo tema, “over and over”... hoje resolvi escrever sobre a chuva. E que chuva! Hoje a cidade amanheceu caótica. Eu, num bom humor irritante aos olhos daqueles engarrafados e atrasados.

Na realidade, ultimamente eu tenho gostado muito de chuva. Descobri um poder de renovação incrível na água que cai do céu. A cidade inteira discorda, por razões óbvias, por ser Janeiro, por ser de concreto, por ser de manhã, por ser no fim do dia. Mas eu tenho me descoberto mais e mais a cada tempestade.

Semana passada, numa dessas tempestades de fim-de-tarde, eu me peguei dentro do carro, a ponto de querer abrir o vidro e colocar a cabeça pra fora! Meu coração estava apertado, uma sensação terrível, me sentindo presa em mim mesmo, querendo gritar, chorar (eu raramente choro por motivos amorosos. Propaganda de margarina não faz parte deste conceito) ou fazer qualquer coisa que tirasse aquele sentimento de dentro de mim. Sair do carro estava fora de cogitação por questões de leis de trânsito e segurança pública. Então minha solução foi entoar canções românticas dentro do carro mesmo, com tal força que os vidros tremiam. Nada, o aperto persistiu. Ao chegar em casa e ver minha garagem ocupada, me enchi de razão, parei o carro do outro lado da rua e atravessei até minha casa como se nada estivesse acontecendo. A água que corria na rua quase levava as sapatilhas dos meus pés, e aquela sensação tomou meu corpo. Não entrei em casa, apenas joguei a bolsa e "fui passear". Sim, na chuva, ou melhor, embaixo de um temporal, entre raios e trovões... e a água que caía me lavava, lavava minha alma e limpava meus pensamentos.

Em casa, banho tomado, fui dormir leve. Já a cidade... pontos de alagamentos, árvores caídas, quedas de energia. O que era bom pra mim prejudicava São Paulo.

Alguns dias depois, em outra rotina de exorcismo de monstros internos, a corrida no parque me fazia mais leve em vários sentidos. Sem sol mas num dia típico e abafado de verão, o suor que quase me fazia desmanchar em sais minerais foi diluído por gotas gigantes de chuva no meio da tarde... a corrida tomou um novo fôlego e correr na chuva me fez lembrar a primeira vez que corri, ainda do outro lado do oceano. Era outra situação de aperto, bem diferente, onde aquilo que o choro não foi capaz de fazer, a combinação corrida + chuva foi o elixir da vida para que eu continuasse minha trajetória com sanidade. Lembrei do frio de uma primavera cinza, da touca, da grama, da paisagem, das músicas. Lembrei de quantas  vezes em vão eu tentei correr por mais de um minuto, e que naquele momento quanto mais rápido eu corria, mais em êxtase eu me sentia. Claro que ninguém andou no dia seguinte... mas passados quase dois anos, lá estava eu, em outro momento, outros pensamentos, e a mesma sensação. Ah a chuva e sua capacidade de me transportar no tempo.

A cidade... reclamava da chuva que estragava o final de semana de tantos. A mesma chuva que eu levei pra praia horas depois, muvucando os convidados de um churrasco para baixo de um toldo apertado.

Hoje, enquanto tantos passaram a noite em claro no meio de alagamentos e das consequências trazidas pela chuva noturna, eu me fiz de bom humor. Eu sabia que levaria horas no caminho até o trabalho, sabia que as pessoas estariam irritadas, sabia que minha reunião atrasaria. Mas eu ativei o modo sorriso no rosto, entrei no carro e enfrentei a fúria da cidade contra aquela que hoje eu defendo com unhas e dentes. São Paulo pode ter perdido - por tempo indeterminado - sua batalha contra a natureza, com as enchentes, deslizamentos, acidentes, árvores, poluição... mas o que seria da vida sem a renovação que a chuva traz?

Se eu quero enumerar quantos beijos apaixonados, quantas danças e quantas brincadeiras de criança eu já vi/fiz na chuva? Não! Se eu quero entrar em questões governamentais, encontrar um culpado, acusar órgãos ou pessoas pelo lixo e pelo caos? Não! Quero apenas fazer minha parte no mundo, na vida. Quero construir o meu sem destruir o dos outros e, enquanto isso, poder tomar tranquilamente meu banho de chuva.

Ah tomar um banho de chuva! Um banho de chuva!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A arte de ser dos Outros

Quando eu estava aprendendo a dirigir, minha mãe sempre dizia que eu tinha que dirigir por mim e pelos outros;
Quando eu comecei a sair, minha mãe sempre dizia que confiava em mim, mas não confiava nos outros;
Quando eu comecei a estudar, tinha que estudar por mim e pelos outros (odiava trabalho em grupo!);
Quando eu assistia Lost, eu gostava da galera da praia e tinha medo dos Outros;
Quando eu quis aprender sobre religião, a Bíblia me disse que eu jamais poderia julgar os outros.

Então eu parei pra pensar:

São os outros que me machucam;
São os outros que me traem;
São os outros que abusam da minha boa vontade;
São os outros que amedrontam;
E são os outros que me julgam por me deixar ser machucada, traída, abusada, amedrontada e até mesmo julgada.

Depois de realizar tudo isso, de tanto viver e aparentemente tão pouco aprender, me pergunto: porque conviver com os outros é tão complicado mas viver sozinho é praticamente impossível?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

2011 com emoções

O Ano Novo começa, e com ele as famosas resoluções de Ano Novo, que geralmente não são cumpridas. Ainda, com as resoluções – muitas no meu caso – eu me fiz um favor: comecei o ano com a música mais brega possível na cabeça. Sim, Roberto Carlos Feelings reina desde o dia primeiro.

Quando isso acontece, eu não vou contra. Baixo a dita cuja, coloco no repeat one e passo o dia ouvindo a mesma música, over and over... E eis que, analisando a letra, percebi que tão brega quanto cantar Roberto Carlos, é perceber como a música cabe direitinho com o que eu estou pensando. E então realizei que meu itunes cerebral tem um setlist inconsciente com busca de palavras-chave baseado nos meus sentimentos. E ele age no modo automático e furtivo, sem eu sequer me dar conta que, quando eu invoco com uma música, um processo complexo porém muito eficiente já aconteceu momentos antes...

E, em vez que eu encanar com Lily Allen, Katy Perry ou até mesmo Pedra Letícia, todos com músicas bem-humoradas pra começar meu ano no Pollyana’s Feelings, eu fui mesmo de Emoções. Parabéns!

E... como partilhar é tudo na vida, vamos começar 2011 com as mesmas emoções sentido:


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A matemática do Ano Novo

Dia 01 de janeiro do ano de 2010, nos seus primeiros minutos, em meios a fogos, bebidas e sorrisos, escutei um amigo – novo amigo, como muitos outros feitos nesta viagem – dizer a célebre frase, que me acompanhou durante os últimos 361 dias: “2010 VAI SER 10!”.

Eu estava em Balneário Camboriú, numa viagem feita de última hora e que me rendeu tantas histórias. Depois destes minutos, as horas seguintes foram um borrão, que se encerraram numa cena hilária: eu tinha 8 pirulitos de coração presos ao meu vestido branco. Detalhes à parte, foi tudo como prometido: um lugar legal, vestido branco, cabelos soltos e muita risada.

E assim passou o ano, como a frase dizia, de forma que não poderia ser melhor... uma vez me disseram que aquilo que acontece na virada do ano, acontece o ano todo. E não foi que a Catarina entrou de vez na minha vida? Foram cenas engraçadas, desesperadas, envergonhadas... Foi um ano festivo, pessoas novas, paixonites que foram e voltaram, novas conquistas, uma grande benção na vida... E eu, sempre agradecendo a cada Ano-Novo da vida, exatamente como aprendi a fazer recentemente...

Foram momentos de paz. Mais um ano de bem com o reflexo do espelho, com a luz dos olhos, com a cor da aura. Foi um ano de aprender – e finalmente entender – que as pessoas vêm aquilo que mostramos como mostramos. Foi ano de franja, de cabelo preto que se tornou loiro, ou médio ou longo, sobrancelhas finas ou grossas, unhas coloridas, cintura alta, salto alto... Foi um ano de cremes e perfumes, de vaidade e autoestima.

Foi uma época de libertação. Aprendi a dividir minha história em duas, separei as experiências boas e ruins e coloquei em duas caixas de cores diferentes, que alcanço com a mesma facilidade mas nem sempre com a mesma vontade. Foi um tempo de aprender a lidar com a mágoa e entender que ela só passaria se eu a aceitasse, e aceitasse que o que aconteceu foi muito mais comigo, não só com os outros. Quando eu abri meu coração, em pouquíssimo tempo a mágoa, a dor, o sofrimento que eu tanto evitava, entraram e fizeram seu papel no meu amadurecimento. A mágoa se esvaiu, a dor passou e o sofrimento virou história de mesa de bar. E o melhor de tudo isso foi, depois de tanto tempo, ter boas lembranças e agradecer por isso. Sempre agradecer.

Foi um período de comprometimento. Com as finanças, com a casa, com a saúde. Tantas coisas mudaram. Finalmente fiz as duas coisas que pareciam mais difíceis e hoje, são imperceptíveis na vida: abolir a carne vermelha e o refrigerante. O resultado foi incrível: uma sensação de eu não tenho mais problemas em conseguir o que quero. Um copo de coca-cola e uma fatia de bife que para alguns representa a gula, para mim representa a simplicidade de uma decisão. Que não tem a menor pretensão de ser definitiva, mas sim que perdure enquanto haja vontade.

Foram muitos carimbos. Carimbos no passaporte, vistos e viagens a passeio e a trabalho. A viagem da realização de um sonho ("if I can make it there I can make it anywhere"), viagem de encantamento, de trabalho, de cultura, de diversão, de compras. Tantas compras. Foi também o ano do carimbo na famosa carteira azulzinha, o trabalho conquistado com todo esforço, por todos os anos de empenho e estudo. Foi este carimbo que pagou todos os outros!

Foi um ano inteiro de fé e de promessas. Foi um ano inteiro cumprindo a promessa mais bem paga da vida. Para aqueles que não acreditam, que não julguem a força do nosso universo. Eu vi o sofrimento, a dor e a perda caminhando ao redor da minha família. O câncer, com toda seu poder de destruição, sendo derrotado por um simples sorriso, pelo otimismo e pelo amor. Eu vi a cura, a esperança e a força. São elas que me rodeiam - e rodeiam minha família – agora.

Uma vida de aprendizado, com amigos, velhos e novos, que ouviram e foram ouvidos, que brindaram, viajaram, brincaram e riram comigo. Foram chats de emails, conversas de bar, de carona, de noite, ao telefone, msn, na hora do almoço, nas horas vagas e nem tão vagas. Foram lições, foram enquetes, conselhos, broncas, verdades, elogios e carinhos na alma. Eu fiz um milhão de amigos em apenas dezenas deles.

Sim, 2010 foi 10. Mas todo mundo sabe - e até a tal cartomante disse – que 11 é meu número. E eu sei que neste ano eu terei mais paixões, mais amigos, mais sucesso, mais felicidade. Eu sei que novos obstáculos virão, serão enfrentados e vencidos. Novos objetivos serão traçados e eu vou fingir que vou segui-los fielmente, até que na próxima semana eu mude de ideia e ache algo mais interessante pra fazer. E que, no fim, aquele objetivo lá de trás vai ser conquistado e comemorado por mim, pela família, pelos amigos, gatos, amigos dos gatos...

E por isso, 2011 será... 11?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eu sou de alguém

Devaneios, devaneios, devaneios... entre viagens, trabalhos e compromissos, tenho tanto semi-escrito, guardado esperando um ímpeto de inspiração... E, quando a danada (a inspiração) me falta mas sinto que preciso falar, tirar o preto velho das costas, devaneios alheios suprem parte dessa necessidade... E, na hora certa, recebi um texto tido como de Arnaldo Jabor. Se é ou não, “whatever”, o importante é que serviu como uma luva para aquilo que tem habitado meus pensamentos ultimamente...

Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara:

"eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".

No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.

A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação".

Agir como tribalista tem consequências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém.

Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair muitas vezes com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc. Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram.

Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando.

Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como se deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas.

Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçados, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor.

Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter "alguém para amar".

Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem na maioria das vezes a ideia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição.

No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer".

Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as licões que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional.

Podemos aprender a amar se relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer.

É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é ao mesmo que não ter ninguém também... é não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e a tão temida solidão...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Entre o caso e o acaso

Se a vida fosse baseada em teorias, não há discussão que seria mais fácil. E mais clara. Seria mais conciso viver no sim e não, sem o talvez. O tempo não passaria tão rápido se a gente não o utilizasse divagando e procurando significados nas entrelinhas.

Os matemáticos liderariam o mundo. Os pensadores fariam trabalho voluntário. Os administradores, vendedores, compradores... todos estariam em casa a tempo para o jantar. Os negociadores e advogados não existiriam. E eu... não teria um blog.

Odeio tentar decifrar coisas, pessoas e equações matemáticas. A teoria do acaso acabou com minha linha de raciocínio lógico...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

As cores do mundo do meu quarto

Ontem eu ouvi: "inspira azul, expira vermelho". E parei pra pensar em cores... que preto emagrece, que o mundo é cor-de-rosa, que mentalizamos lilás, que o horizonte é azul, a paixão é vermelha e um sorriso pode ser amarelo.

Meu quarto é cor-de-rosa. Pra me lembrar que o mundo é a extensão do meu quarto. Meu quarto tem 30 porta-retratos dos meus melhores momentos. Pra me lembrar que o mundo me vê da maneira que eu me enxergo. Meu quarto não suporta estar bagunçado, jogo tudo dentro do armário. Isso mostra que minha aparência esconde a bagunça que existe dentro de mim.

Meu quarto é reflexo de mim, do meu comportamento, das minhas escolhas e do meu jeito de ser. Por consequência, o mundo é extensão de mim, do meu comportamento, das minhas escolhas e do meu jeito de ser. Mas isso... bom, isso não é só uma teoria e nem é desconhecido, muitos ditados já o dizem. "Fazer o bem para atrair o bem" ou "Pensamentos tomam forma" ou até mesmo "você é aquilo que você come" fazem jus à esta máxima. E há tempos eu insisto que meu mundo é cor-de-rosa.

E “as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam”, diria Cartola. Por isso, eu apenas vivo, deixo que minha cor, meu número, meu cheiro, me sigam. Deixo pensar que o mundo que me guia enquanto eu que guio o mundo. As rosas, o rosa, a rosa, sempre farão parte da minha vida, mas enquanto o mundo dá suas voltas e me mostra o caminho que eu já tracei, eu vou mentalizando lilás, me apaixonando vermelho, usando preto, viajando em busca do horizonte azul e afastando os sorrisos amarelos.

E você, qual é sua cor?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

16 Things It Took Me Over 50 Years To Learn

By Dave Berry, on the event of his 50th birthday

  1. Never, under any circumstances, take a sleeping pill and a laxative on the same night.

  2. If you had to identify, in one word, the reason why the human race has not achieved and will never achieve its full potential, that one word would be "meetings."

  3. There is a very fine line between "hobby" and "mental illness."

  4. People who want to share their religious views with you almost never want you to share yours with them.

  5. You should not confuse your career with your life.

  6. Nobody cares if you can't dance well. Just get up and dance.

  7. Never lick a steak knife!

  8. The most destructive force in the universe is gossip.

  9. You will never find anybody who can give you a clear and compelling reason why we observe daylight savings time.

  10. You should never say anything to a woman that even remotely suggests that you think she's pregnant unless you can see an actual baby emerging from her at that moment.

  11. There comes a time when you should stop expecting other people to make a big deal about your birthday. That time is age eleven.

  12. The one thing that unites all human beings, regardless of age, gender, religion, economic status or ethnic background, is that, deep down inside, we ALL believe that we are above average drivers.

  13. A person, who is nice to you, but rude to a waiter, is not a nice person. (This is very important. Pay attention. It never fails.)

  14. Your friends love you anyway.

  15. Never be afraid to try something new. Remember that a lone amateur built the Ark. A large group of professionals built the Titanic.

  16. Men are like fine wine. They start out as grapes, and it's up to the women to stomp the crap out of them until they turn into something acceptable to have dinner with.

(Li este texto a primeira vez em Minneapollis, fev09, em uma lanchonete chamada Jimmy John's. Estava emoldurada na parede, assim como muitas outras frases. Guardei durante algum tempo, mas hoje, na ansiedade de uma viagem esperada cada vez mais próxima, ando muito nostálgica para escrever minhas próprias palavras. Com receio de qualquer texto virar um manual do indivíduo sob efeito de prozac, prefiro divulgar devaneios alheios.)