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domingo, 10 de maio de 2015

Je perds

Esta semana perdi mais alguém, uma peça importante que saiu rasgada de mim, mas que eu deixei que fosse... Uma a uma as pessoas escolhem sair porque eu, talvez mudada, não as forço mais pra ficarem. Não faço mais questão de argumentar, de insistir, de me indispor ou ir contra meus sentimentos.
Ficar sozinha tem sido doloroso mas a melhor escola que frequentei. Perder é difícil, mas a pessoinha que eu mais quis na minha vida... Veio até aqui e deu meia volta... Me achou bagunçada pelo visto! E mal esteve aqui já me ensinou: se respeita, mãe! Se dá espaço! Não faz o que os outros querem ou esperam. Chora mais e engole menos, porque um dia, quando eu voltar, vou precisar do seu coração livre de mágoas.
Então perder já não dói como doía. Simplesmente suspiro e sigo, encaro como mais uma lição.
Todas essas pessoas voltarão, eu sei, se elas quiserem eu estarei de braços e coração abertos. Só preciso - e precisam - de tempo pra me entender, entender onde eu vim parar e como sair daqui.
Não deixei de amar nenhuma. Só me fechei. Me escondi. Porque quando perdi a menor delas, entendi a maior delas....

segunda-feira, 30 de março de 2015

Eu amo

O que é meu e o que não é. Explico...

Amo o amor. 
Amo sentir aquela fagulha, aquela pontada de gases no coração. 
Amo tudo, amo todos. 
Amo de doer até doer. 
Amo até o amor dos outros, esse eu amo de paixão. 
Amo meu passado, amo tudo que vivi, conto como se fosse hoje. 
Amo até meu futuro, sonho com ele todos os dias e temos uma relação simbiótica. Nos damos super bem, esperando um ao outro. 
Amo quem está por vir - ao mundo e à minha vida. 
Amo quem está na minha vida e faz valer. E quem não faz eu amo também, porque vai virar a história que eu amo contar. 
Amo em doses homeopáticas este presente conturbado - esta nossa relação é complicada, a gente criou muita expectativa mas estamos "nos adaptando".

Amo. 
Amo coisas, pessoas e animais. Love it. Love them. Love all.
Amo quem me faz querer amar mais, se é que isso é possível. 

E ver o amor dos outros, pelos outros e nos outros me faz amar mais.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A última peça

Depois de tanto tempo, tanto esforço pra entender, tantos textos escritos inspirados pelo desamor, vem uma informação da forma mais simplista e cai no colo. Assim mesmo, sem pedir, sem buscar, sem investigar, o sonho da vida de qualquer mulher se faz real em informações substanciosas dada por pessoas em comum, que sequer desconfiavam da gravidade do que falavam – para meu coração. O problema ali realmente não era eu.

Hoje tanta coisa faz sentido. Ao ouvir aquelas histórias, t.o.d.o.s os momentos que nos envolveram passaram na minha frente. Algumas conversas, palavras, comentários, encontros, casos, fotos. Coloquei a última pecinha neste quebra-cabeça que, repito, montei sozinha, desenhei sozinha e carreguei comigo desde o primeiro jogo sozinha. O problema ali é que eu realmente era eu.

E durante todo este tempo eu achava que o problema é que eu não tinha sido eu, tinha montado um personagem. Não, eu fui despretensiosa até demais. Talvez se tivesse sido menos intensa, teria engatado, mas não passaria da 3ª marcha. Porque o problema ali não era meu.

E se eu alguém tivesse me contado isso antes, no ápice do meu encantamento? Eu teria mudado. Eu ia tentar me encaixar. Eu ia continuar teimando até sangrar. Eu jamais aceitaria, na minha autoestima fantasiada de imponente, que o problema, ali, não era eu. Eu caçava defeitos, caçava motivos, caçava deslizes. Foi preciso este tempo para entender, precisava viver outras dores, outros desamores. Precisava aprender a olhar pra trás e sorrir, e ter maturidade pra aceitar que o problema ali, realmente, é que não era pra ser meu.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Eu só queria amor.

E o amor vem com uma mensagem perdida no meio do dia. Não precisa ser um poema, nem uma declaração. Uma smile face faz um bom trabalho.

Amor vem com café na cama, um pãozinho integral na torradeira e uma xícara de espresso. Vem com um selinho e um "vê se come direito hoje".

Amor vem com um eu te levo ou um eu te busco. Vem com um esquenta meu pé, e nenhuma reclamação da pedra de gelo que é meu pé no meio das pernas, até formigar.

Amor vem com um "eu te amo" dormindo. E depois outro, bem acordado.

Amor vem com um quê que faz faltar palavras.

E o amor veio. Mas antes que fincasse sua bandeira no meu território do felizes para sempre, foi atropelado.

E então o amor foi embora. 

Não sem antes ir e voltar perdido algumas muitas vezes. Até que quando foi embora, eu fechei a porta, pra não mais alimentar a esperança que voltasse de novo, curado e decidido. Não quero mais o amor que volta, quero o amor que não vai, que fica atropelado mesmo, para que eu cuide. 

Eu só quero amor. Tudo de novo. Tudo do mesmo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Voltar no tempo

Quem nunca sentiu essa vontade? Geralmente é por arrependimento. Por achar que tomou a via errada, fez a escolha errada. Por achar que tudo poderia ser tão diferente.

Sempre pode. Dizem que (Chico Xavier disse que) embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. Mas não é disso que eu estou falando. Nem o que estou sentindo.

Eu queria reviver. Passar por tudo de novo, e sabendo o fim que teria, teria aproveitado mais, sido mais intensa, marcado aquele momento de mais alguma forma. Teria feito as coisas com menos pressa, sido menos racional – e há quem diga que sequer houve racionalidade naquilo tudo – e feito até com mais carinho – e há também quem diga que tudo foi tão cuidadosamente feito com tanto carinho que emocionou.

Queria sentir toda aquela ansiedade de novo. Cada passo, cada item concluído. Queria ter chorado naquele momento, não hoje, não todas as noites. Queria ter dançado, pra marcar na minha memória o corpo colado, junto, a emoção e as palavras no pé do ouvido. Queria ter dado um presente, feito uma carta, outra carta. E, mais que isso, queria ouvir aquelas palavras de novo. Queria que, em sonho, meu espírito me levasse ao passado para poder, em 8 horas, reviver aquele sentimento.


Como se reviver aqueles 81 dias fosse capaz de amenizar estes 81 dias atuais.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O bolo queimado

Eu já tinha ouvido esta analogia há um tempo, mas entendi o conceito, de verdade, só agora. Porque só agora eu tenho que decidir o que fazer com o tal bolo queimado. Antes comer ou não era opção, e se não tivesse bom sempre tinha a doceria da esquina. Mas agora a P* ficou séria.

Então eu me preparei, fui às compras, escolhi os melhores dos ingredientes, paguei caro neles. Vesti meu avental e caprichosamente bati as claras em neve, utilizando minhas melhores ferramentas culinárias. Durante um longo tempo me preparei, medi, bati, mexi, untei e coloquei minha obra-prima de bolo no forno. Um imprevisto tirou meu olhar do timer e o bolo passou do ponto.

Queimou. E agora, o que fazer?

A opção mais fácil, mais cômoda, é comer assim mesmo. É frustrante, porque teve tanto esforço e carinho envolvido e agora tem este gosto de queimado. Mesmo tirando as bordas, o cheiro não é mais o mesmo. E foram tantas expectativas naquele bolo que ter que assumir que ele não ficou como planejava é um banho de água fria. Mas é o que tem, porque começar outro do zero daria muito trabalho e joga-lo fora é admitir que todo este tempo de preparo foi em vão, desperdiçado. Então, quem sabe posso lançar mão de uma cobertura, ou recheie? Talvez ninguém saiba... mas eu sei que não era assim que tinha que ser.

Mas o fato é que é preciso aceitar as falhas. O bolo queimou, ele não atende mais ao seu propósito. Um bolo queimado não satisfaz, não acalenta o ego da doceira. Não é copiado, ninguém pede sua receita. Não é gostoso. Deu trabalho, gastou-se ingredientes, mas por mais trabalhoso que seja, o melhor a ser feito é voltar ao supermercado, comprar tudo novamente, com a mesma qualidade e atenção. Novamente vestir o avental e com o mesmo sorriso, de novo bater, mexer, untar... e colocar outra vez outro bolo ao forno, prestando atenção no timer. Se outros imprevistos podem acontecer? Claro, mas é a vida. O fato é que outro bolo não tira a marca daquele bolo queimado, não tira a lembrança, te deixa com o pé atrás, de repente neste ficarei de 5 em 5 minutos acendendo a luz do forno, vai saber?

Mas a coragem de jogar o bolo fora, ah como é difícil! Como é difícil admitir a falha, jogar tudo no lixo sem saber ao menos se vai dar tempo de fazer um bolo novo...


Eu não queria queimar o bolo, eu não quero comê-lo assim mesmo e joga-lo fora? Dói na alma.

sábado, 31 de agosto de 2013

Oração

Que você encontre aquela que desenhou nos pensamentos do seu silêncio. Que ela viva de acordo com suas indagações, que não tenha dúvidas, receios. Que ela conviva pacífica e passiva com a solidão do silêncio, que saiba atravessar a muralha do seu corpo grande e consiga decifrar seus pensamentos e emoções.

Que ela seja sua perfeita professora, amiga, companheira, psicóloga e mãe, mas que nunca queira ser sua mulher. Que quando você erre, ela conserte, sem que você sequer saiba seu erro. Que ela nunca aponte seus defeitos, apenas conviva feliz com eles. Que esta mulher tenha as mãos macias para passa-las na sua cabeça concordando com todas suas decisões, todo o tempo, sem nenhuma opinião. Que ela não pense demais, nem aja de menos. Que ela tenha seu jeito, exatamente sua maneira de ver as coisas. Que cozinhe só o que gosta de comer, que viva de acordo com seus horários. Que não tenha medo do escuro, ou de ficar sozinha. Que nunca exija prioridade na sua vida, no seu tempo ou no seu corpo, e que aceite sua falta de vaidade, concordando até que polo azul combina com blusa de lã  preta. Que nunca queira passar suas camisas, nem peça que você use uma ou outra roupa. Que seja conveniente em sua inferioridade, que aceite que não será notada ou que sua falta não será sentida. Seus amigos e família são prioridade, que entenda que ela não faz parte da sua família. Que ela saiba que a academia é mais sagrada que a cama do quarto, porque é lá o único lugar onde você extravasará seus medos e anseios. Que entenda que sexo varia de acordo com os problemas da vida. Da sua, nunca da dela.

Que ela nunca queira dividir com você nenhuma vida, nenhuma história, conta bancária ou problemas financeiros. Que ela saiba das limitações dela e não queira aprender errando. Que não tenha sonhos, vontades, seja realista e nunca ultrapasse seus - ou teus - limites. Que ela nunca dependa de você.

Que ela aceite seu passado, e que nunca se questione porque sabe tão pouco de você.

Que consiga dormir sem ouvir uma história.

Que ela tenha a auto estima de um búfalo, a força de uma máquina para te carregar pela vida e que não tenha necessidade de se sentir necessária. Aliás, que não tenha nenhuma necessidade. Que espere seus tempos, que podem durar meses, que saiba que dormir sem dizer boa noite e acordar sem dizer bom dia faz parte da realidade dessa relação que busca.

Que se você desistir e, um dia mudar de ideia, ela esteja vestida do mesmo jeito, parada no mesmo ponto, te esperando sorridente.

Que ela não precise de mimos, de presentes, de manifestações de afeto e provas de amor. Que querer ser amada não esteja em seus genes.

Que ela saiba que a vida dela não será uma propaganda de margarina. Light.

Que esta mulher perfeita nunca te contrarie, e se o fizer, sinta-se feliz sendo culpada. Que ela não tenha orgulho nenhum e que entenda que seu horizonte é o chão, com seus pés caminhando à frente dela, que estará te empurrando com aquela força maquinária.

Que te dê filhas. Exatamente como ela é.

Que você encontre esta mulher perfeita. E que ela seja de fato uma mulher.

Que ela exista.

Amém.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O dia

Chegou o dia que eu tanto esperei na vida! Aquele dia que eu olharia para trás e sentisse nenhum sentimento de raiva ou rancor, nenhuma mágoa ou tristeza... nem aquele vazio que eu temia. 

Na realidade acho que este dia já tinha chegado, eu que nunca havia parado pra pensar, pra olhar a data, para realizar a conquista. Porque sim, foi uma conquista.

Foram muros derrubados, foram armas abaixadas, foi uma risada gostosa e tão alta que foi escutada do outro lado do mundo.

Uma sensação gostosa, de vida vivida, de que a história pode ser boa, só depende do ponto de vista - e de quem conta. Uma imagem na cabeça, não mais aquela imagem do passado, que tinha dado rosto a um sentimento, nem aquela imagem de uma história que eu só tinha pra mim. A imagem da amizade, da força... em segundos eu vivi anos de lembranças, de momentos, de uma vida a la Juscelino Kubitschek, já parafraseando a tal amizade.

Nada além de um sorriso tão largo que dói meu maxilar.

E eu que nos meus momentos de energia negativa achava que não havia conquistado nada! Conquistei sim senhora. 

Deixei pra trás tanta coisa... porque percebi o quanto estava, despropositadamente, deixando pra trás.

Ainda sorrindo, volto a viver a vida como eu nunca tinha desenhado. E como, há tempos, eu parei de desenhar.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Do Amor

O amor tem que dar prazer.

E para dar prazer tem que ser seguro. Estável. Não sinto prazer na incerteza do que pode faltar a qualquer instante.

O amor tem que ser leve, e para ser leve tem que ser alegre.
Íntimo, já que eu não suporto as formalidades, as reverências, as mentiras.
Para ser íntimo tem que ser entregue, aberto, confiante. Não confio no que tenho medo.
Então o amor tem que ser cúmplice, reconfortante.
Não entrego meu afeto a quem possa me punir pelas minhas fraquezas.
Tem que ser condescendente, compreensivo. Eu não poderia estar eternamente maquiada para esconder a pele imperfeita.

O amor tem que encher o peito da gente de uma tranquilidade constante. Já são tantas as ansiedades e aflições de todo o resto...
O amor tem que aguentar os tempos das desavenças, os ciúmes, as implicâncias, as indiferenças, o cansaço, o frio no coração, o mau humor, as imperfeições, os desajustes.
O amor tem que aguentar o desamor.
Mesmo que não dê prazer.

(trecho de um livro que eu realmente não sei qual é)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Entre-carnavais

A vida e sua caixinha de surpresas.

Vê-se que quando me calo, estou fazendo algo absolutamente inadiável: vivendo a realidade. E esta realidade surpreende a cada dia.

Mas às vezes me vem o ímpeto de escrever. E eu nem sei por onde começar...

Tenho medo da minha boca. E da velocidade da mudança do curso da minha vida.

Ano passado eu disse, com veemência, que passaria o carnaval de 2012 em Salvador. Porque aquele seria meu último carnaval solteira e eu queria fechar esta fase com chave de ouro. Aliás, eu sequer namorava, tinha apenas uma cisma que hoje eu já nem sei explicar o que era (ah o tempo).

O carnaval veio, passou - como um trio elétrico por cima de mim - e a vida seguiu seu curso. Nada em vista, e de repente, sem esperar nem planejar, o amor chegou. Durante meses eu continuei com os planos do próximo carnaval, mas ele, o amor, mudou tudo...

Quando eu disse que era o último carnaval solteira, nunca imaginei que no próximo eu estaria casada. Muito menos sem carnaval, longe do carnaval. Mas nunca se sabe. Até lá, o curso da vida pode mudar radicalmente. de novo.

Até porque há quem lembre bem meu comentário de carnaval, com 3 copos de uísque na mão e um salto abandonado, num fim de noite no camarote em Salvador...Nunca se sabe!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Da minha forma, à sua espera

Muito acontecendo, pouco para contar, muitos devaneios, mais do mesmo, o mesmo e mesmo assunto rondando minha cabeça. Promessas, progressões e projetos indo e vindo. “Estou de dieta”, “parei de beber”, “vou economizar dinheiro”. Todas essas não sou eu.
Eu sou aquela que recebe pequenos escritos e para pra pensar. E devaneia, e escreve em cima de palavras alheias. E para de novo pra pensar. E sorri.
A base do texto abaixo eu recebi por email, e para cada procura, o meu caminho, a minha forma de pensar, o meu querer. O meu devaneio.

Procuro doçura. Um encaixe de abraço. E de alma.
Dormir de conchinha, mãos dadas, mãos no peito. Um beijo de criança, molhado, babado, um cabelo de tigela e um giro embaixo da árvore.

Procuro constância. Um encontro de cérebros. E de covinhas.
Piadas, muitas piadas. Nomes, momentos, discussões de pontos de vistas sobre o mundo, análises da vida e projeções para o futuro. Um sítio com pé de amora.

Procuro coragem. De sentir o que há pra sentir. De encarar os tropeços e os sustos. E gargalhar quando der na louca. 
Falar a verdade, agir com verdade, assumir culpas, erros e amores. Trocar a pista pela estrada. O texto do email pelo som das palavras ditas.

Procuro encanto. Por um par de olhos. Pela magia das coincidências.
Tons de azul, de cabelos e toques.

Procuro surpresas. Como chamados inesperados. Como chegadas repentinas.
Um ícone de mensagem em meu celular. Uma foto. O olhar de satisfação.

Procuro tesão. Por curvas perigosas. Por segredos insondáveis.
Palavras, jeitos e toques (os toques). A pele, a mão no cabelo, a mão nas costas, a mão. A palavra.

Procuro urgência. De estar junto. De estar perto, mesmo que longe.
Estar, querer, ficar, falar. Menos verbos, mais conjunções entre mim e você.

Procuro brilho interno. Que transparece no sorriso. Que cintila no silêncio.
Olhos. Os brilhos internos escapam pelos olhos, sejam eles da cor que for.

Procuro liberdade. De ser assim. De ser feliz.
Liberdade de querer estar junto. De escrever o que for, ler o que for, ter apenas uma coisa.

Procuro entrega. Com direito a colo verdadeiro. Com a regalia de um cafuné avassalador.
Um suspiro, do fundo do peito. Um beijo na testa.

Procuro luz. Que me ilumine. Que não me cegue.
Meia-luz. Mais nada.

Procuro carinho. Uma piscadela secreta. Um apelido infantil.
Mais nada.

Cadê você, meu bem?
Nada.

Fonte: Pequenos Escritos - Paula Pfeifer| www.sweetestpersonblog.com

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O meu alguém especial

Para mais umas das minhas entressafras de inspiração, devaneio alheio. Este texto, recebido hoje, me tocou muito. Porque é nisso que eu acredito, que há sim alguém especial, e ele nada tem de especial. Ao não ser ao meus olhos.

É a resposta das horas perdidas tentando definir e defender uma beleza que só você vê, um jeito que só você gosta, um toque que, para você, só a SUA pessoa especial tem.

Para quem tem alguém especial (saiba o mundo ou não), Ivan Martins, editor-executivo da ÉPOCA.

Alguém especial
É isso que você quer – ou um monte de gente basta?
 
“Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”. Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.

Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.

Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.

Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta. Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher. Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.

Mas talvez isso tudo não seja suficiente.

Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.

Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.

Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.

Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.

Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.
(aqui rolou identificação. Muita!)
 
É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.

Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.

Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar. 

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Para um leitor especial...

Malandro é o inglês que não sabe o significado da palavra saudade. Perdem o ônibus na mesma intensidade que sofrem por um amor perdido. Já escrevi sobre saudade e como as redes sociais mascaram um sentimento de perda. Mas uma coisa é a saudade de quem partiu, outra é perder alguém que se ama... pra outra pessoa.

E aí lá vem o Facebook mostrar mais um casal feliz que se intitula “para sempre”. E o novo consorte, que coitado nada tem a ver com as juras alheias de amor infinito que foram em vão, é instantaneamente odiado pelo ex e seus relativos.

E quem nunca esteve no papel acima que atire a primeira pedra... Eu, na minha primeira vivência, era o ser mais evoluído do mundo, que “rezava todas as noites desejando a felicidade dele”. Mas, mesmo mais de ano depois do término, vi uma foto de casal e instantaneamente um buraco se abriu na boca do estomago, causando um vácuo e uma certa sensação de não sentir mais os pés pisando no chão. A segunda, não foi bem um namoro, mas um excelente “prospect” que eu deliberadamente abri mão. Ve-lo com outra me trouxe de volta ao vácuo. Outras ocorreram, e certamente o oposto também ocorreu, mas alguém quer falar sobre ver o casal enquanto AINDA há um sentimento reprimido? Dói né? E não importa a idade.

Às vezes dá até vontade de nunca ter vivido aquele sentimento, nunca ter conhecido, nunca ter se envolvido. Dá vontade de bater a cabeça no canto certinho do cérebro onde todas as lembranças recentemente vividas são armazenadas. Mas quando passa – leia-se quando se conhece um novo amor que será maior que o anterior – tudo que fica são as boas lembranças, ou apenas lembranças.

E não adianta tentar reviver o mesmo, o novo de novo. O que passou passou, fomos felizes enquanto casal mas se acabou, algo não estava encaixando. Também não adianta dizer que está tudo bem. Cada dia é um dia, e cada história uma história. Um sentimento só vale a pena se for recíproco. Se for unilateral não é perda, é inveja. E a gente só tem a autorização divina de ter inveja daquilo que podemos ter, o que então denominamos exemplo, perseverança, meta, ambição.

A vida anda, e anda rápido. Quem ainda é jovem tem a sensação que a vida vai durar só mais dois anos e quer resolver tudo agora. Não é bem assim... a gente nem sabe onde está guardado o nosso. Uma cartomante (sim, uma cartomante, juro que faz tempo) me disse que o “meu” nem morava no Brasil. Mas ela também disse que eu receberia uma grana em novembro passado, que ainda não veio... Isso só exemplifica o que eu quero hoje: (me) provar que a gente não sabe de nada da vida. Não sabemos onde vai dar tudo isso, em que vai dar. Uma relação com uma pessoa sempre traz frutos, mas muitas vezes não são o que tínhamos em mente quando a conhecemos. Pode ser uma linda amizade, pode ser um futuro casamento, nosso ou de amigos em comum, pode ser uma parceria comercial. Pode ser uma inimizade ou... PODE NÃO SER NADA. Só lição de que na vida nem tudo é escrito a caneta...

E que não precisa de tanto para ser apagado ou esquecido, é só querer – e parar de fuçar no Facebook.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Para cada amigo, uma família

Eu não tive um amigo imaginário na infância. Meus primos, em sua grande maioria, são bem mais velhos, pelo fato de eu ser filha da caçula da família, que ainda teve filho bem mais velha. Não tenho nenhum amigo da época das fraldas e minha infância com meu irmão foi conturbada, isso até...

...Isso até os tempos de escola, quando numa inesquecível piada eu me liguei à uma dessas irmãs que a vida espalha por aí. Estudamos juntas por 3 anos apenas, até que ambas mudaram de escola. E de cidade, e até de país. Eu não tenho contato com mais ninguém desta escola, apenas com aquela que por tantas vezes me fez até fazer xixi nas calças de tanto rir, que brincamos de boneca, jogamos stop, andamos de patins, cozinhamos bolinhos de chuva sem nenhuma consistência, tomamos banho de esguicho, bexigas d’agua... dividimos tantas experiências quanto irmãs poderiam compartilhar. Tomei bronca dela, da mãe dela, da avó dela, da irmã dela... é, amigo é a família que a gente escolhe.

... Isso até os tempo de colégio, quando num boato mal intencionado, eu fiquei por meses sem olhar para a cara desta pequena que, os poucos, acabou se aproximando. Inteligente, sagaz e com um quê de querer ser maloqueira. Usava jeans e allstar, cabelo comprido e não fazia a sobrancelha. Acabou virando uma parceira de estudos, quando a única nota baixa de nossas vidas nos desafiou. Anos depois, namorados depois, ninguém a conhece como eu. Cada tom nas palavras, seu perfeccionismo que contrasta com a desatenção e desapego. Baladas, festas, jantares – e omissão de alimentos, caronas , salto alto e a conta de celular. Eu, durante um tempo, fui mais parceira da mãe dela do que dela... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até os tempos de faculdade, quando as turmas eram tão bagunceiras e bagunçadas. Eu, que mal havia chegado, virei a mesa de uma turma fechada, apontei podres e, numa situação um tanto delicada (que hoje parece tão pequena) selecionei algumas que me acompanham até hoje, uma delas lá de longe, do outro lado do mundo (se é que o mundo tem lado), e uma outra virou parceira, equipe, companheira de cerveja perfeita... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até os tempos de Londres, quando precisou estarmos milhas distantes para entendermos o quanto a gente se dava bem. Flatmate, bedmate, mate... uma amizade que uniu mais que duas brasileiras no exterior, virou irmandade mesmo, me defendeu com unhas e dentes literalmente, me deu colo, mesmo sem nunca ter passado a mão na minha cabeça pra nada – de todas, é a que mais dá bronca. É a que se exalta, mas sempre fala a verdade. E não veio só ela, o pacote incluía os amigos dela, a rua dela, a casa dela... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até a vida dar uma reviravolta, quando eu precisei sofrer e me decepcionar com um e ganhar dois presentes da vida. Foram ofensas gratuitas, um ódio desnecessário, uma briga inexistente. E o perdão. A amizade que nasceu do acolhimento, a maturidade, o entendimento dos caminhos que a vida nos coloca. Entender que meu carma era na realidade conhecer a “inimiga” e ganhar uma amiga pra virar uma equipe, ou então uma companheira de viagem, de música verde e de freada brusca. A amizade excedeu os limites nacionais, e foram empanadas, Natais e Reveillon... é, amigo é a família que a gente escolhe.

...Isso até o ambiente de trabalho, o amigo do amigo, o chefe, o instrutor da academia, o vizinho... ah, estas histórias vão ficar para o ano que vem, assim dá tempo de a gente ter mais e mais história para contar!

Amigo. A família que a gente escolhe.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O amor não tira férias

Quantas e quantas vezes não ouvimos as histórias de amores de verão. Quantos filmes, novelas, livros, quantos contos que desejamos nossos, quantos devaneios sobre paixões avassaladoras que nos acometem em questão de segundos, quando menos esperamos.

Tudo que precisavámos fazer era nos abrir à elas.

Tudo que precisávamos era esquecer.

As férias da minha vida. Assim que chamo o último mês vivido, título plagiado descaradamente porém vivenciado profundamente. Foram 30 dias de descanso, viagens, risadas e devaneios. Mãos no bolso, pés na estrada, na calçada, no metrô, no trem, no ônibus, em cima e sem salto. Mente lutando em ficar vazia, coração insistindo no desapego, e eu apenas vivendo toda esta luta de sentimentos, com os olhares cobertos por lentes escuras protegidos do escasso sol que a terra de céu cinzento permite raiar. O cinza combinava com a alma, combinava com as letras miúdas que insistia em acompanhar, como um livro virtual de cabeceira.

Três semanas depois, o sol surgiu, o verão chegou tarde no velho continente. Com o sol, ele veio, alto, de gargalo, difícil de entender, mas o olhar disse tudo, mesmo no idioma estrangeiro. Entre beijos e festas, uma conversa profunda sobre a vida selou o primeiro encontro, aquele que seria o último. Minhas asas, que mesmo vermelhas se confundiram com as de um anjo, não foram fortes o suficiente para me tirar do chão, e eu acabei voando para outra direção. Mas o sol me trouxe a lembrança e o cupido, aquele armado não com flechas, resolveu de novo agir: o sol se pôs e eu continuei a olhar o horizonte, com uma imagem ruiva na cabeça.

O último dia de viagem chegou, já saudoso, tenso, com tanto a fazer. Mas a escolha foi feita. Tudo para o ar, quis a companhia, o toque das mãos grandes, os elogios, as fotos, o abraço incrivelmente confortável. Justamente no último dia. Na última noite. Eu fui, com um beijo enquanto ele dormia, e parti.

E hoje são dois os oceanos que nos separam. Amanhã serão cinco. Um dia talvez, nenhum, ninguém sabe.

O que eu sei é eu me abri. E que o amor da vida real também não tira férias.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Agradeço a Santo Antônio pela graça alcançada!

Promessa é dívida. E quando se trata de Santo Antônio vira questão de honra.

Mesmo remota, não esqueci nem por um segundo que dia tão brasileiro era hoje. Até porque eu fiz uma promessa há uns tempos, dizendo que no momento propício eu contaria essa história.

Sim, a promessa não foi bem para o santo, foi à uma amiga carola, que ficou arrepiada ao saber o que o danado aprontou desta vez.

Há exatos 9 anos, ou seja, MUITO tempo atrás, uma amiga - hoje a parceira de cervejas - surgiu na faculdade com um saco de pão, o batizado pão de Santo Antônio, que traria sorte aos solteiros. Justa como sempre, trouxe aos amigos comprometidos um sonho de valsa. Eu, solteira convicta, ganhei o pão, e devorei-o, mas mais por fome que por qualquer crença e, ingênua, sugeri que a amiga oferecesse o pão à um rapaz que era colega de faculdade. Sem segundas intenções, posso jurar com o aval do santo. No dia seguinte, lá estava eu enamorada pelo tal rapaz, e assim foi durante os outros 5 anos, quando o segundo contato com o santo aconteceu.

Porque quem namora por 5 anos já não é "for fun", e eu vivia num meio termo que me incomodava todos os dias às 20h, quando deixava o trabalho. E a situação ficou cada vez mais complicada quando notei uma certa falta de sintonia quanto ao futuro do relacionamento. Foi quando um amiga querida se casou e passou pra mim uma tradição, que havia sido passada a ela tempos antes, quando ela terminara uma relação de 11 anos (ela se casou com o amor da vida, menos de 1 ano depois do término do namoro e hoje tem um sorriso de orelha a orelha) que já estava super desgastada. A orientação era: peça não um casamento, mas um destino, um encaminhamento. Coloque-o de ponta cabeça e todos os blablabás que sabemos, que contam com copos de água, fitas e amarras. Meio incrédula - ainda - o fiz. Mas do meu jeito.

Me senti desconfortável (e até ridícula) em colocar uma imagem imersa dentro de um copo por período inderteminado. Então "conversei" com o santo, e pedi assim o tal encaminhamento. Pedi que eu apenas fosse feliz, não exatamente naquele relacionamento, mas na vida, feliz comigo. Que eu estivesse com quem me fizesse realmente feliz e me fizesse bem. Que meu futuro no amor fosse próspero, seja ele num então casamento com aquele que namorava, seja em um novo grande amor. Eu apenas queria que tudo desse certo. Combinamos que ele ficaria ali, guardadinho, no fundo do armário, de pé e sem amarras, e qua a próxima vez que nos veríamos eu saberia que ele já havia mexido os pauzinhos dele e que tudo já estaria resolvido.

É claro que eu me imaginava casada no momento de reencontrar o Santo.

Mas, pelos pauzinhos e peripécias do destino, meu reencontro com o Santo foi ao arrumar minhas malas, de mudança - então por tempo indeterminado - para Londres, um ano depois. Eu estava solteira, livre, começando uma nova vida. Ainda, foi preciso mais tempo para entender o porquê de tudo. Este tempo foi o mais importante da vida, e me ensinou muito. Não desdenho do meu passado, cresci e aprendi demais com ele. Fui feliz e fui triste, como qualquer um em qualquer relacionamento.

O Santo continua bem guardado, sem amarras, sem pedidos, sem promessas. Porque eu sei que ele só vai "atuar" na minha vida amorosa quando realmente valer a pena. O santo sabe bem quem e o que eu quero, e eu sei que ele só vai me dar aquilo (e aquele) que realmente fizer por merecer, for para ser. Uma relação justa, eu diria.

Hoje, solteira, agradeço a Santo Antônio pela graça alcançada.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ocitocina, sua linda!

Pra matar a saudade de me sentir assim, vívida, feliz. Com aquele aperto no peito inexplicável, suspiros insensatos, um rosto que persiste no pensamento, não importa onde ele esteja. Um rosto no inconsciente, o sonhar, o divagar... de quantos filhos, onde morar, que cor pintar o quarto, que carro teremos para carregar toda a família para a casa no interior no fim-de-semana, colher frutos no pé-de-amora. A cor favorita, a letra de mão, a cor dos olhos, dos cabelos, as pintas pelo corpo, medir mãos, tocar a ponta do nariz, afagar os cabelos, auto-retratos...

Ah o corpo humano e sua sabedoria infinita de até mesmo saber nos fazer apaixonar, como, onde e por quem.

Porque é ela que faz tudo isso acontecer. É a ocitocina que decide, por cálculos e recálculos inconscientes, que é com este ou aquele macho-alfa que a mulher quer procriar. Por isso, o corpo libera uma dose de paixão no cérebro. Dose essa que é revigorada, por manutenção, a cada vez que cada um desses momentos volta à lembrança. Portanto, para o corpo humano, lembrar é amar.

Amor este quase que exclusivo das mulheres. Porque a ocitocina foi feita para criar o laço materno, no amamentar, no parir, no conceber. Sim, é a dose cavalar de ocitocina liberada no orgasmo que faz o útero se empenhar para o conceber. Por isso, entre erros e acertos, podemos dizer até que não existe sexo casual para a mulher: a cada orgasmo, uma dose de paixão/ocitocina é liberada. Se olhar nos olhos de uma mulher durante um orgasmo, irá ver o amor florescer em seu corpo, a cada vibração, a cada arrepio e toque. E é pela ocitocina também que mulheres amam chocolate sobre todas as coisas. Chocolates e feromônios, todos no mesmo patamar.

É.. o corpo e suas peripécias para o amor.

Nada como uma nova dose de ocitocina para girar a roda da vida.