Como muitas mulheres, eu tive o sonho de casar bonito, de
branco, na igreja. E na pressa da imaturidade, deixei isso acontecer sem o amor
mútuo e maduro. Acreditei num conto de fadas, acreditei que a paixão
sustentaria a rotina. Aliás eu nem sabia o que era rotina. Meses depois, a
relação já dava o ar de comprometida com argumentos egoístas e despreparados.
Mas existe um sentimento que só quem casa conhece: o de achar que amanhã vai
ser diferente. E neste sentimento vivi o relacionamento mais complicado que já
ouvi falar. Na fase da lua-de-mel, recém-casados, aquela que nem foi a primeira
briga denunciou o que estaria por vir: o primeiro reveillon separados, e
brigados. O primeiro pensamento era de separação, mas um mais forte era o da
vergonha de se separar – pra mim, não pra ele, mais prático e cético. Reatamos,
entre lágrimas e promessas, porque tudo naquele tempo era sobre a viagem, que
mudaria nossa vida e nos colocaria juntos para sempre. Não foi, não mudou e nos
afastou. E quando, por insistência, voltamos, deixou mágoas e feridas que nunca
cicatrizaram (pausa para dizer que eu, que nunca lidei bem com cicatrizes, tive
que aprender a conviver com uma ferida aberta, dolorida e num lugar
inconveniente: bem na auto estima). Desta vez, fomos mais longe, construímos
uma base, nos aproximamos, até tentamos dar ênfase na palavra família
aumentando-a com gato e cachorro. Mas vivíamos pisando em ovos, e de novo,
outra separação. Foi em doses pequenas, mas que se consolidou. Só que havia um
quê de não sei o que, não sei se amor, apego ou orgulho, que um não deixava o
outro ir. Foram “flashbacks” aqui e ali, por quase um ano, que trouxeram uma
grande perda – viu que estava se
metendo numa roubada e decidiu não ficar por aqui – e uma grande alegria: a
(denovoooo) reconciliação. Que aconteceu porque eu, um dia, vi que não sabia
lidar com este lance de ficar, de dividir e muito menos de não se comprometer. O
nome desta relação sempre foi meio estranho... “namoro meu ex-marido”. “Namorido”.
Cada um na sua casa, e eu defendia a ideia de que estávamos amadurecendo a
relação. Não, não estávamos. Porque é muito fácil namorar com quem você tem que
trabalhar a convivência. Apertou, vai pra sua casa que não quero te ver. E isso
foi ficando cada vez mais comum, dormir separados, viver separados num
casamento só de papel. A aposta feita, em 5 meses saiu o resultado: exatamente
no dia que completaríamos 3 anos da relação mais complicada, tudo acabou. De
novo, ele desistiu, como sempre fez quando ficava muito difícil. E desta vez,
eu não lutei, não discuti, não procurei respostas, não joguei nada na cara.
Simplesmente absorvi, cansada, saturada. E o absolvi. Acho que finalmente ficou
claro que algumas relações somam, outras empatam. E me despi do meu orgulho de
manter uma relação de eternos zero a zero. Aliás, diferente das outras
separações, onde muitos sabem o quanto sofri e chorei (gente é inacreditável o
quanto eu chorei), hoje eu estou com um sentimento indescritível de conclusão. Fui
a típica escorpiana teimosa, ele o típico ariano alheio. Eu fiz muito mais do
que podia, me doei, me entreguei a um amor que nem consigo ainda saber se
existiu – deixo esta resposta pro tempo me dar daqui uns 30 anos. Ele nadou com
a maré, ditando sua inércia e eu me aconcheguei nisso, mesmo internamente
desconfortável. Não era pra ser, não mesmo, contrariando o que eu tinha escrito
dois dias antes do fim. E assim, por ora, o sonho de casar bonito tomou outra
forma.
Nem tudo é sonho, nem tudo é realidade, nem tudo sou eu ou o que quero ser. São palavras jogadas, de tempos em tempos, expelidas, desabafos, desânimos, ânimos. Enfim, devaneios...
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segunda-feira, 26 de outubro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
As mulheres da geração Y
Muito se fala dos jovens dessa tal geração Y. Aliás, muito de fala da diferenciação das gerações - pós-guerra (gosto tanto dos baby-boomers, estes sim têm história pra contar), revolução sexual, era da tecnologia. Eu, pessoalmente, me defino como da geração XYZ. A geração que não sabe o que é nem o que quer.
E consegui finalmente me definir, sem medo, numa conversa de portão, literalmente num portão, quando tentava consolar uma amiga, que se cobrava por não ter feito nada da vida no auge dos seus trinta e tão poucos anos. Ela não viajou o mundo, não comprou apartamento, não é vice-presidente da empresa, não casou e não tem filhos. Ela tinha que ter todos estes itens feitos até os trinta, mas não tinha nenhum.
Assim como todas as minhas outras amigas. TODAS. Pra bem dizer a verdade poucas delas cumpriram ou um ou outro item. E por que não todos? Falta de planejamento? Não, não, falta de vida mesmo.
Porque somos de uma geração "gap" de prioridades. Criadas por mãe exemplares, muitas vezes em jornada dupla, que nos criaram para ser livres, independentes e decididas. Porém nos deram bases tradicionais familiares: casamento, filhos, família, domingo de folga, férias em Ubatuba. Numa sociedade onde homem e mulher já tem praticamente o mesmo espaço no mercado de trabalho (a não ser que você amiga queira ser astronauta ou funileira) as mulheres muitas vezes focam a carreira. Carreira esta onde, para se diferenciar, ter idiomas e vivência no exterior faz toda a diferença, além de formação e pós-graduação. E mestrado.
Ou seja, pra fechar esta conta de em 10 anos surpreender a sociedade com todo este currículo acima e ainda ter 2 ou 3 filhos, metaanfetamina. Porque tem Cristo que consiga conciliar tanta geração em uma só mulher?
"Mãe, eu sou uma só", você dizia já na adolescência quando tinha que estudar e arrumar o quarto.
Quando eu me defini, desacelerei. Filhos vêm quando têm que vir. Carreira decola quando fazemos o que realmente amamos. As viagens acontecem quando nos abrimos para a vida. Tudo na sua hora, no seu tempo. Seu cobranças, sem timing - não, você não perdeu seu timing - e principalmente, sem pressão. Não é porque o número é "30 e" que a vida está perdida.
Ela está só começando pra quem é como eu, uma XYZ. E para as minhas amigas. TODAS.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Curriculum
Acho que o currículo tinha que ser em formato carta. Carta
aberta, desabafo, lista de desejos. A entrevista tinha que ser entre amigos de
longa data, um papo sincero, uma troca de experiências. Algo como um “vai
jantar lá em casa” e “toma aqui uma cerveja, cara”. Uma seleção criteriosa não
tem que se basear no que a pessoa fez por uma empresa, mas o que ela faz por
ela mesma. Como ela cuida da vida, da família, do gato, do cachorro. Como ela
sonha e o que ela faz pra atingir o que quer. Porque o que mais fazemos no
trabalho senão cuidar? Cuidar dos bens, do departamento, da imagem da empresa. Da
limpeza do vidro, à logomarca, ao ativo fixo, ao papel no banheiro, à saúde
financeira... Cuidamos de um bem que, quando nos envolvemos, se torna nosso.
Acho que meu passado conta muito menos sobre mim do que
minha pretensão de futuro. Meu extenso histórico profissional é limitado se
comparado ao que quero fazer, ou ao que eu realmente posso – ou poderia – ter feito. Minhas
habilidades vão muito além do que eu mesmo posso imaginar se desafiada. E se
aceitar o desafio com o coração.
Acho que um aspirante a funcionário claro que precisa de
formação, de conhecimento, idiomas, experiência. O mais experiente não
necessariamente é o mais zeloso. O candidato que pula “de galho em galho” não
necessariamente é instável. Ao meu redor tenho todos estes, o que procura se
envolver, se doar, entender o negócio da empresa e trabalhar por ele. E tem
aquele ali, naquele canto, que só quer saber do dia do pagode (com letra minúscula pra
ninguém confundir).
Mas acho mesmo que eu morro de medo de ser aquele ali.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Fora da caixa
Hoje, no facebook da vida, li um post de uma pessoa que não conheço, lá de Perth, mas que me tirou um sorriso do rosto, fazendo a fumacinha preta que anda por cima de mim se dissipar um pouco:
"Desde pequenos, escutamos que devíamos estudar, tirarmos boas notas para arrumarmos um bom emprego e passarmos toda a vida pagando uma casa própria que compramos financiada em 30 anos por um banco do governo, onde viveríamos pelo resto da vida. Pra vencermos em várias áreas da vida, quase sempre precisaremos DESAPRENDER muito do que fomos doutrinados ao longo da vida e nos atrevermos a mantermos a esperança em meio ao caos e a disposição de colocarmos os nossos em prática em meio a descrença difundida por todas as partes.
Pense fora da caixa!!!"
E é isso! Logo que voltei uma tia minha, muito simpática e quase nada intrometida (atire a primeira pedra quem não tem uma) me perguntou o que eu faria da vida agora. Minha resposta: não sei, viver. Ela continou: Viver com o que? Acho que está na hora de você construir alguma coisa, você não tem nada!
O conceito dela de TER é isso aí: uma casa "própria-financiada", um carro na garagem e um emprego vitalício.
O meu conceito de TER é VIVER. Daí eu não preciso de nada que me prenda neste conceito tostines da vida, num movimento cíclico de compra e venda de casa e carro, um escritório, uma sala fechada, um salário todo para a poupança.
Não, não tenho muito do concreto, não mais do que o suficiente. Faço o que gosto, meu trabalho me enche de orgulho. Tanto ogulho que me fez falta. Construo meu mundo tijolo a tijolo, e muitas vezes derrubo a parede toda porque mudo de ideia. E quando olho o vazio na minha frente viajo no meu mundo, visitando continentes de possibilidades. Conheço diversas casas e paredes concretas no mundo, mas ainda tenho muito a viver, conhecer, viajar. Meu mundo não é seu horizonte, que vai até o limite da parede do fundo da casa, do quarteirão, do bairro movimentado. Meu mundo viaja de avião, fala idiomas que não entendo, tem faces, é desconhecido e me enche de medo!
Meu mundo tinha um porto seguro, era isso que me fazia voltar todas as vezes. E este está em fase de contrução. Reconstrução. Transformação.
Porque eu saí da caixa anos atrás, e nunca mais vou me encaixar dentro dela.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
O dia
Chegou o dia que eu tanto esperei na vida! Aquele dia que eu olharia para trás e sentisse nenhum sentimento de raiva ou rancor, nenhuma mágoa ou tristeza... nem aquele vazio que eu temia.
Na realidade acho que este dia já tinha chegado, eu que nunca havia parado pra pensar, pra olhar a data, para realizar a conquista. Porque sim, foi uma conquista.
Foram muros derrubados, foram armas abaixadas, foi uma risada gostosa e tão alta que foi escutada do outro lado do mundo.
Uma sensação gostosa, de vida vivida, de que a história pode ser boa, só depende do ponto de vista - e de quem conta. Uma imagem na cabeça, não mais aquela imagem do passado, que tinha dado rosto a um sentimento, nem aquela imagem de uma história que eu só tinha pra mim. A imagem da amizade, da força... em segundos eu vivi anos de lembranças, de momentos, de uma vida a la Juscelino Kubitschek, já parafraseando a tal amizade.
Nada além de um sorriso tão largo que dói meu maxilar.
E eu que nos meus momentos de energia negativa achava que não havia conquistado nada! Conquistei sim senhora.
Deixei pra trás tanta coisa... porque percebi o quanto estava, despropositadamente, deixando pra trás.
Ainda sorrindo, volto a viver a vida como eu nunca tinha desenhado. E como, há tempos, eu parei de desenhar.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Entre-carnavais
A vida e sua caixinha de surpresas.
Vê-se que quando me calo, estou fazendo algo absolutamente inadiável: vivendo a realidade. E esta realidade surpreende a cada dia.
Mas às vezes me vem o ímpeto de escrever. E eu nem sei por onde começar...
Tenho medo da minha boca. E da velocidade da mudança do curso da minha vida.
Ano passado eu disse, com veemência, que passaria o carnaval de 2012 em Salvador. Porque aquele seria meu último carnaval solteira e eu queria fechar esta fase com chave de ouro. Aliás, eu sequer namorava, tinha apenas uma cisma que hoje eu já nem sei explicar o que era (ah o tempo).
O carnaval veio, passou - como um trio elétrico por cima de mim - e a vida seguiu seu curso. Nada em vista, e de repente, sem esperar nem planejar, o amor chegou. Durante meses eu continuei com os planos do próximo carnaval, mas ele, o amor, mudou tudo...
Quando eu disse que era o último carnaval solteira, nunca imaginei que no próximo eu estaria casada. Muito menos sem carnaval, longe do carnaval. Mas nunca se sabe. Até lá, o curso da vida pode mudar radicalmente. de novo.
Até porque há quem lembre bem meu comentário de carnaval, com 3 copos de uísque na mão e um salto abandonado, num fim de noite no camarote em Salvador...Nunca se sabe!
sexta-feira, 2 de março de 2012
Falemos da chuva
As águas de março... sábia Elis que gostava da chuva.
É sabido que eu adoro a chuva. O cheiro da chuva, a cor do
céu, o peso das nuvens, o barulho torrencial. Gosto de assistir o baile das
gotas nas poças, as bolinhas que estouram, a cadência que o vento embala. Chuva é poética. Chuva
embala os pensamentos, leva pra longe.
Hoje eu assisto a chuva de camarote, de maneira clássica,
com uma caneca de café gostoso e fresquinho, recostada na janela da minha sala.
Sem intervenções, sem reuniões, sem problemas pessoais ou de trabalho. Vejo um
pedacinho do céu que mostra o azul do calor do dia. Vejo o termômetro da rua
com a temperatura caindo, grau a grau, o clima refrescando. O sol saindo entre
algumas nuvens douradas e outras pretinhas, pretinhas. Ainda é verão!
Mesmo com o sol, a chuva cai há cerca de 30 minutos. Não tão
forte quanto eu gosto, forte a ponto de me parafrasear com “a água que corria
na rua quase levava as sapatilhas dos meus pés, e aquela sensação tomou meu
corpo”. Está tranquila, discreta, querendo dizer: vim para confortar.
Confortar o calor do termômetro.
Confortar o calor do meu coração.
Confortar o turbilhão dos meus pensamentos.
A chuva sabe que, com ela, ela traz uma mensagem. E ela diz,
na cadência das bolinhas que estouram no chão, que assim como o temporal passa,
suas águas fecham não só uma estação, mas um ciclo.
E eu suspiro e me recosto novamente, esperando o sol brilhar mais forte.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Por dias de inferno
Não, não é o inferno. Porque no inferno há pecado.
No inferno, há o desejo, a volúpia, o dissabor do promíscuo.
No inferno, o calor do fogo, o vermelho da paixão, a obscuridade de pensamentos mais íntimos.
No inferno, a luta, a condescendência, a renúncia, o desespero e a enfim entrega.
No inferno, lá embaixo, aqui ao lado, ou onde quer que seja.
No inferno, astral, real, virtual, surreal. Inferno, errado, julgado, condenado.
Não, não é o inferno. Porque é paraíso; anjos, em azul, nas nuvens, por arpas e com pureza.
No inferno, há o desejo, a volúpia, o dissabor do promíscuo.
No inferno, o calor do fogo, o vermelho da paixão, a obscuridade de pensamentos mais íntimos.
No inferno, a luta, a condescendência, a renúncia, o desespero e a enfim entrega.
No inferno, lá embaixo, aqui ao lado, ou onde quer que seja.
No inferno, astral, real, virtual, surreal. Inferno, errado, julgado, condenado.
Não, não é o inferno. Porque é paraíso; anjos, em azul, nas nuvens, por arpas e com pureza.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Menos que mil palavras
Uma imagem. E só.
É o que eu tenho, e é nisso que me apeguei. E com tanta força que não consigo mais desvincular o meu eu e o meu querer desta imagem. Que aliás não é uma imagem, é uma ideia, um padrão, um conceito de vida que eu tomei por correto há algum tempo. E que outrora já me derrubou. Foram anos sustentando uma ideia, procurando alguém que não existia em outro alguém que não era o mesmo. Uma confusão de eus, tus e eles que só a mim machucava.
Eu me apaixono por ideias, por ideais. Me apaixono por palavras ditas em diálogos feitos na minha cabeça, durante minhas corridas semanais. Me apaixono por olhares dados em nanossegundos que não são direcionados à mim, mas à personagem que eu carrego. Me apaixono pelo protagonista de uma história que eu invento durante o banho, no momento mais criativo do meu dia.
E essa paixão se fortalece alimentando-se dos meus sonhos e se aloja no lado criativo do meu cérebro, montando de acordo com as informações que precisa aquilo que eu julgo perfeito. A paixão só não foi capaz de definir a forma, o modelo e o porte de toda esta idealização. Jogou em mim esta responsabilidade, eu que mal sabia o que fazia quando coloquei uma cor, um rosto e uma forma nisso tudo. Juntei informações distintas e coloquei na mesma receita: um rosto, um sentimento, um ideal de beleza, de vida. Coloquei algumas pitadas de piadas internas, um cheiro bom e voilá! Meu veneno estava pronto.
Bebi acompanhado de uma boa dose de tequila para sustentar aquela personagem.
E a imagem... alterna entre vívida e esparsa, vem e vai em sonhos se tornando cada vez mais amena e carregando cada vez menos significados.
Talvez seja apenas o efeito da tequila, talvez seja a dose diária de realidade...
Talvez isso passe.
É o que eu tenho, e é nisso que me apeguei. E com tanta força que não consigo mais desvincular o meu eu e o meu querer desta imagem. Que aliás não é uma imagem, é uma ideia, um padrão, um conceito de vida que eu tomei por correto há algum tempo. E que outrora já me derrubou. Foram anos sustentando uma ideia, procurando alguém que não existia em outro alguém que não era o mesmo. Uma confusão de eus, tus e eles que só a mim machucava.
Eu me apaixono por ideias, por ideais. Me apaixono por palavras ditas em diálogos feitos na minha cabeça, durante minhas corridas semanais. Me apaixono por olhares dados em nanossegundos que não são direcionados à mim, mas à personagem que eu carrego. Me apaixono pelo protagonista de uma história que eu invento durante o banho, no momento mais criativo do meu dia.
E essa paixão se fortalece alimentando-se dos meus sonhos e se aloja no lado criativo do meu cérebro, montando de acordo com as informações que precisa aquilo que eu julgo perfeito. A paixão só não foi capaz de definir a forma, o modelo e o porte de toda esta idealização. Jogou em mim esta responsabilidade, eu que mal sabia o que fazia quando coloquei uma cor, um rosto e uma forma nisso tudo. Juntei informações distintas e coloquei na mesma receita: um rosto, um sentimento, um ideal de beleza, de vida. Coloquei algumas pitadas de piadas internas, um cheiro bom e voilá! Meu veneno estava pronto.
Bebi acompanhado de uma boa dose de tequila para sustentar aquela personagem.
E a imagem... alterna entre vívida e esparsa, vem e vai em sonhos se tornando cada vez mais amena e carregando cada vez menos significados.
Talvez seja apenas o efeito da tequila, talvez seja a dose diária de realidade...
Talvez isso passe.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Cartas na mesa
Eu cismei que queria aprender pôquer. E numa viagem, que por definição quanto mais pessoas numa mesma viagem, maior a probabilidade de chuva, aprendi todas as regras.
Mas nunca soube jogar.
Sei as regras, mas descobri que só isso não basta. Tem que saber blefar. Saber apostar. Saber arriscar.
Mas alguém sabe perder? Sabe me ensinar a perder? Porque se eu não souber como vai ser quando perder, como terei coragem de arriscar? Como colocarei todas as cartas na mesa se eu não souber o que acontece quando eu tiver que deixar a mesa?
Como eu vou me sentir? Me olharão? Sentirão pena, desprezo ou é tudo mesmo só um jogo, e em breve eu estarei sobre o veludo verde novamente?
Acho que é por isso que eu tenho tanto medo de arriscar e jogar. Medo de não saber viver nas regras do pôquer. Medo pela quantidade de interrogações que eu coloco antes mesmo de as cartas serem distribuídas.
E pelo simples medo de perder com as cartas boas que tenho em mãos, me calo com um par de ases.
Mas nunca soube jogar.
Sei as regras, mas descobri que só isso não basta. Tem que saber blefar. Saber apostar. Saber arriscar.
Mas alguém sabe perder? Sabe me ensinar a perder? Porque se eu não souber como vai ser quando perder, como terei coragem de arriscar? Como colocarei todas as cartas na mesa se eu não souber o que acontece quando eu tiver que deixar a mesa?
Como eu vou me sentir? Me olharão? Sentirão pena, desprezo ou é tudo mesmo só um jogo, e em breve eu estarei sobre o veludo verde novamente?
Acho que é por isso que eu tenho tanto medo de arriscar e jogar. Medo de não saber viver nas regras do pôquer. Medo pela quantidade de interrogações que eu coloco antes mesmo de as cartas serem distribuídas.
E pelo simples medo de perder com as cartas boas que tenho em mãos, me calo com um par de ases.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Ocitocina, sua linda!
Pra matar a saudade de me sentir assim, vívida, feliz. Com aquele aperto no peito inexplicável, suspiros insensatos, um rosto que persiste no pensamento, não importa onde ele esteja. Um rosto no inconsciente, o sonhar, o divagar... de quantos filhos, onde morar, que cor pintar o quarto, que carro teremos para carregar toda a família para a casa no interior no fim-de-semana, colher frutos no pé-de-amora. A cor favorita, a letra de mão, a cor dos olhos, dos cabelos, as pintas pelo corpo, medir mãos, tocar a ponta do nariz, afagar os cabelos, auto-retratos...
Ah o corpo humano e sua sabedoria infinita de até mesmo saber nos fazer apaixonar, como, onde e por quem.
Porque é ela que faz tudo isso acontecer. É a ocitocina que decide, por cálculos e recálculos inconscientes, que é com este ou aquele macho-alfa que a mulher quer procriar. Por isso, o corpo libera uma dose de paixão no cérebro. Dose essa que é revigorada, por manutenção, a cada vez que cada um desses momentos volta à lembrança. Portanto, para o corpo humano, lembrar é amar.
Amor este quase que exclusivo das mulheres. Porque a ocitocina foi feita para criar o laço materno, no amamentar, no parir, no conceber. Sim, é a dose cavalar de ocitocina liberada no orgasmo que faz o útero se empenhar para o conceber. Por isso, entre erros e acertos, podemos dizer até que não existe sexo casual para a mulher: a cada orgasmo, uma dose de paixão/ocitocina é liberada. Se olhar nos olhos de uma mulher durante um orgasmo, irá ver o amor florescer em seu corpo, a cada vibração, a cada arrepio e toque. E é pela ocitocina também que mulheres amam chocolate sobre todas as coisas. Chocolates e feromônios, todos no mesmo patamar.
É.. o corpo e suas peripécias para o amor.
Nada como uma nova dose de ocitocina para girar a roda da vida.
Ah o corpo humano e sua sabedoria infinita de até mesmo saber nos fazer apaixonar, como, onde e por quem.
Porque é ela que faz tudo isso acontecer. É a ocitocina que decide, por cálculos e recálculos inconscientes, que é com este ou aquele macho-alfa que a mulher quer procriar. Por isso, o corpo libera uma dose de paixão no cérebro. Dose essa que é revigorada, por manutenção, a cada vez que cada um desses momentos volta à lembrança. Portanto, para o corpo humano, lembrar é amar.
Amor este quase que exclusivo das mulheres. Porque a ocitocina foi feita para criar o laço materno, no amamentar, no parir, no conceber. Sim, é a dose cavalar de ocitocina liberada no orgasmo que faz o útero se empenhar para o conceber. Por isso, entre erros e acertos, podemos dizer até que não existe sexo casual para a mulher: a cada orgasmo, uma dose de paixão/ocitocina é liberada. Se olhar nos olhos de uma mulher durante um orgasmo, irá ver o amor florescer em seu corpo, a cada vibração, a cada arrepio e toque. E é pela ocitocina também que mulheres amam chocolate sobre todas as coisas. Chocolates e feromônios, todos no mesmo patamar.
É.. o corpo e suas peripécias para o amor.
Nada como uma nova dose de ocitocina para girar a roda da vida.
terça-feira, 5 de abril de 2011
A Carta
"Eu voltei. Consegui sair da armadilha onde fui aprisionada. Há algum tempo você me pediu ajuda, me pediu conselhos, e não seguiu. Se machucou, chorou, se iludiu, se enganou... e um tempo depois me fez certa, admitiu que fez a escolha errada, que seguiu o caminho mais longo e com mais obstáculos. E me disse que jamais me abandonaria. Fez juras de fidelidade, espalhou aos quatro ventos que era diferente e que não se deixaria mais enganar.
Eu, racional, duvidei mas fiquei como você sempre gostou: calada. Eu sabia que, no fundo, você não falara a verdade.
Mas você foi faceira, menina! Me manteve por perto, seguiu alguns conselhos, agiu até corretamente em tantas das suas peripécias. Eu poderia jurar que você havia tomado juízo. Eu mal conseguia crer que você se afastou de perigos, evitou confrontos, alinhou expectativas com a realidade. Eu vi quando você viu sua relação de maneira racional, me enchi de orgulho ao te ver se colocando de maneira clara. Vi quando você se focou naquilo que queria, vi também quando alguns tentaram tirar proveito da sua inocência e você foi forte e segura. Vi ainda quando você, ao achar que tinha se apaixonado, agiu e mesmo com a negativa da reciprocidade, sequer se abalou. Eu até achei que tinha te feito perder a capacidade de chorar. Ou de amar.
E foi então que eu me enfraqueci perante este medo. Não é do meu feitio tornar as pessoas duras e frias. O que eu quero é que tudo se equilibre, só isso. Ao ver meu recuo, ela veio sorrateira e te tomou de minhas rédeas. Se apossou , e eu jamais esperaria de você - justo de você - ações tão premeditadas, atitudes tão adolescentes, tanta inconsequência. Te vi perdendo por completo o senso de realidade, e por ventura perdendo sua autoestima. Eu me fiz em rostos conhecidos para tentar ainda te acompanhar, mas ela foi mais intensa. Pudera, ela é sempre intensa, e te cegou. Te colocou em momentos, situações, sonhos. Te fez dormir e sonhar, te fez viver neste sonho. E enquanto também te aprisionava, me colocou fora da sua rotina, da sua vida. Me prendeu no limbo, em algum lugar entre a realidade e o impossível, onde eu não me situava.
Foi difícil voltar. Mas mais difícil foi ouvir de você mesma que o que você fazia era o correto, o que te faria feliz. Por vezes – inúmeras – clareei sua mente, alinhei seus pensamentos, confrontei-te. Mas vc estava forte, me vencia. Foi quando eu vi que um golpe não a derrubaria, que você se levantaria mesmo que cega. Então, mudei minha tática. Deixei você ir até onde quis, fiz você sentir minha falta, fiz você, emocional, pedir por mim. Agi como uma mãe ao ensinar seu filho. Doeu em mim te ver sofrendo, mas eu sabia que seria a única maneira de te proteger da vida.
E então, pude voltar livre, e agora estou ao seu lado. Já consegui abrir seus olhos, você já pediu para ouvir a verdade – que não é nem de longe aquela que você descreve. Estou ensaiando as palavras da verdade, porque não quero te perder de novo, e nem quero te tomar por completo.
Você, finalmente, se livrou das amarras da emoção.
Que emoção!
Eu, racional, duvidei mas fiquei como você sempre gostou: calada. Eu sabia que, no fundo, você não falara a verdade.
Mas você foi faceira, menina! Me manteve por perto, seguiu alguns conselhos, agiu até corretamente em tantas das suas peripécias. Eu poderia jurar que você havia tomado juízo. Eu mal conseguia crer que você se afastou de perigos, evitou confrontos, alinhou expectativas com a realidade. Eu vi quando você viu sua relação de maneira racional, me enchi de orgulho ao te ver se colocando de maneira clara. Vi quando você se focou naquilo que queria, vi também quando alguns tentaram tirar proveito da sua inocência e você foi forte e segura. Vi ainda quando você, ao achar que tinha se apaixonado, agiu e mesmo com a negativa da reciprocidade, sequer se abalou. Eu até achei que tinha te feito perder a capacidade de chorar. Ou de amar.
E foi então que eu me enfraqueci perante este medo. Não é do meu feitio tornar as pessoas duras e frias. O que eu quero é que tudo se equilibre, só isso. Ao ver meu recuo, ela veio sorrateira e te tomou de minhas rédeas. Se apossou , e eu jamais esperaria de você - justo de você - ações tão premeditadas, atitudes tão adolescentes, tanta inconsequência. Te vi perdendo por completo o senso de realidade, e por ventura perdendo sua autoestima. Eu me fiz em rostos conhecidos para tentar ainda te acompanhar, mas ela foi mais intensa. Pudera, ela é sempre intensa, e te cegou. Te colocou em momentos, situações, sonhos. Te fez dormir e sonhar, te fez viver neste sonho. E enquanto também te aprisionava, me colocou fora da sua rotina, da sua vida. Me prendeu no limbo, em algum lugar entre a realidade e o impossível, onde eu não me situava.
Foi difícil voltar. Mas mais difícil foi ouvir de você mesma que o que você fazia era o correto, o que te faria feliz. Por vezes – inúmeras – clareei sua mente, alinhei seus pensamentos, confrontei-te. Mas vc estava forte, me vencia. Foi quando eu vi que um golpe não a derrubaria, que você se levantaria mesmo que cega. Então, mudei minha tática. Deixei você ir até onde quis, fiz você sentir minha falta, fiz você, emocional, pedir por mim. Agi como uma mãe ao ensinar seu filho. Doeu em mim te ver sofrendo, mas eu sabia que seria a única maneira de te proteger da vida.
E então, pude voltar livre, e agora estou ao seu lado. Já consegui abrir seus olhos, você já pediu para ouvir a verdade – que não é nem de longe aquela que você descreve. Estou ensaiando as palavras da verdade, porque não quero te perder de novo, e nem quero te tomar por completo.
Você, finalmente, se livrou das amarras da emoção.
Que emoção!
Ass.: Eu, sua Razão."
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Só os olhos não mentem
Todo mundo quando era pequeno ouviu a história do garotinho que mentia muito, um dia estava correndo perigo mas ninguém acreditou que fosse verdade. Todo mundo leu, assistiu e ouviu as histórias - em suas tantas versões – de Pinóquio, e de fato tinha medo do nariz crescer. E todo mundo uma dia acreditou na velha história da manga com leite, ou do banho depois do almoço - embora nunca ninguém tenha ouvido falar de alguém que teve um piripaque num churrasco de sitio... É, uma famosa “mentira branca”, que de tão propagada virou até lenda urbana.
Eu defendo a verdade, sempre. Mas isso é puritanismo, eu admito. Mas defendo mais ainda que me falem a verdade.
Eu sei, às vezes as pessoas mentem por tentar proteger, ou por medo de magoar. Ou por pura covardia de falar a verdade. Sim, eu também sei que a verdade dói, mas descobrir mentiras destrói. Quando sabemos a verdade, nua e crua, a dor é lancinante, mas é afagada pelo alívio, tira a pressão, mostra o caminho a se seguir. Descobrir depois de tempos algo que te iludiu é como perder parte da sua própria essência, da sua história. É como ganhar uma cicatriz feia do dia para a noite.
Aos defensores do omitir não é mentir, ganham aqui uma parceira. Mas omitir não é enganar. É deixar pequenas pistas de uma verdade, por meio do silêncio. Enrolar alguém não é omissão, é falta de comprometimento. Ignorar uma ligação, uma mensagem, um apelo, é mostrar sua face para o leviano. Que a omissão venha sempre acompanhada do caráter. Se há algo maior em jogo, que seja dito, escrito ou no mínimo sutilmente revelado.
Hoje é dia da mentira. O único dia que eu taparia meus ouvidos para a verdade. O dia que eu não ligaria de ouvir falsos elogios, histórias incríveis nunca vividas ou declarações de amor descabidas. Porque eu viveria apenas o hoje. Eu acreditaria no “eu te amo”, porque eu sei que, por mais que alguns possam mentir dissimuladamente, é difícil encontrar aquele que saiba mentir com o olhar.
Que todo dia seja 1º de abril.
Que todo “eu te amo” seja dito com o olhar.
Que eu engane pelo menos 3 pessoas hoje e meu desejo se torne concreto e humano.
Eu defendo a verdade, sempre. Mas isso é puritanismo, eu admito. Mas defendo mais ainda que me falem a verdade.
Eu sei, às vezes as pessoas mentem por tentar proteger, ou por medo de magoar. Ou por pura covardia de falar a verdade. Sim, eu também sei que a verdade dói, mas descobrir mentiras destrói. Quando sabemos a verdade, nua e crua, a dor é lancinante, mas é afagada pelo alívio, tira a pressão, mostra o caminho a se seguir. Descobrir depois de tempos algo que te iludiu é como perder parte da sua própria essência, da sua história. É como ganhar uma cicatriz feia do dia para a noite.
Aos defensores do omitir não é mentir, ganham aqui uma parceira. Mas omitir não é enganar. É deixar pequenas pistas de uma verdade, por meio do silêncio. Enrolar alguém não é omissão, é falta de comprometimento. Ignorar uma ligação, uma mensagem, um apelo, é mostrar sua face para o leviano. Que a omissão venha sempre acompanhada do caráter. Se há algo maior em jogo, que seja dito, escrito ou no mínimo sutilmente revelado.
Hoje é dia da mentira. O único dia que eu taparia meus ouvidos para a verdade. O dia que eu não ligaria de ouvir falsos elogios, histórias incríveis nunca vividas ou declarações de amor descabidas. Porque eu viveria apenas o hoje. Eu acreditaria no “eu te amo”, porque eu sei que, por mais que alguns possam mentir dissimuladamente, é difícil encontrar aquele que saiba mentir com o olhar.
Que todo dia seja 1º de abril.
Que todo “eu te amo” seja dito com o olhar.
Que eu engane pelo menos 3 pessoas hoje e meu desejo se torne concreto e humano.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Se vai chover então deixa molhar!
Eu, que sou uma garota tão pensativa, perdida em sonhos e ilusões, sempre devaneando no mesmo tema, “over and over”... hoje resolvi escrever sobre a chuva. E que chuva! Hoje a cidade amanheceu caótica. Eu, num bom humor irritante aos olhos daqueles engarrafados e atrasados.
Na realidade, ultimamente eu tenho gostado muito de chuva. Descobri um poder de renovação incrível na água que cai do céu. A cidade inteira discorda, por razões óbvias, por ser Janeiro, por ser de concreto, por ser de manhã, por ser no fim do dia. Mas eu tenho me descoberto mais e mais a cada tempestade.
Semana passada, numa dessas tempestades de fim-de-tarde, eu me peguei dentro do carro, a ponto de querer abrir o vidro e colocar a cabeça pra fora! Meu coração estava apertado, uma sensação terrível, me sentindo presa em mim mesmo, querendo gritar, chorar (eu raramente choro por motivos amorosos. Propaganda de margarina não faz parte deste conceito) ou fazer qualquer coisa que tirasse aquele sentimento de dentro de mim. Sair do carro estava fora de cogitação por questões de leis de trânsito e segurança pública. Então minha solução foi entoar canções românticas dentro do carro mesmo, com tal força que os vidros tremiam. Nada, o aperto persistiu. Ao chegar em casa e ver minha garagem ocupada, me enchi de razão, parei o carro do outro lado da rua e atravessei até minha casa como se nada estivesse acontecendo. A água que corria na rua quase levava as sapatilhas dos meus pés, e aquela sensação tomou meu corpo. Não entrei em casa, apenas joguei a bolsa e "fui passear". Sim, na chuva, ou melhor, embaixo de um temporal, entre raios e trovões... e a água que caía me lavava, lavava minha alma e limpava meus pensamentos.
Em casa, banho tomado, fui dormir leve. Já a cidade... pontos de alagamentos, árvores caídas, quedas de energia. O que era bom pra mim prejudicava São Paulo.
Alguns dias depois, em outra rotina de exorcismo de monstros internos, a corrida no parque me fazia mais leve em vários sentidos. Sem sol mas num dia típico e abafado de verão, o suor que quase me fazia desmanchar em sais minerais foi diluído por gotas gigantes de chuva no meio da tarde... a corrida tomou um novo fôlego e correr na chuva me fez lembrar a primeira vez que corri, ainda do outro lado do oceano. Era outra situação de aperto, bem diferente, onde aquilo que o choro não foi capaz de fazer, a combinação corrida + chuva foi o elixir da vida para que eu continuasse minha trajetória com sanidade. Lembrei do frio de uma primavera cinza, da touca, da grama, da paisagem, das músicas. Lembrei de quantas vezes em vão eu tentei correr por mais de um minuto, e que naquele momento quanto mais rápido eu corria, mais em êxtase eu me sentia. Claro que ninguém andou no dia seguinte... mas passados quase dois anos, lá estava eu, em outro momento, outros pensamentos, e a mesma sensação. Ah a chuva e sua capacidade de me transportar no tempo.
A cidade... reclamava da chuva que estragava o final de semana de tantos. A mesma chuva que eu levei pra praia horas depois, muvucando os convidados de um churrasco para baixo de um toldo apertado.
Hoje, enquanto tantos passaram a noite em claro no meio de alagamentos e das consequências trazidas pela chuva noturna, eu me fiz de bom humor. Eu sabia que levaria horas no caminho até o trabalho, sabia que as pessoas estariam irritadas, sabia que minha reunião atrasaria. Mas eu ativei o modo sorriso no rosto, entrei no carro e enfrentei a fúria da cidade contra aquela que hoje eu defendo com unhas e dentes. São Paulo pode ter perdido - por tempo indeterminado - sua batalha contra a natureza, com as enchentes, deslizamentos, acidentes, árvores, poluição... mas o que seria da vida sem a renovação que a chuva traz?
Se eu quero enumerar quantos beijos apaixonados, quantas danças e quantas brincadeiras de criança eu já vi/fiz na chuva? Não! Se eu quero entrar em questões governamentais, encontrar um culpado, acusar órgãos ou pessoas pelo lixo e pelo caos? Não! Quero apenas fazer minha parte no mundo, na vida. Quero construir o meu sem destruir o dos outros e, enquanto isso, poder tomar tranquilamente meu banho de chuva.
Ah tomar um banho de chuva! Um banho de chuva!
Na realidade, ultimamente eu tenho gostado muito de chuva. Descobri um poder de renovação incrível na água que cai do céu. A cidade inteira discorda, por razões óbvias, por ser Janeiro, por ser de concreto, por ser de manhã, por ser no fim do dia. Mas eu tenho me descoberto mais e mais a cada tempestade.
Semana passada, numa dessas tempestades de fim-de-tarde, eu me peguei dentro do carro, a ponto de querer abrir o vidro e colocar a cabeça pra fora! Meu coração estava apertado, uma sensação terrível, me sentindo presa em mim mesmo, querendo gritar, chorar (eu raramente choro por motivos amorosos. Propaganda de margarina não faz parte deste conceito) ou fazer qualquer coisa que tirasse aquele sentimento de dentro de mim. Sair do carro estava fora de cogitação por questões de leis de trânsito e segurança pública. Então minha solução foi entoar canções românticas dentro do carro mesmo, com tal força que os vidros tremiam. Nada, o aperto persistiu. Ao chegar em casa e ver minha garagem ocupada, me enchi de razão, parei o carro do outro lado da rua e atravessei até minha casa como se nada estivesse acontecendo. A água que corria na rua quase levava as sapatilhas dos meus pés, e aquela sensação tomou meu corpo. Não entrei em casa, apenas joguei a bolsa e "fui passear". Sim, na chuva, ou melhor, embaixo de um temporal, entre raios e trovões... e a água que caía me lavava, lavava minha alma e limpava meus pensamentos.
Em casa, banho tomado, fui dormir leve. Já a cidade... pontos de alagamentos, árvores caídas, quedas de energia. O que era bom pra mim prejudicava São Paulo.
Alguns dias depois, em outra rotina de exorcismo de monstros internos, a corrida no parque me fazia mais leve em vários sentidos. Sem sol mas num dia típico e abafado de verão, o suor que quase me fazia desmanchar em sais minerais foi diluído por gotas gigantes de chuva no meio da tarde... a corrida tomou um novo fôlego e correr na chuva me fez lembrar a primeira vez que corri, ainda do outro lado do oceano. Era outra situação de aperto, bem diferente, onde aquilo que o choro não foi capaz de fazer, a combinação corrida + chuva foi o elixir da vida para que eu continuasse minha trajetória com sanidade. Lembrei do frio de uma primavera cinza, da touca, da grama, da paisagem, das músicas. Lembrei de quantas vezes em vão eu tentei correr por mais de um minuto, e que naquele momento quanto mais rápido eu corria, mais em êxtase eu me sentia. Claro que ninguém andou no dia seguinte... mas passados quase dois anos, lá estava eu, em outro momento, outros pensamentos, e a mesma sensação. Ah a chuva e sua capacidade de me transportar no tempo.
A cidade... reclamava da chuva que estragava o final de semana de tantos. A mesma chuva que eu levei pra praia horas depois, muvucando os convidados de um churrasco para baixo de um toldo apertado.
Hoje, enquanto tantos passaram a noite em claro no meio de alagamentos e das consequências trazidas pela chuva noturna, eu me fiz de bom humor. Eu sabia que levaria horas no caminho até o trabalho, sabia que as pessoas estariam irritadas, sabia que minha reunião atrasaria. Mas eu ativei o modo sorriso no rosto, entrei no carro e enfrentei a fúria da cidade contra aquela que hoje eu defendo com unhas e dentes. São Paulo pode ter perdido - por tempo indeterminado - sua batalha contra a natureza, com as enchentes, deslizamentos, acidentes, árvores, poluição... mas o que seria da vida sem a renovação que a chuva traz?
Se eu quero enumerar quantos beijos apaixonados, quantas danças e quantas brincadeiras de criança eu já vi/fiz na chuva? Não! Se eu quero entrar em questões governamentais, encontrar um culpado, acusar órgãos ou pessoas pelo lixo e pelo caos? Não! Quero apenas fazer minha parte no mundo, na vida. Quero construir o meu sem destruir o dos outros e, enquanto isso, poder tomar tranquilamente meu banho de chuva.
Ah tomar um banho de chuva! Um banho de chuva!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Entre o caso e o acaso
Se a vida fosse baseada em teorias, não há discussão que seria mais fácil. E mais clara. Seria mais conciso viver no sim e não, sem o talvez. O tempo não passaria tão rápido se a gente não o utilizasse divagando e procurando significados nas entrelinhas.
Os matemáticos liderariam o mundo. Os pensadores fariam trabalho voluntário. Os administradores, vendedores, compradores... todos estariam em casa a tempo para o jantar. Os negociadores e advogados não existiriam. E eu... não teria um blog.
Odeio tentar decifrar coisas, pessoas e equações matemáticas. A teoria do acaso acabou com minha linha de raciocínio lógico...
Os matemáticos liderariam o mundo. Os pensadores fariam trabalho voluntário. Os administradores, vendedores, compradores... todos estariam em casa a tempo para o jantar. Os negociadores e advogados não existiriam. E eu... não teria um blog.
Odeio tentar decifrar coisas, pessoas e equações matemáticas. A teoria do acaso acabou com minha linha de raciocínio lógico...
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
As cores do mundo do meu quarto
Ontem eu ouvi: "inspira azul, expira vermelho". E parei pra pensar em cores... que preto emagrece, que o mundo é cor-de-rosa, que mentalizamos lilás, que o horizonte é azul, a paixão é vermelha e um sorriso pode ser amarelo.
Meu quarto é cor-de-rosa. Pra me lembrar que o mundo é a extensão do meu quarto. Meu quarto tem 30 porta-retratos dos meus melhores momentos. Pra me lembrar que o mundo me vê da maneira que eu me enxergo. Meu quarto não suporta estar bagunçado, jogo tudo dentro do armário. Isso mostra que minha aparência esconde a bagunça que existe dentro de mim.
Meu quarto é reflexo de mim, do meu comportamento, das minhas escolhas e do meu jeito de ser. Por consequência, o mundo é extensão de mim, do meu comportamento, das minhas escolhas e do meu jeito de ser. Mas isso... bom, isso não é só uma teoria e nem é desconhecido, muitos ditados já o dizem. "Fazer o bem para atrair o bem" ou "Pensamentos tomam forma" ou até mesmo "você é aquilo que você come" fazem jus à esta máxima. E há tempos eu insisto que meu mundo é cor-de-rosa.
E “as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam”, diria Cartola. Por isso, eu apenas vivo, deixo que minha cor, meu número, meu cheiro, me sigam. Deixo pensar que o mundo que me guia enquanto eu que guio o mundo. As rosas, o rosa, a rosa, sempre farão parte da minha vida, mas enquanto o mundo dá suas voltas e me mostra o caminho que eu já tracei, eu vou mentalizando lilás, me apaixonando vermelho, usando preto, viajando em busca do horizonte azul e afastando os sorrisos amarelos.
E você, qual é sua cor?
Meu quarto é cor-de-rosa. Pra me lembrar que o mundo é a extensão do meu quarto. Meu quarto tem 30 porta-retratos dos meus melhores momentos. Pra me lembrar que o mundo me vê da maneira que eu me enxergo. Meu quarto não suporta estar bagunçado, jogo tudo dentro do armário. Isso mostra que minha aparência esconde a bagunça que existe dentro de mim.
Meu quarto é reflexo de mim, do meu comportamento, das minhas escolhas e do meu jeito de ser. Por consequência, o mundo é extensão de mim, do meu comportamento, das minhas escolhas e do meu jeito de ser. Mas isso... bom, isso não é só uma teoria e nem é desconhecido, muitos ditados já o dizem. "Fazer o bem para atrair o bem" ou "Pensamentos tomam forma" ou até mesmo "você é aquilo que você come" fazem jus à esta máxima. E há tempos eu insisto que meu mundo é cor-de-rosa.
E “as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam”, diria Cartola. Por isso, eu apenas vivo, deixo que minha cor, meu número, meu cheiro, me sigam. Deixo pensar que o mundo que me guia enquanto eu que guio o mundo. As rosas, o rosa, a rosa, sempre farão parte da minha vida, mas enquanto o mundo dá suas voltas e me mostra o caminho que eu já tracei, eu vou mentalizando lilás, me apaixonando vermelho, usando preto, viajando em busca do horizonte azul e afastando os sorrisos amarelos.
E você, qual é sua cor?
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Análise dos primeiros encontros: perspectiva masculina
Sou solteira. E todo mundo sabe. Mas já estive em relacionamentos e digo com propriedade: namorar engorda, ser solteiro empobrece. Para cada estado civil, há seus prós e contras, no inverno e verão, em eventos e cinemas. Nada como ser solteira na balada, nada como ter um colo no cinema...
Já tem algum tempo que eu recebi um dos melhores emails da minha vida, aquele que prova por A + B porque as mulheres NÃO devem pagar a conta do restaurante. É tanto tempo, preocupação e até mesmo dinheiro investido que nada mais justo que sair e não se preocupar também com a fatura do jantar. Ou motel, ou onde quer que dê o encontro. Cada um, cada um...
Mas eu tenho esta tendência a analisar e tentar ser o mais imparcial possível: parei pra pensar no lado masculino da coisa. Quão difícil, caro e inacessível é para um homem ter um encontro com uma mulher? Comecei idealizando um encontro tido como perfeito:
"Uma garota está num bar e um elegante, inteligente, bem-vestido e perfumado homem se aproxima e oferece a ela um drink. Após muita conversa, eles trocam telefones. Eles trocam SMS no dia seguinte, ele liga e marcam um encontro a dois. Ele a pega em casa, em seu carro, a leva para jantar num restaurante agradável. Após conversas e risadas, o clima esquenta e a garota, adulta que sabe o que quer, aceita prolongar a noite num lugar mais íntimo. Lógico que o lugar deve ser de qualidade e que a impressione. Após uma noite memorável, um café da manhã sela o encontro, ele a leva para casa e, dependendo do interesse (geralmente dele), o caso segue adiante."
Então, um homem TEM NECESSARIAMENTE que dar o primeiro passo. Parece fácil, mas eu não consigo. Todas as vezes que dei o primeiro passo me dei mal. E nem todo homem é assim autoconfiante. O que sobra para os tímidos? E o repertório? Porque, sim, mulher é exigente. Qualquer cantada mal dada, chance perdida. Mais uma: impera a lei do não. Não existe homem além do Brad Pitt que pontue em todas as tacadas. Logo, é a mesma ladainha over and over até levar alguém no papo. Autoconfiança E perseverança. Finalizada esta etapa, tem o então encontro. Concordo que mulheres fazem disso um evento muito maior que os homens. Calça, camiseta (fica a dica: homens, nós mulheres achamos muito mais interessante desabotoar uma camisa a despir uma camiseta de algodão com estampadas de números. Empenhem-se!) e sapato. Banho, uma borrifada de perfume e voilá! Mas... nós, enquanto ficamos tensas e quase tendo um AVC de tanto nervosismo, estamos nos trocando, maquiando, emperiquitando. Eles não, estão no carro a caminho, passando todos os pontos dos movimentos, o que falar, onde levar. O homem é culturalmente feito para pensar na parte prática do encontro. O que, pra mim, é muito pior.
Ok, agora vamos aos cálculos - muito por alto:
- Vestuário que chame a atenção: R$500
- Bom perfume: R$300
- Kit Barba, cabelo e bigode (a não ser que vc seja o cara e arrase mesmo com barba): R$30
- Entrada num bar da moda: R$80
- Drink: R$20
- Gasolina: R$50
- Jantar: R$150
- Motel de qualidade: R$200
- Camisinha: R$10
Total: R$1140,00
Ainda, os fixos:
- Investimentos em cultura e assuntos aleatórios: Incalculável;
- Academia: R$200 mensais - só se sua genética for perfeita elimine;
- Celular tecnológico que impressione: R$1500 (pós-pago por favor, ou some os créditos gastos nas ligações e SMS - e não conte que tem um celular pré-pago);
- Carro: R$40mil - afinal dizem que a beleza da mulher se mede pela marca do carro do homem que a acompanha...e olha que minha autoestima hoje está abalada.
E o cara, de quebra, deve ser bonito. Lógico!
Aí, vem umazinha e diz: “Falta homem no mundo!” Sim, falta. Nesta perspectiva, limamos a possibilidade de ter um novo relacionamento à décimos de porcentagem. Afinal, calculando, um cidadão que gaste cerca de R$ 500 em uma única mulher não ganha menos de 10 salários mínimos – ou é burro, e isso também não queremos. Queremos bonito, endinheirado, bem-vestido, perfumado, culto, educado, compreensivo... Pior é que nem dá pra eliminar nada desta lista... se não for bonito e tiver todo o resto somos putas. Feio e pobre com as características restantes são amigos. Do bem-vestido adiante, homossexuais.
Este devaneio me fez dar um pouquinho mais de valor à ala masculina. Afinal, anos e anos se passaram, mas ainda, eras depois, dezenas de sutiãs queimados depois, calças e camisetas substituindo espartilhos e anáguas depois... tudo em que tenho que me preocupar é em mostrar meus atributos e preparar meus longos cabelos para que o homo sapiens mais corajoso e forte venha até a mim e me cace como nos velhos tempos...
Ah, o famoso email citado: Porque os homens devem pagar a conta
PS: Analisando tanto a percepção masculina e feminina em relação aos encontros e paqueras, me pergunto porque tantos casais terminam, traem, se divorciam e são tão ansiosos em retornar para o "mercado" dos solteiros... Vida difícil.
Já tem algum tempo que eu recebi um dos melhores emails da minha vida, aquele que prova por A + B porque as mulheres NÃO devem pagar a conta do restaurante. É tanto tempo, preocupação e até mesmo dinheiro investido que nada mais justo que sair e não se preocupar também com a fatura do jantar. Ou motel, ou onde quer que dê o encontro. Cada um, cada um...
Mas eu tenho esta tendência a analisar e tentar ser o mais imparcial possível: parei pra pensar no lado masculino da coisa. Quão difícil, caro e inacessível é para um homem ter um encontro com uma mulher? Comecei idealizando um encontro tido como perfeito:
"Uma garota está num bar e um elegante, inteligente, bem-vestido e perfumado homem se aproxima e oferece a ela um drink. Após muita conversa, eles trocam telefones. Eles trocam SMS no dia seguinte, ele liga e marcam um encontro a dois. Ele a pega em casa, em seu carro, a leva para jantar num restaurante agradável. Após conversas e risadas, o clima esquenta e a garota, adulta que sabe o que quer, aceita prolongar a noite num lugar mais íntimo. Lógico que o lugar deve ser de qualidade e que a impressione. Após uma noite memorável, um café da manhã sela o encontro, ele a leva para casa e, dependendo do interesse (geralmente dele), o caso segue adiante."
Então, um homem TEM NECESSARIAMENTE que dar o primeiro passo. Parece fácil, mas eu não consigo. Todas as vezes que dei o primeiro passo me dei mal. E nem todo homem é assim autoconfiante. O que sobra para os tímidos? E o repertório? Porque, sim, mulher é exigente. Qualquer cantada mal dada, chance perdida. Mais uma: impera a lei do não. Não existe homem além do Brad Pitt que pontue em todas as tacadas. Logo, é a mesma ladainha over and over até levar alguém no papo. Autoconfiança E perseverança. Finalizada esta etapa, tem o então encontro. Concordo que mulheres fazem disso um evento muito maior que os homens. Calça, camiseta (fica a dica: homens, nós mulheres achamos muito mais interessante desabotoar uma camisa a despir uma camiseta de algodão com estampadas de números. Empenhem-se!) e sapato. Banho, uma borrifada de perfume e voilá! Mas... nós, enquanto ficamos tensas e quase tendo um AVC de tanto nervosismo, estamos nos trocando, maquiando, emperiquitando. Eles não, estão no carro a caminho, passando todos os pontos dos movimentos, o que falar, onde levar. O homem é culturalmente feito para pensar na parte prática do encontro. O que, pra mim, é muito pior.
Ok, agora vamos aos cálculos - muito por alto:
- Vestuário que chame a atenção: R$500
- Bom perfume: R$300
- Kit Barba, cabelo e bigode (a não ser que vc seja o cara e arrase mesmo com barba): R$30
- Entrada num bar da moda: R$80
- Drink: R$20
- Gasolina: R$50
- Jantar: R$150
- Motel de qualidade: R$200
- Camisinha: R$10
Total: R$1140,00
Ainda, os fixos:
- Investimentos em cultura e assuntos aleatórios: Incalculável;
- Academia: R$200 mensais - só se sua genética for perfeita elimine;
- Celular tecnológico que impressione: R$1500 (pós-pago por favor, ou some os créditos gastos nas ligações e SMS - e não conte que tem um celular pré-pago);
- Carro: R$40mil - afinal dizem que a beleza da mulher se mede pela marca do carro do homem que a acompanha...e olha que minha autoestima hoje está abalada.
E o cara, de quebra, deve ser bonito. Lógico!
Aí, vem umazinha e diz: “Falta homem no mundo!” Sim, falta. Nesta perspectiva, limamos a possibilidade de ter um novo relacionamento à décimos de porcentagem. Afinal, calculando, um cidadão que gaste cerca de R$ 500 em uma única mulher não ganha menos de 10 salários mínimos – ou é burro, e isso também não queremos. Queremos bonito, endinheirado, bem-vestido, perfumado, culto, educado, compreensivo... Pior é que nem dá pra eliminar nada desta lista... se não for bonito e tiver todo o resto somos putas. Feio e pobre com as características restantes são amigos. Do bem-vestido adiante, homossexuais.
Este devaneio me fez dar um pouquinho mais de valor à ala masculina. Afinal, anos e anos se passaram, mas ainda, eras depois, dezenas de sutiãs queimados depois, calças e camisetas substituindo espartilhos e anáguas depois... tudo em que tenho que me preocupar é em mostrar meus atributos e preparar meus longos cabelos para que o homo sapiens mais corajoso e forte venha até a mim e me cace como nos velhos tempos...
Ah, o famoso email citado: Porque os homens devem pagar a conta
PS: Analisando tanto a percepção masculina e feminina em relação aos encontros e paqueras, me pergunto porque tantos casais terminam, traem, se divorciam e são tão ansiosos em retornar para o "mercado" dos solteiros... Vida difícil.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
T-minus 30
Em num lapso de inspiração, numa entressafra de coisas boas a serem citadas, escrevo sobre músicas. Ou sobre autoestima, e então apago e recomeço. Falar sobre autoestima é fácil, difícil é mantê-la nas alturas. E toda vez que vem a inspiração, é em algum período ou assunto crítico, e eu não gosto de falar de emoções negativas, embora estas sejam mais fáceis. Quero falar sobre amizade, amor, música e fatias de pizza. Mas estes assuntos corriqueiros do dia-a-dia perdem seu brilho quando o corpo e alma não estão em sintonia.
E não, não estão. Meu corpo está num período de festas e badalação. Minha alma quer colo. Meu corpo sofre as consequências de uma rotina boêmia de bares, festas e baladas de sexta, sábado e até mesmo aos domingos - e ainda assim pede mais. Minha alma quer calma, quer carinho, quer desunir o pôr-do-sol visto no interior ao alarde do melhor festival de música.
Eles querem coisas distintas, mas eu sou uma só e não os comporto mais nestes conflitos de quereres e sentimentos. Eu quero dominá-los. Vejo um pouco de "Benjamin Button" na minha história, vejo que a minha linha do tempo ficou um pouco confusa, comecei adulta e estava me tornando mais e mais jovem e inconsequente conforme - em tese - amadurecia. Mas esta fase de compensações passou. Sim, eu digo: não tenho mais idade pra isso.
Neste exato momento, após muito aproveitar, retiro minha armadura e me dispo para a verdade. Esta fase de adolescência inversa acaba exatamente HOJE, e parto para uma nova busca. Meu alter-ego de Catarina reserva-se para ocasiões dispersas. Quero conhecer meu lado adulto. Quero outros sábados à noite, outros finais de tarde, outras manhãs de domingo.
Quero investir: mais em mim, mais no mundo, mais no futuro; e menos, muito menos tempo em sentimentos pequenos e mesquinhos, em buscas desnecessárias ou em pessoas em vão.
Quero amar: amar sem receios, de forma madura e segura, intensa e terna. Quero amor de mãe, amor de filho, amor de gato, amor-próprio. Quero um amor onde não haja conflitos entre a menina e a mulher que existem em mim.
Quero mostrar: mostrar que meus melhores atributos não são quantas tequilas ou temakis eu posso consumir, quão rápido eu posso dirigir ou quão alto meu salto pode ser. Eu também gosto de quartos limpos, o cheiro da minha comida atrai vizinhos e a minha cultura geral vai além das conversas de boteco.
Quero mudança: quero o cartão de crédito com menos itens em "Restaurantes" e "diversos" e mais em "viagens", "cultura" ou "investimentos".
Quero muito, mas porque eu tenho muito. E é por saber disso que me tornei tão exigente a ponto de saber quando e como querer.
Quando começar e quando terminar.
Quando ir e quando voltar.
HOJE começa meu inferno-astral.
E não, não estão. Meu corpo está num período de festas e badalação. Minha alma quer colo. Meu corpo sofre as consequências de uma rotina boêmia de bares, festas e baladas de sexta, sábado e até mesmo aos domingos - e ainda assim pede mais. Minha alma quer calma, quer carinho, quer desunir o pôr-do-sol visto no interior ao alarde do melhor festival de música.
Eles querem coisas distintas, mas eu sou uma só e não os comporto mais nestes conflitos de quereres e sentimentos. Eu quero dominá-los. Vejo um pouco de "Benjamin Button" na minha história, vejo que a minha linha do tempo ficou um pouco confusa, comecei adulta e estava me tornando mais e mais jovem e inconsequente conforme - em tese - amadurecia. Mas esta fase de compensações passou. Sim, eu digo: não tenho mais idade pra isso.
Neste exato momento, após muito aproveitar, retiro minha armadura e me dispo para a verdade. Esta fase de adolescência inversa acaba exatamente HOJE, e parto para uma nova busca. Meu alter-ego de Catarina reserva-se para ocasiões dispersas. Quero conhecer meu lado adulto. Quero outros sábados à noite, outros finais de tarde, outras manhãs de domingo.
Quero investir: mais em mim, mais no mundo, mais no futuro; e menos, muito menos tempo em sentimentos pequenos e mesquinhos, em buscas desnecessárias ou em pessoas em vão.
Quero amar: amar sem receios, de forma madura e segura, intensa e terna. Quero amor de mãe, amor de filho, amor de gato, amor-próprio. Quero um amor onde não haja conflitos entre a menina e a mulher que existem em mim.
Quero mostrar: mostrar que meus melhores atributos não são quantas tequilas ou temakis eu posso consumir, quão rápido eu posso dirigir ou quão alto meu salto pode ser. Eu também gosto de quartos limpos, o cheiro da minha comida atrai vizinhos e a minha cultura geral vai além das conversas de boteco.
Quero mudança: quero o cartão de crédito com menos itens em "Restaurantes" e "diversos" e mais em "viagens", "cultura" ou "investimentos".
Quero muito, mas porque eu tenho muito. E é por saber disso que me tornei tão exigente a ponto de saber quando e como querer.
Quando começar e quando terminar.
Quando ir e quando voltar.
HOJE começa meu inferno-astral.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O que faz você feliz?
O que faz você feliz? Do que precisa? Muito, pouco, nada?
Pra mim, são tantas as coisas, tão pequenas mas tão grandes. Tão difíceis de conquistar, tão fáceis de alcançar...
Um sorriso, uma manhã de frio mas ensolarada, um carinho espontâneo dos meus gatos...
A cura - ah, a cura! - mas antes disso, ver a força e o otimismo de um parente diante de uma doença tão grande quanto o amor que a cerca...
Ter amigos, contar com eles, fazer as pazes e deixar tudo pra trás. Dormir de estrela com eles, assistir Lost, interagir com a tela, reclamar da vida e perceber que no fundo a gente tem sorte... Passar a tarde no shopping, relembrar, rir, curtir cada momento roubado do trabalho, do estudo, da rotina. Ir ao samba (balada, micareta, bar, boteco, japa), esperar a música, dedicar outra música, dar presente, ganhar tantos outros. Viajar, cantar, inventar músicas, tirar fotos, tomar chuva, tomar sol...
Trabalhar, construir, crescer, pouco a pouco, procurar e procurar o lugar e a hora certa, sentar e esperar, acreditar... e ainda assim ter as contas pagas (ah as contas pagas, tantas delas!)
Dormir. Como dormir é bom. Ver meu cabelo crescer, minhas roupas servirem, minhas unhas coloridas. Acordar no sábado e saber que ainda tem o domingo. Que tem feira e balada, tomar sol por 15 minutos e morrer de calor. Tomar banho por horas a fio, cuidar de mim...
Ouvir música, no quarto, no banho, no carro, no celular. Cantar junto, fazer passinho no carro, na janela, no churrasco...
Ver fotos, relembrar, organizar, rir e chorar... minha pequena grande família reunida na foto nova da sala, ir ao mercado num momento amélia de mãe e filha... Meu irmão menor e maior, cheio de força pra me proteger... Vê-lo progredir e conquistar...
A gratidão... ver o sorriso, o olhar e a emoção. Me enche de força, de fé, de luz, de FELICIDADE. É o que me faz acordar todos os dias e saber que tudo sempre dá certo no final.
O que mais eu precisaria pra ser feliz?
:D
Pra mim, são tantas as coisas, tão pequenas mas tão grandes. Tão difíceis de conquistar, tão fáceis de alcançar...
Um sorriso, uma manhã de frio mas ensolarada, um carinho espontâneo dos meus gatos...
A cura - ah, a cura! - mas antes disso, ver a força e o otimismo de um parente diante de uma doença tão grande quanto o amor que a cerca...
Ter amigos, contar com eles, fazer as pazes e deixar tudo pra trás. Dormir de estrela com eles, assistir Lost, interagir com a tela, reclamar da vida e perceber que no fundo a gente tem sorte... Passar a tarde no shopping, relembrar, rir, curtir cada momento roubado do trabalho, do estudo, da rotina. Ir ao samba (balada, micareta, bar, boteco, japa), esperar a música, dedicar outra música, dar presente, ganhar tantos outros. Viajar, cantar, inventar músicas, tirar fotos, tomar chuva, tomar sol...
Trabalhar, construir, crescer, pouco a pouco, procurar e procurar o lugar e a hora certa, sentar e esperar, acreditar... e ainda assim ter as contas pagas (ah as contas pagas, tantas delas!)
Dormir. Como dormir é bom. Ver meu cabelo crescer, minhas roupas servirem, minhas unhas coloridas. Acordar no sábado e saber que ainda tem o domingo. Que tem feira e balada, tomar sol por 15 minutos e morrer de calor. Tomar banho por horas a fio, cuidar de mim...
Ouvir música, no quarto, no banho, no carro, no celular. Cantar junto, fazer passinho no carro, na janela, no churrasco...
Ver fotos, relembrar, organizar, rir e chorar... minha pequena grande família reunida na foto nova da sala, ir ao mercado num momento amélia de mãe e filha... Meu irmão menor e maior, cheio de força pra me proteger... Vê-lo progredir e conquistar...
A gratidão... ver o sorriso, o olhar e a emoção. Me enche de força, de fé, de luz, de FELICIDADE. É o que me faz acordar todos os dias e saber que tudo sempre dá certo no final.
O que mais eu precisaria pra ser feliz?
:D
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Menos é sempre mais
"Eu sei!"
"Eu fiz!"
"Eu fui!"
"Eu tenho!"
...
Pesquise mais a fundo, pergunte de novo, confronte. E a resposta será sempre diferente uma da outra.
Existem pessoas, muitas e muitas pessoas, com uma necessidade absurda de auto-afirmação, de valorização que, por muitas vezes, é feita baseada numa grande e insustentável mentira. Uma viagem de negócios que nunca ocorreu, um curso que insistem que foi feito, um show, uma peça, um lugar paradisíaco onde tudo que se conhece são fotos de uma experiência alheia, um carro, uma casa, um CD, um livro...
Mas isso funciona mesmo? Por quanto tempo pode-se sustentar uma mentira? Uma vez ouvi que para uma mentira dar certo, você deve acreditar nela e esquecer a verdade, para que assim possa sustentá-la como verdade absoluta. Mal sabia que acreditar nisso me custou a descoberta de "N" outras mentiras anos depois. Não vou negar que essa tática funcionou sim por um longo tempo, mas que não foi pra sempre e, um dia, a verdade veio. Porque a verdade sempre vem, incrível.
Este desejo de auto-afirmação se torna conhecido das pessoas depois de certo tempo. No começo, é tudo uma grande admiração, uma projeção (quando eu crescer quero ser igual à você!), até mesmo inspiração. Em pouco tempo - sim, muito pouco - isso se torna uma dúvida, uma pulga atrás da orelha, uma desconfiança porque de tantas histórias e fatos, datas não batem, idas e voltas não se conectam, pessoas "mudam" de nome, de lugar, de cor de cabelo. "Como assim você viajou mês passado?". E então, olhares se cruzam semeando a dúvida e deixando um sentimento de vergonha alheia no ar.
A terceira - e pior - fase do círculo destes é a da descrença, da falta de credibilidade e da dúvida sobre o caráter dos necessitados. Ninguém mais acredita em NADA do que você fez, então esta é aquela velha fase onde a história do menininho que nunca falou a verdade um dia precisou dos seus amigos pra salvar sei lá o que e ninguém o levou a sério. Você viajou, estudou, comprou seu próprio carro e ninguém acredita. Que saco né menininho?
Analisando um pouquinho - embora eu nem esteja aqui no mundo pra analisar - pude perceber o grande vazio onde as pessoas com esta necessidade vivem. É um círculo vicioso, um mundo imaginário onde sair implica em aceitar sua minoridade, sua ignorância, o que por muitas vezes nunca vai ser possível de aceitar. E é por isso que este tipo de indivíduo não consegue prazer nas suas conquistas - porque no fundo eles sabem que não é suficiente pra sairem do vazio. Ainda, pense mais: estas pessoas nunca têm um relacionamento duradouro, com nada e com ninguém. Seja no trabalho, pulando de empresa em empresa, sempre achando que poderia estar fazendo melhor, seja na família, construindo um vínculo baseado num castelo de cartas, seja em relacionamentos afetivos, afinal lembramos das três fases no círculo de convivência: um dia, a admiração cai por terra e as máscaras caem. E nunca demora a acontecer.
A necessidade de auto-afirmação, como li a respeito, é sim superável, mas não facilmente, pois está relacionada à segurança, e os inseguros são temerosos, indecisos, desconfiados de sua própria capacidade - embora não se deixem demonstrar esta fragilidade. Muitas vezes são retraídos, egoístas e, pior, invejosos. Mas, um pouco de equilíbrio: todos nós nos auto-afirmamos o tempo todo, é quase um jogo, onde tentamos impressionar o outro com nossos pontos de vista, idéias, posses, níveis de sucesso pessoal, profissional e social, etc. Faz parte da luta pelo poder e pela busca do reconhecimento. Esta é a hora da dosagem, pois a auto-afirmação está intimamente ligada à auto estima. Algumas pessoas têm consciência do seu problema, mas a grande maioria o mascara ou o ignora.
Tenho certeza que temos muitos dessas pessoas em nosso círculo, talvez até um pouco de nós mesmos. Mas se eu pudesse "me" dar um conselho seria: fale sempre a verdade. Eu já aprendi que às vezes dizer "não sei" é a decisão mais sábia a ser tomada. E que ninguém te julga por saber de menos, mas sempre por falar demais.
"Eu fiz!"
"Eu fui!"
"Eu tenho!"
...
Pesquise mais a fundo, pergunte de novo, confronte. E a resposta será sempre diferente uma da outra.
Existem pessoas, muitas e muitas pessoas, com uma necessidade absurda de auto-afirmação, de valorização que, por muitas vezes, é feita baseada numa grande e insustentável mentira. Uma viagem de negócios que nunca ocorreu, um curso que insistem que foi feito, um show, uma peça, um lugar paradisíaco onde tudo que se conhece são fotos de uma experiência alheia, um carro, uma casa, um CD, um livro...
Mas isso funciona mesmo? Por quanto tempo pode-se sustentar uma mentira? Uma vez ouvi que para uma mentira dar certo, você deve acreditar nela e esquecer a verdade, para que assim possa sustentá-la como verdade absoluta. Mal sabia que acreditar nisso me custou a descoberta de "N" outras mentiras anos depois. Não vou negar que essa tática funcionou sim por um longo tempo, mas que não foi pra sempre e, um dia, a verdade veio. Porque a verdade sempre vem, incrível.
Este desejo de auto-afirmação se torna conhecido das pessoas depois de certo tempo. No começo, é tudo uma grande admiração, uma projeção (quando eu crescer quero ser igual à você!), até mesmo inspiração. Em pouco tempo - sim, muito pouco - isso se torna uma dúvida, uma pulga atrás da orelha, uma desconfiança porque de tantas histórias e fatos, datas não batem, idas e voltas não se conectam, pessoas "mudam" de nome, de lugar, de cor de cabelo. "Como assim você viajou mês passado?". E então, olhares se cruzam semeando a dúvida e deixando um sentimento de vergonha alheia no ar.
A terceira - e pior - fase do círculo destes é a da descrença, da falta de credibilidade e da dúvida sobre o caráter dos necessitados. Ninguém mais acredita em NADA do que você fez, então esta é aquela velha fase onde a história do menininho que nunca falou a verdade um dia precisou dos seus amigos pra salvar sei lá o que e ninguém o levou a sério. Você viajou, estudou, comprou seu próprio carro e ninguém acredita. Que saco né menininho?
Analisando um pouquinho - embora eu nem esteja aqui no mundo pra analisar - pude perceber o grande vazio onde as pessoas com esta necessidade vivem. É um círculo vicioso, um mundo imaginário onde sair implica em aceitar sua minoridade, sua ignorância, o que por muitas vezes nunca vai ser possível de aceitar. E é por isso que este tipo de indivíduo não consegue prazer nas suas conquistas - porque no fundo eles sabem que não é suficiente pra sairem do vazio. Ainda, pense mais: estas pessoas nunca têm um relacionamento duradouro, com nada e com ninguém. Seja no trabalho, pulando de empresa em empresa, sempre achando que poderia estar fazendo melhor, seja na família, construindo um vínculo baseado num castelo de cartas, seja em relacionamentos afetivos, afinal lembramos das três fases no círculo de convivência: um dia, a admiração cai por terra e as máscaras caem. E nunca demora a acontecer.
A necessidade de auto-afirmação, como li a respeito, é sim superável, mas não facilmente, pois está relacionada à segurança, e os inseguros são temerosos, indecisos, desconfiados de sua própria capacidade - embora não se deixem demonstrar esta fragilidade. Muitas vezes são retraídos, egoístas e, pior, invejosos. Mas, um pouco de equilíbrio: todos nós nos auto-afirmamos o tempo todo, é quase um jogo, onde tentamos impressionar o outro com nossos pontos de vista, idéias, posses, níveis de sucesso pessoal, profissional e social, etc. Faz parte da luta pelo poder e pela busca do reconhecimento. Esta é a hora da dosagem, pois a auto-afirmação está intimamente ligada à auto estima. Algumas pessoas têm consciência do seu problema, mas a grande maioria o mascara ou o ignora.
Tenho certeza que temos muitos dessas pessoas em nosso círculo, talvez até um pouco de nós mesmos. Mas se eu pudesse "me" dar um conselho seria: fale sempre a verdade. Eu já aprendi que às vezes dizer "não sei" é a decisão mais sábia a ser tomada. E que ninguém te julga por saber de menos, mas sempre por falar demais.
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