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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O dia

Chegou o dia que eu tanto esperei na vida! Aquele dia que eu olharia para trás e sentisse nenhum sentimento de raiva ou rancor, nenhuma mágoa ou tristeza... nem aquele vazio que eu temia. 

Na realidade acho que este dia já tinha chegado, eu que nunca havia parado pra pensar, pra olhar a data, para realizar a conquista. Porque sim, foi uma conquista.

Foram muros derrubados, foram armas abaixadas, foi uma risada gostosa e tão alta que foi escutada do outro lado do mundo.

Uma sensação gostosa, de vida vivida, de que a história pode ser boa, só depende do ponto de vista - e de quem conta. Uma imagem na cabeça, não mais aquela imagem do passado, que tinha dado rosto a um sentimento, nem aquela imagem de uma história que eu só tinha pra mim. A imagem da amizade, da força... em segundos eu vivi anos de lembranças, de momentos, de uma vida a la Juscelino Kubitschek, já parafraseando a tal amizade.

Nada além de um sorriso tão largo que dói meu maxilar.

E eu que nos meus momentos de energia negativa achava que não havia conquistado nada! Conquistei sim senhora. 

Deixei pra trás tanta coisa... porque percebi o quanto estava, despropositadamente, deixando pra trás.

Ainda sorrindo, volto a viver a vida como eu nunca tinha desenhado. E como, há tempos, eu parei de desenhar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vida de casada


Foi ontem que eu ouvi a pergunta, ontem que pensei na resposta. Desde o sim não fui em mais nenhuma “balada”. O hobby agora é cozinhar para os amigos nos finais de semana. Pedir pizza, tomar cerveja e ver filme no sofá que abraça. E foi quando, com o comentário recebido – “as coisas mudam né?!” – percebi que sim, as coisas mudam.

Mas acho que eu não mudei. Acho que no fim, na Catarina que utilizava como invólucro já havia uma Amélia, nada adormecida, querendo mostrar as garras – de unhas vermelhas, já que o período de unhas quebradas pela reforma do apartamento foi oficialmente encerrado – e cuidar. Apenas cuidar.

Nenhuma falta das baladas. Talvez o fato de ter conhecido o marido como Catarina, talvez o fato da naturalidade com que tudo aconteceu e, principalmente, pelo fato de saber que, se eu quiser, sábado à noite posso estar em qualquer uma destas pistas, sozinha ou acompanhada dele. Saber que a liberdade e a confiança é a constante da nossa relação faz com que eu prefira a calma do sofá que abraça, a alegria do quadro de cerveja da sala de jantar ou a paisagem pastel e blasé do painel na cabeceira da cama.

E foi hoje que acordei 15 minutos mais cedo para passar a camisa social dele. Eu, logo eu, que nem pra tomar café da manhã em casa me retiro da cama nem um minuto antes das 6 sonecas do galo digital. Eu, logo eu, que nem jantava, preparo zelosamente um jantar temperado e harmonizado, com vinho ou cerveja. Eu, logo eu que não me sentava à mesa, hoje como no modo “saladinha saladinha”, como costumava dizer de refeições almofadinhas feitas à mesa.

Ser quem eu quero e quando quero. Esta é minha vida de casada.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11 é dia de Chucru!

Data mais que esperada. Há muito tempo eu pensava... como vai ser? Onde vai ser? Com quem? Como vou me sentir?

O 11 representa muito na vida, sempre foi assim. Desde o nascimento, em 83. Desde datas, desde números de telefone, desde coincidências do destino, o onze é meu número.

11 - Revelação, atemporalidade, originalidade, exotismo, inspiração, intuição, paranormalidade, idealismo, ausência de rótulos, extravagância, vanguarda, modernidade, fanatismo, loucura, iluminação, incompreensão, incomunicabilidade, antipatia, degradação, ar, fogo, nova era. Arcano = 11 (A FORÇA)

Original e paranormal. Ou anormal e ideal, não importa! Hoje é 11, hoje é novembro, hoje é rosa!

Hoje eu tenho todas as respostas! E mais respostas ainda, mais até do que imaginava...

Hoje, na data mais cabalística da vida, eu posso dizer que eu sei o que quero. Sei o que vou pedir ao soprar as velas, já sabia o que pedir ao acordar.

Não quero dinheiro. Só dinheiro. Quero uma vida confortável, e só.
Não quero amor. Só amor. Quero um amor que me faça me amar, e só.
Não quero felicidade. Só felicidade. Quero fazer feliz, e só.
Não quero sucesso. Só sucesso. Quero levar comigo quem me fazer crescer, e só.
Não quero sorrir. Só sorrir. Quero que o sorriso venha de dentro e contagie, e só.

Quero muito, quero tudo, quero pouco. Mas sei que tenho tudo, tudo necessário. Se desta vida eu sair apenas com o sorriso no rosto, já terei o suficiente!

Hoje, soprar as velinhas vai ter um gostinho diferente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Para cada amigo, uma família

Eu não tive um amigo imaginário na infância. Meus primos, em sua grande maioria, são bem mais velhos, pelo fato de eu ser filha da caçula da família, que ainda teve filho bem mais velha. Não tenho nenhum amigo da época das fraldas e minha infância com meu irmão foi conturbada, isso até...

...Isso até os tempos de escola, quando numa inesquecível piada eu me liguei à uma dessas irmãs que a vida espalha por aí. Estudamos juntas por 3 anos apenas, até que ambas mudaram de escola. E de cidade, e até de país. Eu não tenho contato com mais ninguém desta escola, apenas com aquela que por tantas vezes me fez até fazer xixi nas calças de tanto rir, que brincamos de boneca, jogamos stop, andamos de patins, cozinhamos bolinhos de chuva sem nenhuma consistência, tomamos banho de esguicho, bexigas d’agua... dividimos tantas experiências quanto irmãs poderiam compartilhar. Tomei bronca dela, da mãe dela, da avó dela, da irmã dela... é, amigo é a família que a gente escolhe.

... Isso até os tempo de colégio, quando num boato mal intencionado, eu fiquei por meses sem olhar para a cara desta pequena que, os poucos, acabou se aproximando. Inteligente, sagaz e com um quê de querer ser maloqueira. Usava jeans e allstar, cabelo comprido e não fazia a sobrancelha. Acabou virando uma parceira de estudos, quando a única nota baixa de nossas vidas nos desafiou. Anos depois, namorados depois, ninguém a conhece como eu. Cada tom nas palavras, seu perfeccionismo que contrasta com a desatenção e desapego. Baladas, festas, jantares – e omissão de alimentos, caronas , salto alto e a conta de celular. Eu, durante um tempo, fui mais parceira da mãe dela do que dela... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até os tempos de faculdade, quando as turmas eram tão bagunceiras e bagunçadas. Eu, que mal havia chegado, virei a mesa de uma turma fechada, apontei podres e, numa situação um tanto delicada (que hoje parece tão pequena) selecionei algumas que me acompanham até hoje, uma delas lá de longe, do outro lado do mundo (se é que o mundo tem lado), e uma outra virou parceira, equipe, companheira de cerveja perfeita... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até os tempos de Londres, quando precisou estarmos milhas distantes para entendermos o quanto a gente se dava bem. Flatmate, bedmate, mate... uma amizade que uniu mais que duas brasileiras no exterior, virou irmandade mesmo, me defendeu com unhas e dentes literalmente, me deu colo, mesmo sem nunca ter passado a mão na minha cabeça pra nada – de todas, é a que mais dá bronca. É a que se exalta, mas sempre fala a verdade. E não veio só ela, o pacote incluía os amigos dela, a rua dela, a casa dela... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até a vida dar uma reviravolta, quando eu precisei sofrer e me decepcionar com um e ganhar dois presentes da vida. Foram ofensas gratuitas, um ódio desnecessário, uma briga inexistente. E o perdão. A amizade que nasceu do acolhimento, a maturidade, o entendimento dos caminhos que a vida nos coloca. Entender que meu carma era na realidade conhecer a “inimiga” e ganhar uma amiga pra virar uma equipe, ou então uma companheira de viagem, de música verde e de freada brusca. A amizade excedeu os limites nacionais, e foram empanadas, Natais e Reveillon... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até o ambiente de trabalho, o amigo do amigo, o chefe, o instrutor da academia, o vizinho... ah, estas histórias vão ficar para o ano que vem, assim dá tempo de a gente ter mais e mais história para contar!

Amigo. A família que a gente escolhe.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Agradeço a Santo Antônio pela graça alcançada!

Promessa é dívida. E quando se trata de Santo Antônio vira questão de honra.

Mesmo remota, não esqueci nem por um segundo que dia tão brasileiro era hoje. Até porque eu fiz uma promessa há uns tempos, dizendo que no momento propício eu contaria essa história.

Sim, a promessa não foi bem para o santo, foi à uma amiga carola, que ficou arrepiada ao saber o que o danado aprontou desta vez.

Há exatos 9 anos, ou seja, MUITO tempo atrás, uma amiga - hoje a parceira de cervejas - surgiu na faculdade com um saco de pão, o batizado pão de Santo Antônio, que traria sorte aos solteiros. Justa como sempre, trouxe aos amigos comprometidos um sonho de valsa. Eu, solteira convicta, ganhei o pão, e devorei-o, mas mais por fome que por qualquer crença e, ingênua, sugeri que a amiga oferecesse o pão à um rapaz que era colega de faculdade. Sem segundas intenções, posso jurar com o aval do santo. No dia seguinte, lá estava eu enamorada pelo tal rapaz, e assim foi durante os outros 5 anos, quando o segundo contato com o santo aconteceu.

Porque quem namora por 5 anos já não é "for fun", e eu vivia num meio termo que me incomodava todos os dias às 20h, quando deixava o trabalho. E a situação ficou cada vez mais complicada quando notei uma certa falta de sintonia quanto ao futuro do relacionamento. Foi quando um amiga querida se casou e passou pra mim uma tradição, que havia sido passada a ela tempos antes, quando ela terminara uma relação de 11 anos (ela se casou com o amor da vida, menos de 1 ano depois do término do namoro e hoje tem um sorriso de orelha a orelha) que já estava super desgastada. A orientação era: peça não um casamento, mas um destino, um encaminhamento. Coloque-o de ponta cabeça e todos os blablabás que sabemos, que contam com copos de água, fitas e amarras. Meio incrédula - ainda - o fiz. Mas do meu jeito.

Me senti desconfortável (e até ridícula) em colocar uma imagem imersa dentro de um copo por período inderteminado. Então "conversei" com o santo, e pedi assim o tal encaminhamento. Pedi que eu apenas fosse feliz, não exatamente naquele relacionamento, mas na vida, feliz comigo. Que eu estivesse com quem me fizesse realmente feliz e me fizesse bem. Que meu futuro no amor fosse próspero, seja ele num então casamento com aquele que namorava, seja em um novo grande amor. Eu apenas queria que tudo desse certo. Combinamos que ele ficaria ali, guardadinho, no fundo do armário, de pé e sem amarras, e qua a próxima vez que nos veríamos eu saberia que ele já havia mexido os pauzinhos dele e que tudo já estaria resolvido.

É claro que eu me imaginava casada no momento de reencontrar o Santo.

Mas, pelos pauzinhos e peripécias do destino, meu reencontro com o Santo foi ao arrumar minhas malas, de mudança - então por tempo indeterminado - para Londres, um ano depois. Eu estava solteira, livre, começando uma nova vida. Ainda, foi preciso mais tempo para entender o porquê de tudo. Este tempo foi o mais importante da vida, e me ensinou muito. Não desdenho do meu passado, cresci e aprendi demais com ele. Fui feliz e fui triste, como qualquer um em qualquer relacionamento.

O Santo continua bem guardado, sem amarras, sem pedidos, sem promessas. Porque eu sei que ele só vai "atuar" na minha vida amorosa quando realmente valer a pena. O santo sabe bem quem e o que eu quero, e eu sei que ele só vai me dar aquilo (e aquele) que realmente fizer por merecer, for para ser. Uma relação justa, eu diria.

Hoje, solteira, agradeço a Santo Antônio pela graça alcançada.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Só os olhos não mentem

Todo mundo quando era pequeno ouviu a história do garotinho que mentia muito, um dia estava correndo perigo mas ninguém acreditou que fosse verdade. Todo mundo leu, assistiu e ouviu as histórias  - em suas tantas versões – de Pinóquio, e de fato tinha medo do nariz crescer. E todo mundo uma dia acreditou na velha história da manga com leite, ou do banho depois do almoço - embora nunca ninguém tenha ouvido falar de alguém que teve um piripaque num churrasco de sitio... É, uma famosa “mentira branca”, que de tão propagada virou até lenda urbana.

Eu defendo a verdade, sempre. Mas isso é puritanismo, eu admito. Mas defendo mais ainda que me falem a verdade.

Eu sei, às vezes as pessoas mentem por tentar proteger, ou por medo de magoar. Ou por pura covardia de falar a verdade. Sim, eu também sei que a verdade dói, mas descobrir mentiras destrói. Quando sabemos a verdade, nua e crua, a dor é lancinante, mas é afagada pelo alívio, tira a pressão, mostra o caminho a se seguir. Descobrir depois de tempos algo que te iludiu é como perder parte da sua própria essência, da sua história. É como ganhar uma cicatriz feia do dia para a noite.

Aos defensores do omitir não é mentir, ganham aqui uma parceira. Mas omitir não é enganar. É deixar pequenas pistas de uma verdade, por meio do silêncio. Enrolar alguém não é omissão, é falta de comprometimento. Ignorar uma ligação, uma mensagem, um apelo, é mostrar sua face para o leviano. Que a omissão venha sempre acompanhada do caráter. Se há algo maior em jogo, que seja dito, escrito ou no mínimo sutilmente revelado.

Hoje é dia da mentira. O único dia que eu taparia meus ouvidos para a verdade. O dia que eu não ligaria de ouvir falsos elogios, histórias incríveis nunca vividas ou declarações de amor descabidas. Porque eu viveria apenas o hoje. Eu acreditaria no “eu te amo”, porque eu sei que, por mais que alguns possam mentir dissimuladamente, é difícil encontrar aquele que saiba mentir com o olhar.

Que todo dia seja 1º de abril.

Que todo “eu te amo” seja dito com o olhar.

Que eu engane pelo menos 3 pessoas hoje e meu desejo se torne concreto e humano.