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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Mais um carnaval


Em vez de contar primaveras, por uma curta fase da vida contei carnavais.

Tive um namorado que dizia amar o carnaval, pois havia nascido no carnaval. Não me lembro de um baile de carnaval com ele. Outro, que também nasceu no carnaval, não era brasileiro. Quando assumi a solteirice, levei a sério este lance de amar o carnaval. E então conheci o verdadeiro carnaval brasileiro. Curti p.r.a.c.a.ra.l.h.o, mais do que minhas próprias pernas podiam aguentar, durante dois ou três anos. E então, o que nunca imaginei, me apaixonei por alguém que não compartilhava a devoção pelo carnaval. No primeiro ano, conseguimos equilibrar e conciliar. Um bloco aqui, outro acolá, um Rio de Janeiro aqui, um você fica até a quarta de cinzas que eu volto pra SP acolá, e a realidade aconteceu. No próximo ano, entre as viagens de trabalho dele e o Strawberry Fields Forever, curti o bloco sozinha, mas de aliança no dedo. Na semana seguinte, carnaval na neve, comprada  - e muito bem comprada – fui para NY fazer um esquindô a dois.

Este ano me vejo novamente em um relacionamento sério com o carnaval, mas vejo como nossa relação amadureceu. Ou endureceu. Ou envaideceu. Não sei... Os blocos ainda envolvem, colocam sorriso no meu rosto. Mas falta paciência, pegada, timing – este timing sim eu perdi. Me vi já no pré-carnaval julgando, olhando torto, cheia de não me toques e não me beijes. Me senti velha, pela primeiríssima vez na vida. Contemplativa, estou querendo entender a relação carnaval X juventude.


E no auge dos meus trinta e poucos tão vividos, tenho ainda uma semana de pré-carnaval para (me) entender e me entregar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ressaca


E não falo de ressaca de álcool. Aquela, que não interessa quão forte seja, não te faz parar de beber. No máximo, você aprende que um copo d'agua entre os drinks de whisky e energético tiram pelo menos a dor de cabeça do dia seguinte.

Não falo da ressaca do mar, que limita a faixa de areia a menos de meio metro em uma praia paradisíaca, fazendo com que a profunda conversa entre recentes amigos no por-do-sol seja constantemente interrompida pela busca das havaianas flutuantes.

Ressaca moral, de comportamentos duvidosos de alter-egos criados para tal. Catarina tem se comportado muito melhor do que eu esperava.

Ressaca emocional, de agir como uma criança que lhe roubam o doce mais divertido e colorido no meio de um parque de diversões - leia-se chorar inconsoladamente numa das melhores festas, e mais caras.

Ressaca física, de dançar de salto, até o chão, no palco, em cima da mesa. Correr por aí, em festas, shows e festivais, subir nos ombros, carregar nos ombros, rir de doer a barriga.

Falo da ressaca de vida.

Porque viver cansa. Viver intensamente, aproveitar todas as oportunidades, se entregar à diversão sem limites e curtir como se não houvesse amanhã... tudo isso cansa demais. Mas como qualquer ressaca, nada impede de fazer tudo de novo.

Fui guerreira com estilo. Foram 6 dias de festa, em trios elétricos, camarotes, abadás, arrastão, tênis sujo de barro, vontade de fazer xixi, cerveja mais barata do que água, amigos e mais amigos taxistas, fitas de Senhor do Bonfim, flores, tranças, frases e refrões, e suor, muito suor. Foram os dias mais esperados, um sonho de adolescente realizado, estar na casa daqueles que embalaram trios, micaretas, festas de faculdade, churrascos sem carne. E melhor, reunir tantos amigos diferentes em uma mesma viagem. 

Ressaca de vida, de alegria, de realização, de felicidade. Ressaca de acompanhar as voltas que a vida dá.

Esta ressaca que não passa, e que nem eu quero que passe. Tão cedo.

Digo que valeu!