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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Uma relação em parágrafo único

Como muitas mulheres, eu tive o sonho de casar bonito, de branco, na igreja. E na pressa da imaturidade, deixei isso acontecer sem o amor mútuo e maduro. Acreditei num conto de fadas, acreditei que a paixão sustentaria a rotina. Aliás eu nem sabia o que era rotina. Meses depois, a relação já dava o ar de comprometida com argumentos egoístas e despreparados. Mas existe um sentimento que só quem casa conhece: o de achar que amanhã vai ser diferente. E neste sentimento vivi o relacionamento mais complicado que já ouvi falar. Na fase da lua-de-mel, recém-casados, aquela que nem foi a primeira briga denunciou o que estaria por vir: o primeiro reveillon separados, e brigados. O primeiro pensamento era de separação, mas um mais forte era o da vergonha de se separar – pra mim, não pra ele, mais prático e cético. Reatamos, entre lágrimas e promessas, porque tudo naquele tempo era sobre a viagem, que mudaria nossa vida e nos colocaria juntos para sempre. Não foi, não mudou e nos afastou. E quando, por insistência, voltamos, deixou mágoas e feridas que nunca cicatrizaram (pausa para dizer que eu, que nunca lidei bem com cicatrizes, tive que aprender a conviver com uma ferida aberta, dolorida e num lugar inconveniente: bem na auto estima). Desta vez, fomos mais longe, construímos uma base, nos aproximamos, até tentamos dar ênfase na palavra família aumentando-a com gato e cachorro. Mas vivíamos pisando em ovos, e de novo, outra separação. Foi em doses pequenas, mas que se consolidou. Só que havia um quê de não sei o que, não sei se amor, apego ou orgulho, que um não deixava o outro ir. Foram “flashbacks” aqui e ali, por quase um ano, que trouxeram uma grande perda – viu que estava se metendo numa roubada e decidiu não ficar por aqui – e uma grande alegria: a (denovoooo) reconciliação. Que aconteceu porque eu, um dia, vi que não sabia lidar com este lance de ficar, de dividir e muito menos de não se comprometer. O nome desta relação sempre foi meio estranho... “namoro meu ex-marido”. “Namorido”. Cada um na sua casa, e eu defendia a ideia de que estávamos amadurecendo a relação. Não, não estávamos. Porque é muito fácil namorar com quem você tem que trabalhar a convivência. Apertou, vai pra sua casa que não quero te ver. E isso foi ficando cada vez mais comum, dormir separados, viver separados num casamento só de papel. A aposta feita, em 5 meses saiu o resultado: exatamente no dia que completaríamos 3 anos da relação mais complicada, tudo acabou. De novo, ele desistiu, como sempre fez quando ficava muito difícil. E desta vez, eu não lutei, não discuti, não procurei respostas, não joguei nada na cara. Simplesmente absorvi, cansada, saturada. E o absolvi. Acho que finalmente ficou claro que algumas relações somam, outras empatam. E me despi do meu orgulho de manter uma relação de eternos zero a zero. Aliás, diferente das outras separações, onde muitos sabem o quanto sofri e chorei (gente é inacreditável o quanto eu chorei), hoje eu estou com um sentimento indescritível de conclusão. Fui a típica escorpiana teimosa, ele o típico ariano alheio. Eu fiz muito mais do que podia, me doei, me entreguei a um amor que nem consigo ainda saber se existiu – deixo esta resposta pro tempo me dar daqui uns 30 anos. Ele nadou com a maré, ditando sua inércia e eu me aconcheguei nisso, mesmo internamente desconfortável. Não era pra ser, não mesmo, contrariando o que eu tinha escrito dois dias antes do fim. E assim, por ora, o sonho de casar bonito tomou outra forma.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Unlike

Sabe aquele dia? Aquele que bate uma tristeza desnecessária, que aquela fossa volta com força total, que a solidão te fecha no quarto e bota um piano travando a maçaneta? Sabe aquele dia que até a música boa te faz chorar? Que ver uma foto sorridente de um casal apaixonado, uma selfie nas férias na gringa, a foto de uma barriga explodindo de gravidez e alegria te fazem duvidar de todas as suas escolhas?

Quem nunca? Quem nunca quis expôr suas dúvidas, medos e incertezas no facebook mas teve receio que seu mimimi virtual não gerasse likes suficientes pra te tirar da fossa cíclica? Porque a foto sorridente em horas trazem notificações exponenciais de curtidas, enquanto a realidade dura só gera um suspiro. Sofrer por amor é proibido na internet. Mas inveja branca pode.

Sabe aquele dia que tudo que você quer é nunca mais sair da cama, se enfiar no balde de pipoca, coca-cola e chocolate assistindo filmes melosos mas opta por ir dar um check-in no cinema, mesmo arrastada, para poder interagir virtualmente? Entende como uma promissora vida virtual traz mudanças absurdas à nossa vida de fato? Na internet, ninguém quer lidar com sua dor. Se as fotos e filtros são de felicidade plena, a vida é de luta constante.

Não quero fazer apologia à solidão, Deus me livre! Mas estou saturada da superficialidade que a vida do facebook me trouxe. Sei que estar triste não é uma condição eterna, é uma fase de transição, de reconstrução, de reconstituir aqueles pedaços perfuro-cortantes do coração que todo término traz – e por término leia-se de qualquer coisa: relacionamentos familiares, amorosos, de trabalho, amizades, projetos, etc. Por ponto final em QUALQUER coisa dói. E é neste momento que você mais precisa de força e determinação, sempre tem alguém casando, tendo um filho, viajando pro lugar mais filhodaputa, conseguindo o emprego dos sonhos... e o sentimento de derrota vem com os dois pés no peito! Porque, claro, no facebook todas as vidas são perfeitas!

Cometi suicídio. Porque preciso chorar, compartilhar lágrimas com os amigos até passar; e não passa, não tem jeito! Pra parar de me comparar, de me iludir. De acompanhar a vida alheia tal qual novela. Parar de dar informações sobre a minha vida, parar de filtrar as emoções.

Não ligo pra exposição, não sou anti-social. Só entendi que preciso de um tempo.

Por isso, eis minha carta de suicídio virtual. Talvez seja temporário, talvez não. Talvez isso me faça feliz, talvez não.

Apenas precisava tentar.


:* - se sentindo determinada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Mais um carnaval


Em vez de contar primaveras, por uma curta fase da vida contei carnavais.

Tive um namorado que dizia amar o carnaval, pois havia nascido no carnaval. Não me lembro de um baile de carnaval com ele. Outro, que também nasceu no carnaval, não era brasileiro. Quando assumi a solteirice, levei a sério este lance de amar o carnaval. E então conheci o verdadeiro carnaval brasileiro. Curti p.r.a.c.a.ra.l.h.o, mais do que minhas próprias pernas podiam aguentar, durante dois ou três anos. E então, o que nunca imaginei, me apaixonei por alguém que não compartilhava a devoção pelo carnaval. No primeiro ano, conseguimos equilibrar e conciliar. Um bloco aqui, outro acolá, um Rio de Janeiro aqui, um você fica até a quarta de cinzas que eu volto pra SP acolá, e a realidade aconteceu. No próximo ano, entre as viagens de trabalho dele e o Strawberry Fields Forever, curti o bloco sozinha, mas de aliança no dedo. Na semana seguinte, carnaval na neve, comprada  - e muito bem comprada – fui para NY fazer um esquindô a dois.

Este ano me vejo novamente em um relacionamento sério com o carnaval, mas vejo como nossa relação amadureceu. Ou endureceu. Ou envaideceu. Não sei... Os blocos ainda envolvem, colocam sorriso no meu rosto. Mas falta paciência, pegada, timing – este timing sim eu perdi. Me vi já no pré-carnaval julgando, olhando torto, cheia de não me toques e não me beijes. Me senti velha, pela primeiríssima vez na vida. Contemplativa, estou querendo entender a relação carnaval X juventude.


E no auge dos meus trinta e poucos tão vividos, tenho ainda uma semana de pré-carnaval para (me) entender e me entregar.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Pessoas da Augusta


Confesso que tenho um pouco de preguiça destas pessoas. Pessoas cultas, que vão ao cinema por interesse cultural, que vão a cafés com livros, que suas baladas são em ambientes alternativos do baixo Augusta. Pessoas que te julgam o tempo todo pela sua falta de interesse por política sócio-econômica, que moram em apartamentos ou muito grandes ou absurdamente pequenos no centro sujo de São Paulo. Pessoas que se vestem de maneira "única", que expressam sua opinião através de ações e reações. O.Tempo.Todo.

Muita preguiça de discutir, de mostrar meu ponto de vista - afinal que mal há num combo Mc + Cinemark + Pipoca transgênica? - ou de defender meus ideais particulares.

Poxa, eu também sou SUPER alternativa. Se juntarmos uns retalhos da minha personalidade, sou mais cult que muito pseudo-barbado-tatuado que usa allstar surrado e ainda "cola" na DJ todo santo sábado. Mas porque eu curto sertanejo perdi minha moral em escutar rock. Porque eu jogo CandyCrush (FarmHeroes e CandySoda) eu sou superficial e perco preciosas horas de leitura Nietzsche. Porque eu amo salto alto me olham de maneira duvidosa quando estou confortável no meu allstar amarelo. Porque eu uso lentes de contato para meus 6 graus de miopia all day long eu não posso usar óculos quadrados que me garantam o título de alternativa.

Preguiça disso tudo, de títulos, rótulos e estilos.

Muita preguiça disso tudo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Acho que é hora de você saber quem eu (não) sou.

Achei que seria um bom momento pra jogar a real de quem eu sou. Porque eu definitivamente não sou quem você pensa.

Eu não sou forte, pare com isso! Não sou de pedra e muito menos consigo enfrentar qualquer coisa. Eu choro, choro muito, por tudo. Por vezes choro até dormir. Ser grande não é ser forte. E porque as pessoas têm esta certeza que eu sou o Rambo, raramente consigo um colo pra chorar, pra me aliviar.

Eu não sou destemida, eu sou é cagona. Eu enfrento tudo e todos porque preciso, mas se pudesse eu acuava, e então me esconderia atrás das pernas do meu pai. Se esta falta paterna me deu este status de destemida, foi lucro. Ou falta desta oportunidade de ser defendida. E, porque não admitir, depois eu choro.
Eu morro de medo de insetos, todos os que voam, até mosca varejeira me assusta. Abelhas e insetos com ferrão me tiram do corpo. Também tenho medo de barata, mas como barata não morde, eu consigo depois de uma grande dose de coragem pegar o “Raid” e extermina-la (1 barata = 1 frasco de inseticida).

Minha autoestima é mais variável que o dólar. Geralmente é alta, mas quando cai vejo tanta gente tirando vantagem disso... Por isso, às vezes eu pareço pretensiosa demais. E já que estamos aqui abrindo o coração pras verdades minhas, vou admitir: é só armadura. Só preciso ser melhor do que você pra me prevenir de me machucar. De novo.

Não sorrio o tempo todo. Tenho bico naturalmente. Mas tenho que sorrir porque é meu melhor ângulo, e aproveito pra trazer um pouco de oxitocina para o corpo com algumas gargalhadas. Tentar ser feliz tira um pouco do foco da dureza da realidade.

Não sou rica, bem de vida, tranquila ou responsável. Recentemente perdi absolutamente tudo que conquistei - menos minha vivência, minhas viagens, minhas memórias. Então me apeguei à elas, e você acha que eu sou instável e quero viajar o mundo por pura sede de conquista.

E não, não sou do tipo que levanta e vai, faço o que me dá na telha. Muitas vezes, eu já calculei todos os riscos e vi que aquela, que pra você parece a solução mais docemente arriscada, é minha única saída – ou fuga. Mudar, sair do país, se separar, pedir demissão... estas atitudes que para os coxinhas são audaciosas, para mim foram tentativas desesperadas em busca da minha felicidade.

Porque de tudo isso que você já deve ter entendido que eu não sou, vou te dizer quem eu sou: alguém que só busca a felicidade.
Alguém que sorri quando chora pra afastar a tristeza – e porque chorar dói. Que luta de peito aberto contra a vida pra transformar um limão azedo na torta de limão mais doce do mundo e tentar ser o orgulho que quem a criou. Alguém que tem medo de muita coisa – de insetos à escuridão, mas principalmente, tem medo de ficar sozinha. Sou aquela que demora pra se vestir, porque minha autoestima tem que estar bem-vestida. Sou alguém carente, menina, mulher, cheia de defeitos mas com uma ânsia enorme de mostrar todas as qualidades de um mundo cor-de-rosa na sua vida, onde tudo tem um lado bom - até a chuva. Uma pessoa que não quer marca, status, iates. Quer apenas estabilidade. A vida coxinha que tanta gente evita.


Alguém que tudo que mais quer é um colo gostoso no fim do dia, onde eu possa relaxar e, finalmente, ser fraca. Onde depois de um afago nos cabelos e um beijo na testa, escute um  “descansa, dorme em paz, você viveu muito por hoje. Deixa que eu cuido do resto.”

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Recado

Não são feitos mais de papel e caneta, muitos deles. Muitos são digitais, muitos são pessoais. Tecnologia que tira o charme de um papel dobrado, do tom azul da caneta bic e de quem sabe uma lágrima que molha o papel. Tecnologia que traz a mão trêmula segurando um celular ultramoderno.

Instante. Em menos de uma hora uma expectativa de vida, de mudança, se esvai, o coração gela e o peito dói. 

O livro da vida dá informações desnecessárias, em recados necessários. 

E a vida passa – ou continua – sem delongas. Seu recado foi dado, a decisão, que pareceu tão repentina (talvez não tenha sido), foi tomada sem prévio aviso, sem comunicação, no meio de palavras cruzadas e mentirosas. Nenhuma palavra de consideração. E tantas outras consequências neste tempo passivo foram notadas. Mudança, medo, mais mudança, uma nova esperança. Presentes, apoios, lágrimas e sorrisos, tantas misturas. 

Portas que se abriram para um coração doído que se fecha, quando entregou seu derradeiro recado, escrito em letra de mão, caneta rosa (porque ainda sonha), num papel dobrado molhado por lágrimas.

E o recado foi dado. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Medo

Nem sei de quê.

Talvez de ficar sozinha, de não dar certo, de não vingar. Bateu um medo. Medo mesmo, aquele que faz tremer as pernas. Medo de ter sido tudo em vão, medo de me arrepender.

Porque nada vingou, nada deu certo. E não é que deu certo enquanto existiu, deu errado mesmo! Cortei laços, tomei decisões erradas, insisti no erro e me machuquei. Achei que era cedo pra desistir e me machuquei mais. Agora o que me machuca é o tempo perdido.

E o pior é que a vida não para pra me esperar. Não adianta pedir tempo, pedir pra começar de novo, nem desistir e dar de ombros. A vida não para e tanta gente depende de mim. Sempre segurei, segurei firme, me fiz de arrimo, principalmente mental. Um dia, quis um pra mim, e quando achei que pudesse relaxar neste peito, caí. Caí e a vida me atropelou. Me atropelou de todas as formas, com todas as pernas. Me perdi em todos os vieses.

De todos os arrependimentos o pior é de ter relaxado. Porque os caminhos são escolhas e a gente retoma. Como li estes dias num livro que tem tentado acalmar meu coração, “Nosso caminho é sempre o melhor que podíamos escolher, de acordo com nosso nível de compreensão e adiantamento daquele momento. Se, porém, no dia seguinte, nos dermos conta de que aquele caminho não era o mais adequado, não devemos nos culpar por isso. Devemos apenas mudar de direção, selecionar novas veredas.”

Mas é o arrependimento de ter relaxado que me dá medo. Porque eu tenho, de novo, medo de não confiar em mim. Não nos outros, mas em mim mesmo. Eu já nem sei mais o que eu faço bem. E se eu faço bem mesmo. É uma mistura de experiências que não dá uma profissional completa. Uma mistura de experiências que não dá nem mulher nem adolescente. Uma mistura de experiências que me faz sentir incompleta, perdida, com medo. Medo que não acaba, que não alivia o peito por nem um instante.

Medo de ficar sozinha, de não dar certo, de não vingar...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O dia

Chegou o dia que eu tanto esperei na vida! Aquele dia que eu olharia para trás e sentisse nenhum sentimento de raiva ou rancor, nenhuma mágoa ou tristeza... nem aquele vazio que eu temia. 

Na realidade acho que este dia já tinha chegado, eu que nunca havia parado pra pensar, pra olhar a data, para realizar a conquista. Porque sim, foi uma conquista.

Foram muros derrubados, foram armas abaixadas, foi uma risada gostosa e tão alta que foi escutada do outro lado do mundo.

Uma sensação gostosa, de vida vivida, de que a história pode ser boa, só depende do ponto de vista - e de quem conta. Uma imagem na cabeça, não mais aquela imagem do passado, que tinha dado rosto a um sentimento, nem aquela imagem de uma história que eu só tinha pra mim. A imagem da amizade, da força... em segundos eu vivi anos de lembranças, de momentos, de uma vida a la Juscelino Kubitschek, já parafraseando a tal amizade.

Nada além de um sorriso tão largo que dói meu maxilar.

E eu que nos meus momentos de energia negativa achava que não havia conquistado nada! Conquistei sim senhora. 

Deixei pra trás tanta coisa... porque percebi o quanto estava, despropositadamente, deixando pra trás.

Ainda sorrindo, volto a viver a vida como eu nunca tinha desenhado. E como, há tempos, eu parei de desenhar.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Do Amor

O amor tem que dar prazer.

E para dar prazer tem que ser seguro. Estável. Não sinto prazer na incerteza do que pode faltar a qualquer instante.

O amor tem que ser leve, e para ser leve tem que ser alegre.
Íntimo, já que eu não suporto as formalidades, as reverências, as mentiras.
Para ser íntimo tem que ser entregue, aberto, confiante. Não confio no que tenho medo.
Então o amor tem que ser cúmplice, reconfortante.
Não entrego meu afeto a quem possa me punir pelas minhas fraquezas.
Tem que ser condescendente, compreensivo. Eu não poderia estar eternamente maquiada para esconder a pele imperfeita.

O amor tem que encher o peito da gente de uma tranquilidade constante. Já são tantas as ansiedades e aflições de todo o resto...
O amor tem que aguentar os tempos das desavenças, os ciúmes, as implicâncias, as indiferenças, o cansaço, o frio no coração, o mau humor, as imperfeições, os desajustes.
O amor tem que aguentar o desamor.
Mesmo que não dê prazer.

(trecho de um livro que eu realmente não sei qual é)

domingo, 24 de março de 2013

Homesick

Saudade é uma coisa difícil de explicar, e de conter.

Saudade dá de qualquer coisa, e é ativada por qualquer coisa. Hoje a saudade não é de família, de amigos, de trabalho, de comida, de cheiros e lugares..., é saudade de conhecer.

Saudade de conhecer gente, de fazer um círculo, de fazer parte. 

E infelizmente isso faz parte do processo de mudar de vida. E é a primeira vez que isso acontece. Quando me mudei pela primeira vez, tinha escola, tinha trabalho logo de cara, tinha mais onze pessoas na casa que morava. Foi relativamente rápido montar um cenário, uma vidinha, saber e ter pra quem ligar pra cada coisa em específico. Ir a uma festa, estudar, trabalhar, cada um no seu círculo.

Hoje eu não conheço pessoas, não sou conhecida, tenho um círculo pequeno onde as pessoas já existiam, e só. É uma nova realidade sendo montada realmente do zero. Não tem colegas de trabalho, da escola, de casa, ou os roommate, flatmate, schoolmate, workmates da vida de intercambista  Porque eu não sou mais intercambista, eu sou esposa, dona de casa e procuro o emprego dos sonhos nas horas vagas. Que são muitas.

E são nessas horas que a saudade de ter gente ao redor ataca.

Nas horas vagas, as vagas estão vagas.

Acho que sim, é saudade dos amigos. Dos novos e dos velhos amigos.

sábado, 2 de março de 2013

Despedida

Distante apenas 4 horas do embarque para o novo mundo,as prontas, na frente do computador, tentando fazer um texto bonito. Nada.

Zero inspiração. Resolvi ser sincera e dizer: não é hoje que farei ninguém chorar.

Mas não posso ir embora sem dizer a cada um dos meus amigos, mesmo da maneira mais simples: VOCÊS SÃO A MINHA VIDA.

Não vou nem correr o risco de citar nomes e esquecer um dito cujo. Todos sabem a importância que têm na minha vida.

Tá doendo, mas prometo que não vou chorar. Ou pelo menos prometo segura o máximo que meus olhos conseguirem.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Virada


Entre o dia 31 de Dezembro e 01 de Janeiro existe um momento maior que um segundo. Um grande abismo no tempo.

Um abismo cultural, onde pessoas param para pensar na vida, nas conquistas, nas perdas, agradecem as vitórias, rezam por melhoras, de vida, de saúde, de comportamento. São promessas de amor, engajamento, atitudes, dieta. O tempo para até que todos possam finalizar suas preces. E nesse espaço vazio, oculto, enquanto tudo está parado – ou em câmera lenta, nunca consegui definir – muito acontece. Exatamente como nas outras noites do ano, os pelos crescem, as unhas crescem, células nascem e morrem. Pessoas nascem e morrem.

Mas queremos magia, mudança, o esotérico, o exótico. A ideia do “o que ocorre na virada ocorre o ano todo”. A tradição do branco, da paz, do amor, dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. As sete ondas, romãs – que eu não sei sequer o gosto que tem – e lentilha. Fogos de artifício, que só ano passado eu vi como fazem falta. Sorrisos e abraços, que este ano eu vi como fazem falta. Ano-novo-vida-nova. Todos querem o melhor para o ano que entra. Querem chegue logo, porque ano que vem... ah o ano que vem!

Mas será que alguém já pediu pra voltar no tempo, porque no ano passado estava mais gostoso? Porque “o ano que vem” dá medo, tem muita coisa pra acontecer e minha segurança ficou presa atrás do vácuo do segundo entre estes fatídicos dias. Estamos cada uma em uma margem deste segundo.

O tempo e estas malditas fatias! Quem as criou não pensou que a rotina do dia-a-dia poderia acontecer em qualquer “virada” e que isso se torna um fardo pelas próximas 364 viradas...

Obrigada Seo Gregório pela excelente VIRADA. Mas eu tive meu segundo de resolução: este ano meu ano-novo será Chinês. Judeu. Ou Maia.

Feliz Ano Novo, de segundos eternos e resoluções perfeitamente quebráveis. E de tradições quebráveis.

“...Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.”
(Receita de Ano Novo – Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Desce daí!

Existem pessoas na vida que não aceitam desabafos, momentos de fraqueza, sensibilidade ou carência. Estas pessoas se acham as mais fortes, e, num paradoxo, as que têm os maiores problemas. O salário é menor, a vida é mais difícil, o relacionamento é mais complicado, o trabalho é mais árduo. Pra estas pessoas, nossos problemas são medíocres.

Algumas dessas pessoas chamamos de amigos. E a amizade não acaba por esta característica. Mas ela afasta. Afasta porque a frustração cicatriza e deixa marca. É muito bom, sem igual, ter um amigo para dividir a vida, rir e passar os melhores momentos. Mas é igualmente necessário que estes amigos saibam posicionar-se nos momentos menos desejáveis. Saber ouvir é uma arte, falar a coisa certa, uma dádiva que nem todos tem.

Este patamar que criamos, dividindo nossos amigos e colocando-os em níveis canônicos, é falho e chama-se expectativa. E quanto maior a expectiva, já sabemos... maior a frustração.

E às vezes é nos degraus mais baixos onde encontramos o apoio pra poder sentar e falar da vida, dividir, ouvir, ser ouvido, ou simplesmente ficar em silêncio, lado a lado.

E é nos degraus mais baixos onde encontramos os mais sábios, as almas mais pacíficas e os menos revoltados.

Quero amigos daqui de baixo, onde olho de igual pra igual, mesmo sabendo que, se quisesse, olharia de cima, mas que minha expectativa acaba mantendo-os lá em cima. Quero amgios que desçam quando preciso, ou que subam comigo, mas que caminhem na escada da hierarquia da amizade.

Sempre bom encontra-los onde e quando menos se espera!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Entre-carnavais

A vida e sua caixinha de surpresas.

Vê-se que quando me calo, estou fazendo algo absolutamente inadiável: vivendo a realidade. E esta realidade surpreende a cada dia.

Mas às vezes me vem o ímpeto de escrever. E eu nem sei por onde começar...

Tenho medo da minha boca. E da velocidade da mudança do curso da minha vida.

Ano passado eu disse, com veemência, que passaria o carnaval de 2012 em Salvador. Porque aquele seria meu último carnaval solteira e eu queria fechar esta fase com chave de ouro. Aliás, eu sequer namorava, tinha apenas uma cisma que hoje eu já nem sei explicar o que era (ah o tempo).

O carnaval veio, passou - como um trio elétrico por cima de mim - e a vida seguiu seu curso. Nada em vista, e de repente, sem esperar nem planejar, o amor chegou. Durante meses eu continuei com os planos do próximo carnaval, mas ele, o amor, mudou tudo...

Quando eu disse que era o último carnaval solteira, nunca imaginei que no próximo eu estaria casada. Muito menos sem carnaval, longe do carnaval. Mas nunca se sabe. Até lá, o curso da vida pode mudar radicalmente. de novo.

Até porque há quem lembre bem meu comentário de carnaval, com 3 copos de uísque na mão e um salto abandonado, num fim de noite no camarote em Salvador...Nunca se sabe!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Na hora certa


Escrever é terapia. Me tira do corpo as palavras que gostaria de poder gritar, jogar na cara de alguns. Ou jogar ao vento em fases de felicidade plena.

Os gaps nesta terapia mostra que a engrenagem da minha vida está fluindo como um relógio suíço.

E foi quase ontem que eu percebi, coincidentemente, que o ponteiro menor do meu relógio suíço está desajustado. A hora está certa, mas seu ponteiro se desalinha, então tenho que me basear pelos minutos – e pela posição do sol, como nos velhos tempos.

E se basear numa prática dos velhos tempos não tem me feito bem, então tirei o relógio do pulso. Um relógio dourado, vistoso, bonito, polido. Uma engrenagem perfeita, mas com uma incoerência na hora certa. Fazia do meu pulso cansado, adornado mas vazio, com medo de confiar na hora presumida pelo relógio.

Não sei mais a hora. Não sei se estou atrasada ou adiantada.

Eu não quero saber se meus minutos conferem, porque o dia, no fim da contas, é baseado em horas, e em horas certas.

Quando é a hora certa?

De se entregar, de acreditar, de esquecer, de levantar. Eu não sabia tudo que se passava em mim até que um simples dispositivo foi acionado: o cronômetro. Eu tive 60 segundos para acertar uma resposta, mas não tinha noção do tamanho da cicatriz que eu tinha no peito, bem ali, onde fica a confiança. Não sabia a superficialidade daquilo que eu jurava ser o melhor momento da minha vida. Não me lembrava como era acreditar. Ainda não me lembro como é acreditar. Só lembro do medo de me perder entre os ponteiros.

E olha só... não é que estou insegura em saber se estou uma hora atrasada ou adiantada. Meu medo é perder minha noção da pontualidade. É de começar a viver pelos ponteiros dos minutos, vivendo apenas aquele ciclo perfeito do presente, e fechando meus olhos, ficar cega ao menor ponteiro, de maneira que mesmo que eu troque de relógio, o hábito me cegue e eu não viva mais as horas certas da vida. Viver em função do relógio sem ao menos olhá-lo por completo.

Hoje ando de pulso nu. De alma nua, de coração aberto. Estou aprendendo a confiar na informação alheia.

Que horas são?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Falemos da chuva


As águas de março... sábia Elis que gostava da chuva.

É sabido que eu adoro a chuva. O cheiro da chuva, a cor do céu, o peso das nuvens, o barulho torrencial. Gosto de assistir o baile das gotas nas poças, as bolinhas que estouram, a cadência  que o vento embala. Chuva é poética. Chuva embala os pensamentos, leva pra longe.

Hoje eu assisto a chuva de camarote, de maneira clássica, com uma caneca de café gostoso e fresquinho, recostada na janela da minha sala. Sem intervenções, sem reuniões, sem problemas pessoais ou de trabalho. Vejo um pedacinho do céu que mostra o azul do calor do dia. Vejo o termômetro da rua com a temperatura caindo, grau a grau, o clima refrescando. O sol saindo entre algumas nuvens douradas e outras pretinhas, pretinhas. Ainda é verão!

Mesmo com o sol, a chuva cai há cerca de 30 minutos. Não tão forte quanto eu gosto, forte a ponto de me parafrasear com “a água que corria na rua quase levava as sapatilhas dos meus pés, e aquela sensação tomou meu corpo”. Está tranquila, discreta, querendo dizer: vim para confortar.

Confortar o calor do termômetro.

Confortar o calor do meu coração.

Confortar o turbilhão dos meus pensamentos.

A chuva sabe que, com ela, ela traz uma mensagem. E ela diz, na cadência das bolinhas que estouram no chão, que assim como o temporal passa, suas águas fecham não só uma estação, mas um ciclo.

E eu suspiro e me recosto novamente, esperando o sol brilhar mais forte.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ao fulano, e sem mais.

Às vezes, precisamos desabafar, seja com o cachorro ou gato, no colo da mãe, do namorado ou da melhor amiga, ou seja apenas escrevendo, traduzindo o som do “tectec” do teclado por toda uma mágoa, desespero ou apenas uma dúvida ressentida. Às vezes é segredo, às vezes uma indireta, às vezes uma carta endereçada. Por isso, desabafos com nome e sobrenome, facebook e twitter não devem ser divulgados. Ou não deveriam. Mas quem tá aqui, quem lê, quem digita aquele endereço ali na barra do navegador, tem de alguma forma algum interesse na minha vida, então quer saber.

E quer saber?

Blah. Página virada, sim, move on. Gostava pracaralho, mas... paciência. Passou muito tempo e se eu fosse de fato importante na vida de fulano, isso já teria passado. Queria só um desfecho, e tivemos. Quando eu me abri, me mostrei e tentei de novo uma aproximação, sabia que existia a possibilidade do sim e do não.

Sério, se é importante pra fulano, que viva em sua insignificância! Eu não tenho máscaras, não me escondo em palavras, feias ou bonitas. Se me incomoda eu falo, escrevo, mando email, choro, mostro todas minhas armas e falhas. E se necessário, peço desculpas pra quem é importante pra mim.

Durante todo este tempo, me remoía em pensar que, pela primeira vez eu teria decepcionado um amigo, que é a coisa mais importante que eu tenho na vida. O que eu sentia era remorso. Hoje eu sinto pena. Porque fulano escolheu isso, escolheu se fechar e se afastar, viver no amargor e achar que é feliz na jaula de sentimentos onde vive.
Então, eu não tenho mais nada a fazer. Eu fui até onde deu. E minha consciência está leve, não posso me culpar por algo que eu sequer sei o que é. E me livro desta culpa sem qualquer pudor, porque eu quis melhorar, quis saber o que fiz ou não fiz, quis ser importante assim como fulano foi pra mim. Mas fulano tem suas próprias escolhas, e cada escolha uma renúncia.

Amigos vem e, infelizmente, vão. Faz parte da vida, e cabe a nós deixar nossa marca em cada um. Cabe a nós fazer desta marca uma coisa boa, mas isso depende da receptividade, da recíproca. E não queira me disciplinar, não queira ser melhor que eu em palavras. Seja em atitudes. Quem quer ser o professor da vida tem que ter didática. Aluno nenhum aprende com achismos, com conclusões próprias ou análises de consciência. Até porque, cada um tem o seu padrão de certo e errado, seu senso e seus próprios limites e limitações. Cabe aos relativos, àqueles que se importam e estão por perto, instruir e equilibrar este senso próprio com o senso comum.

E, quer saber... fulano foi importante sim, mas tinha sombra demais. Tinha preto demais, tinha mágoa demais. Eu aprendi com sua excelente convivência – porque eu sou o copo meio cheio – a ser menino, mas não quis deixar de ser menina. Aprendi a ser over, mas não quis deixar ter meu brilho. E principalmente aprendi a respeitar a diferença entre as pessoas. Por isso fulano, vá com Deus, segue teu caminho com sua felicidade única. E quem sabe um dia então, e sem crédito nenhum, só então, você enxergue que a vida tem muito mais cor que sua esmera caixa de 12 cores.

Ah, e fulano, se estas palavras algum dia passaram por seus olhos, quem dá o conselho final agora sou eu: quem desdenha quer comprar. Talvez minha marca na sua vida seja mais forte do você mesmo pode admitir.

E esta soberba em minhas palavras, obrigada, você me ensinou, levo para vida. 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por dias de inferno

Não, não é o inferno. Porque no inferno há pecado.

No inferno, há o desejo, a volúpia, o dissabor do promíscuo.
No inferno, o calor do fogo, o vermelho da paixão, a obscuridade de pensamentos mais íntimos.
No inferno, a luta, a condescendência, a renúncia, o desespero e a enfim entrega.
No inferno, lá embaixo, aqui ao lado, ou onde quer que seja.
No inferno, astral, real, virtual, surreal. Inferno, errado, julgado, condenado.

Não, não é o inferno. Porque é paraíso; anjos, em azul, nas nuvens, por arpas e com pureza.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

(Não) Aprendi

Seja por William Shakespeare (ou não), seja por qualquer autor que internet nomeie... seja pelas palavras bonitas, seja pelo desabafo, seja para aprender como levar a vida mais ou menos a sério.

Seja para saber o que eu de fato aprendi. E o que eu preciso – e muito – aprender.

“Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.
Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.
Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.
Eu aprendi...Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.
Que por mais que se corte uma pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.
Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência.
Mas, aprendi também que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.
Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sente.
Aprendi que perdoar exige muita prática.
Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.
Aprendi... Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi que posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, e que eu tenho que me acostumar com isso.
Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.
Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto;
Aprendi que numa briga preciso escolher de que lado eu estou, mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.
Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.
Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.
Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.
Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Para um leitor especial...

Malandro é o inglês que não sabe o significado da palavra saudade. Perdem o ônibus na mesma intensidade que sofrem por um amor perdido. Já escrevi sobre saudade e como as redes sociais mascaram um sentimento de perda. Mas uma coisa é a saudade de quem partiu, outra é perder alguém que se ama... pra outra pessoa.

E aí lá vem o Facebook mostrar mais um casal feliz que se intitula “para sempre”. E o novo consorte, que coitado nada tem a ver com as juras alheias de amor infinito que foram em vão, é instantaneamente odiado pelo ex e seus relativos.

E quem nunca esteve no papel acima que atire a primeira pedra... Eu, na minha primeira vivência, era o ser mais evoluído do mundo, que “rezava todas as noites desejando a felicidade dele”. Mas, mesmo mais de ano depois do término, vi uma foto de casal e instantaneamente um buraco se abriu na boca do estomago, causando um vácuo e uma certa sensação de não sentir mais os pés pisando no chão. A segunda, não foi bem um namoro, mas um excelente “prospect” que eu deliberadamente abri mão. Ve-lo com outra me trouxe de volta ao vácuo. Outras ocorreram, e certamente o oposto também ocorreu, mas alguém quer falar sobre ver o casal enquanto AINDA há um sentimento reprimido? Dói né? E não importa a idade.

Às vezes dá até vontade de nunca ter vivido aquele sentimento, nunca ter conhecido, nunca ter se envolvido. Dá vontade de bater a cabeça no canto certinho do cérebro onde todas as lembranças recentemente vividas são armazenadas. Mas quando passa – leia-se quando se conhece um novo amor que será maior que o anterior – tudo que fica são as boas lembranças, ou apenas lembranças.

E não adianta tentar reviver o mesmo, o novo de novo. O que passou passou, fomos felizes enquanto casal mas se acabou, algo não estava encaixando. Também não adianta dizer que está tudo bem. Cada dia é um dia, e cada história uma história. Um sentimento só vale a pena se for recíproco. Se for unilateral não é perda, é inveja. E a gente só tem a autorização divina de ter inveja daquilo que podemos ter, o que então denominamos exemplo, perseverança, meta, ambição.

A vida anda, e anda rápido. Quem ainda é jovem tem a sensação que a vida vai durar só mais dois anos e quer resolver tudo agora. Não é bem assim... a gente nem sabe onde está guardado o nosso. Uma cartomante (sim, uma cartomante, juro que faz tempo) me disse que o “meu” nem morava no Brasil. Mas ela também disse que eu receberia uma grana em novembro passado, que ainda não veio... Isso só exemplifica o que eu quero hoje: (me) provar que a gente não sabe de nada da vida. Não sabemos onde vai dar tudo isso, em que vai dar. Uma relação com uma pessoa sempre traz frutos, mas muitas vezes não são o que tínhamos em mente quando a conhecemos. Pode ser uma linda amizade, pode ser um futuro casamento, nosso ou de amigos em comum, pode ser uma parceria comercial. Pode ser uma inimizade ou... PODE NÃO SER NADA. Só lição de que na vida nem tudo é escrito a caneta...

E que não precisa de tanto para ser apagado ou esquecido, é só querer – e parar de fuçar no Facebook.