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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Passa amanhã

Tô deixando a tristeza para amanhã.

Não que eu de fato consiga evita-la, mas é porque a história conseguiu me ensinar algo, e eu sei que estas lágrimas que teimam em aparecer não serão as únicas. Então eu penso: de que adianta chorar agora e chorar amanhã de novo, e de novo, e de novo? Que o pranto venha então de uma vez e saia com força do meu peito, levando com ele toda minha esperança. Porque quando eu chorar, é porque chegou a hora.

E tenho conseguido adiar, dia a após dia, esta queda. Tenho algumas perdas em mente, não sou ingênua. Ninguém passa ileso, ninguém sai sem cicatrizes, e eu estou respeitando meu luto interno. Estou respeitando minhas vontades, rindo de mim mesma sempre que possível. Se está fácil? Esta pergunta é para mim ou para quem me olha? Porque quem me olha tem certeza que eu estou até feliz com isso tudo. Mas eu mesma... 

Medo, desconfiança, remorso, raiva, e muita tristeza. Um turbilhão de pensamentos, sensações, receios, devaneios que vem sem avisar. Aquele monte de "será que é isso mesmo?", "mas e se?" e "tenho a sensação que ainda não acabou" passam pela minha cabeça o tempo todo. E eu nunca tenho respostas, senão minha famigerada "passa amanhã".

domingo, 24 de março de 2013

Homesick

Saudade é uma coisa difícil de explicar, e de conter.

Saudade dá de qualquer coisa, e é ativada por qualquer coisa. Hoje a saudade não é de família, de amigos, de trabalho, de comida, de cheiros e lugares..., é saudade de conhecer.

Saudade de conhecer gente, de fazer um círculo, de fazer parte. 

E infelizmente isso faz parte do processo de mudar de vida. E é a primeira vez que isso acontece. Quando me mudei pela primeira vez, tinha escola, tinha trabalho logo de cara, tinha mais onze pessoas na casa que morava. Foi relativamente rápido montar um cenário, uma vidinha, saber e ter pra quem ligar pra cada coisa em específico. Ir a uma festa, estudar, trabalhar, cada um no seu círculo.

Hoje eu não conheço pessoas, não sou conhecida, tenho um círculo pequeno onde as pessoas já existiam, e só. É uma nova realidade sendo montada realmente do zero. Não tem colegas de trabalho, da escola, de casa, ou os roommate, flatmate, schoolmate, workmates da vida de intercambista  Porque eu não sou mais intercambista, eu sou esposa, dona de casa e procuro o emprego dos sonhos nas horas vagas. Que são muitas.

E são nessas horas que a saudade de ter gente ao redor ataca.

Nas horas vagas, as vagas estão vagas.

Acho que sim, é saudade dos amigos. Dos novos e dos velhos amigos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Paulista enquanto ciclista


Desde a que a Juliana entrou na minha vida, virei uma fã de São Paulo. Em tempo, Juliana é minha bike (e as coisas têm nomes na minha vida), uma nova paixão que surgiu recentemente e que por enquanto só nos encontramos em escassos domingos.

Eu confesso: nunca fui de fato apaixonada por São Paulo. Aquele sentimento forte de paulista, morar na Móoca, adorar o centro da cidade. Eu na mais absoluta sinceridade acho que esta cidade vai sofrer um colapso em pouco tempo, acho o centro cultural de São Paulo sujo e perigoso e sei que não posso contar com o transporte público daqui.

Em contrapartida, eu tenho um sotaque paulista forte e carregado, falo "meu" e "porra" de maneira nasalada em todas as sentenças, não consigo ficar em qualquer lugar que não tenha comércio e trânsito 24 horas por dia e adoraria comer pastel de feira todo sábado - embora minha úlcera já cicatrizada não me permita.

Já morei fora, conheci o organizado caos londrino e de outras cidades européias, sei da selva fantástica que é Nova York e até o Rio de Janeiro já me fez pulsar o coração, ainda que a ideia de morar em ambiente praiano sempre me fizera pensar que todo dia seria domingo.

Mas tem um momento que me faz pensar o contrário, que me faz querer ser paulista: quando Juliana e eu corremos pela Ciclofaixa de São Paulo. É o único momento em que me pego admirando a cidade, a simpatia de todos os organizadores de semáforos da ciclofaixa, a civilidade dos ciclistas, o respeito dos motoristas. O verde dos meios-fios, o sentimento de ser saudável, o escasso trânsito, o techno tocando no ipod, que embala cada pedalada. A entrada do parque do Ibirapuera, o lugar que minha mente para pra respirar e meus pensamentos me dão um breve descanso. É o momento em que penso como seria se minha cidade - amada - tivesse aquele grau de trânsito todos os dias, como seria se uma estação de metrô fosse minha vizinha, numa linha mesmo que com baldeações para aquela que seria vizinha do meu trabalho, ou como seria até se eu pudesse ir trabalhar de bike. Novamente, em tempo: meu caminho casa-trabalho é feito pela avenida dos bandeirantes, marginal pinheiros e outras vias carregadas.

Mas naquele momento, enquanto a "Ju" não murchou o pneu, enquanto sua marcha ainda não saiu do lugar ou enquanto o selim não está me matando aos poucos entre as pernas (ainda tenho algumas providências e aprendizados na vida de ciclista domingueira), naquele momento, eu tenho orgulho de São Paulo. E não pretendo sair daqui enquanto a ciclofaixa fizer parte dos meus domingos, o Parque do Povo fizer parte dos meus fins de tarde e de corrida e o Parque do Ibirapuera for meu terapeuta de abraços e bosques abertos.

domingo, 27 de março de 2011

Sunday, bloody sunday...

Mais um domingo, mais um sentimento de final de semana acabando e todos meus anseios para ele não realizados. Mas um dia de pensar e pensar e pensar.... Mais uma tarde de engolir sentimentos e não admiti-los, não exterioriza-los. Não quero admitir nenhuma fraqueza. Não quero que ninguém saiba que por trás do meu novo sorriso branco há um caminhão de dúvidas e sentimentos confusos.

Porque as pessoas me confundem. Porque eu acredito em tudo que me é dito, crio expectativas monstros e me machuco com isso. Porque eu sou grande e quero ser uma rocha, mas o que ninguém sabe é quão frágil eu posso ser apenas com um toque, uma imagem, uma frase. Me torno pequena, indefesa perto do tamanho colossal do meu querer.

É esquisito sentir este turbilhão de sentimentos... e novo. É esquisito tentar equilibrar razão e emoção, insano até. Pra mim, sempre foi mais simples viver pela emoção. Agir, sem pensar. Meu peculiar imediatismo, que eu chamo de intuição. Mas a razão me dá provas claras que eu estou indo na direção errada, na contramão da sanidade. E eu insisto em me manter nessa estrada...

Sinto que minha vida tem se tornado a letra de um pagode de segunda categoria, um refrão de música sertaneja, que eu tento afogar em baladas de música eletrônica. Só que não tem jeito, no dia seguinte das batidas do Dj, nada é tão ensurdecedor como as batidas do meu coração.

No domingo, "I can't close my eyes and make it go away"...