sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Eu só queria amor.

E o amor vem com uma mensagem perdida no meio do dia. Não precisa ser um poema, nem uma declaração. Uma smile face faz um bom trabalho.

Amor vem com café na cama, um pãozinho integral na torradeira e uma xícara de espresso. Vem com um selinho e um "vê se come direito hoje".

Amor vem com um eu te levo ou um eu te busco. Vem com um esquenta meu pé, e nenhuma reclamação da pedra de gelo que é meu pé no meio das pernas, até formigar.

Amor vem com um "eu te amo" dormindo. E depois outro, bem acordado.

Amor vem com um quê que faz faltar palavras.

E o amor veio. Mas antes que fincasse sua bandeira no meu território do felizes para sempre, foi atropelado.

E então o amor foi embora. 

Não sem antes ir e voltar perdido algumas muitas vezes. Até que quando foi embora, eu fechei a porta, pra não mais alimentar a esperança que voltasse de novo, curado e decidido. Não quero mais o amor que volta, quero o amor que não vai, que fica atropelado mesmo, para que eu cuide. 

Eu só quero amor. Tudo de novo. Tudo do mesmo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Voltar no tempo

Quem nunca sentiu essa vontade? Geralmente é por arrependimento. Por achar que tomou a via errada, fez a escolha errada. Por achar que tudo poderia ser tão diferente.

Sempre pode. Dizem que (Chico Xavier disse que) embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. Mas não é disso que eu estou falando. Nem o que estou sentindo.

Eu queria reviver. Passar por tudo de novo, e sabendo o fim que teria, teria aproveitado mais, sido mais intensa, marcado aquele momento de mais alguma forma. Teria feito as coisas com menos pressa, sido menos racional – e há quem diga que sequer houve racionalidade naquilo tudo – e feito até com mais carinho – e há também quem diga que tudo foi tão cuidadosamente feito com tanto carinho que emocionou.

Queria sentir toda aquela ansiedade de novo. Cada passo, cada item concluído. Queria ter chorado naquele momento, não hoje, não todas as noites. Queria ter dançado, pra marcar na minha memória o corpo colado, junto, a emoção e as palavras no pé do ouvido. Queria ter dado um presente, feito uma carta, outra carta. E, mais que isso, queria ouvir aquelas palavras de novo. Queria que, em sonho, meu espírito me levasse ao passado para poder, em 8 horas, reviver aquele sentimento.


Como se reviver aqueles 81 dias fosse capaz de amenizar estes 81 dias atuais.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Recado

Não são feitos mais de papel e caneta, muitos deles. Muitos são digitais, muitos são pessoais. Tecnologia que tira o charme de um papel dobrado, do tom azul da caneta bic e de quem sabe uma lágrima que molha o papel. Tecnologia que traz a mão trêmula segurando um celular ultramoderno.

Instante. Em menos de uma hora uma expectativa de vida, de mudança, se esvai, o coração gela e o peito dói. 

O livro da vida dá informações desnecessárias, em recados necessários. 

E a vida passa – ou continua – sem delongas. Seu recado foi dado, a decisão, que pareceu tão repentina (talvez não tenha sido), foi tomada sem prévio aviso, sem comunicação, no meio de palavras cruzadas e mentirosas. Nenhuma palavra de consideração. E tantas outras consequências neste tempo passivo foram notadas. Mudança, medo, mais mudança, uma nova esperança. Presentes, apoios, lágrimas e sorrisos, tantas misturas. 

Portas que se abriram para um coração doído que se fecha, quando entregou seu derradeiro recado, escrito em letra de mão, caneta rosa (porque ainda sonha), num papel dobrado molhado por lágrimas.

E o recado foi dado. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Medo

Nem sei de quê.

Talvez de ficar sozinha, de não dar certo, de não vingar. Bateu um medo. Medo mesmo, aquele que faz tremer as pernas. Medo de ter sido tudo em vão, medo de me arrepender.

Porque nada vingou, nada deu certo. E não é que deu certo enquanto existiu, deu errado mesmo! Cortei laços, tomei decisões erradas, insisti no erro e me machuquei. Achei que era cedo pra desistir e me machuquei mais. Agora o que me machuca é o tempo perdido.

E o pior é que a vida não para pra me esperar. Não adianta pedir tempo, pedir pra começar de novo, nem desistir e dar de ombros. A vida não para e tanta gente depende de mim. Sempre segurei, segurei firme, me fiz de arrimo, principalmente mental. Um dia, quis um pra mim, e quando achei que pudesse relaxar neste peito, caí. Caí e a vida me atropelou. Me atropelou de todas as formas, com todas as pernas. Me perdi em todos os vieses.

De todos os arrependimentos o pior é de ter relaxado. Porque os caminhos são escolhas e a gente retoma. Como li estes dias num livro que tem tentado acalmar meu coração, “Nosso caminho é sempre o melhor que podíamos escolher, de acordo com nosso nível de compreensão e adiantamento daquele momento. Se, porém, no dia seguinte, nos dermos conta de que aquele caminho não era o mais adequado, não devemos nos culpar por isso. Devemos apenas mudar de direção, selecionar novas veredas.”

Mas é o arrependimento de ter relaxado que me dá medo. Porque eu tenho, de novo, medo de não confiar em mim. Não nos outros, mas em mim mesmo. Eu já nem sei mais o que eu faço bem. E se eu faço bem mesmo. É uma mistura de experiências que não dá uma profissional completa. Uma mistura de experiências que não dá nem mulher nem adolescente. Uma mistura de experiências que me faz sentir incompleta, perdida, com medo. Medo que não acaba, que não alivia o peito por nem um instante.

Medo de ficar sozinha, de não dar certo, de não vingar...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O bolo queimado

Eu já tinha ouvido esta analogia há um tempo, mas entendi o conceito, de verdade, só agora. Porque só agora eu tenho que decidir o que fazer com o tal bolo queimado. Antes comer ou não era opção, e se não tivesse bom sempre tinha a doceria da esquina. Mas agora a P* ficou séria.

Então eu me preparei, fui às compras, escolhi os melhores dos ingredientes, paguei caro neles. Vesti meu avental e caprichosamente bati as claras em neve, utilizando minhas melhores ferramentas culinárias. Durante um longo tempo me preparei, medi, bati, mexi, untei e coloquei minha obra-prima de bolo no forno. Um imprevisto tirou meu olhar do timer e o bolo passou do ponto.

Queimou. E agora, o que fazer?

A opção mais fácil, mais cômoda, é comer assim mesmo. É frustrante, porque teve tanto esforço e carinho envolvido e agora tem este gosto de queimado. Mesmo tirando as bordas, o cheiro não é mais o mesmo. E foram tantas expectativas naquele bolo que ter que assumir que ele não ficou como planejava é um banho de água fria. Mas é o que tem, porque começar outro do zero daria muito trabalho e joga-lo fora é admitir que todo este tempo de preparo foi em vão, desperdiçado. Então, quem sabe posso lançar mão de uma cobertura, ou recheie? Talvez ninguém saiba... mas eu sei que não era assim que tinha que ser.

Mas o fato é que é preciso aceitar as falhas. O bolo queimou, ele não atende mais ao seu propósito. Um bolo queimado não satisfaz, não acalenta o ego da doceira. Não é copiado, ninguém pede sua receita. Não é gostoso. Deu trabalho, gastou-se ingredientes, mas por mais trabalhoso que seja, o melhor a ser feito é voltar ao supermercado, comprar tudo novamente, com a mesma qualidade e atenção. Novamente vestir o avental e com o mesmo sorriso, de novo bater, mexer, untar... e colocar outra vez outro bolo ao forno, prestando atenção no timer. Se outros imprevistos podem acontecer? Claro, mas é a vida. O fato é que outro bolo não tira a marca daquele bolo queimado, não tira a lembrança, te deixa com o pé atrás, de repente neste ficarei de 5 em 5 minutos acendendo a luz do forno, vai saber?

Mas a coragem de jogar o bolo fora, ah como é difícil! Como é difícil admitir a falha, jogar tudo no lixo sem saber ao menos se vai dar tempo de fazer um bolo novo...


Eu não queria queimar o bolo, eu não quero comê-lo assim mesmo e joga-lo fora? Dói na alma.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Passa amanhã

Tô deixando a tristeza para amanhã.

Não que eu de fato consiga evita-la, mas é porque a história conseguiu me ensinar algo, e eu sei que estas lágrimas que teimam em aparecer não serão as únicas. Então eu penso: de que adianta chorar agora e chorar amanhã de novo, e de novo, e de novo? Que o pranto venha então de uma vez e saia com força do meu peito, levando com ele toda minha esperança. Porque quando eu chorar, é porque chegou a hora.

E tenho conseguido adiar, dia a após dia, esta queda. Tenho algumas perdas em mente, não sou ingênua. Ninguém passa ileso, ninguém sai sem cicatrizes, e eu estou respeitando meu luto interno. Estou respeitando minhas vontades, rindo de mim mesma sempre que possível. Se está fácil? Esta pergunta é para mim ou para quem me olha? Porque quem me olha tem certeza que eu estou até feliz com isso tudo. Mas eu mesma... 

Medo, desconfiança, remorso, raiva, e muita tristeza. Um turbilhão de pensamentos, sensações, receios, devaneios que vem sem avisar. Aquele monte de "será que é isso mesmo?", "mas e se?" e "tenho a sensação que ainda não acabou" passam pela minha cabeça o tempo todo. E eu nunca tenho respostas, senão minha famigerada "passa amanhã".

domingo, 20 de julho de 2014

Momentos, esperas e devaneios

Um pedido de casamento. Um momento único e planejado, romântico, desejado, compartilhado. Uma dança, a primeira ou a última, mas uma dança. Corpos colados, nenhuma palavra, passos sincronizados. 

Um beijo, longo, de bom dia ou de boa noite, espontâneo e tão inesquecível quando o primeiro. Eu te amo. Num sussuro, num abraço, num cartão. Eu te quero, te desejo. Não vivo sem você. Palavras que vão além de meras palavras.

Mais vinhos, mais jantares à luz de velas. Um único jantar a luz de velas. Dois à cozinha, dois ao banho, dois na cama. Um único desejo, pensamento, corpo.

Um lugar no mundo, um lugar no peito, um lugar. Uma música, uma letra, um poeta, escritor, piadista.

Segredos. Confissões, fantasias, medos, lágrimas. 

Todos estes momentos. Momentos que foram não vividos. 
Se vividos, não marcados. Se marcados, perdidos. Se perdidos, à espera... À espera de segundas chances, segundas-feiras, segundas intenções, opiniões. À espera de serem vividos intensamente e nunca esquecidos.

Porque a vida é feita disso mesmo. De esperas. E é quando menos se espera que estes momentos acontecem.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Curriculum

Acho que o currículo tinha que ser em formato carta. Carta aberta, desabafo, lista de desejos. A entrevista tinha que ser entre amigos de longa data, um papo sincero, uma troca de experiências. Algo como um “vai jantar lá em casa” e “toma aqui uma cerveja, cara”. Uma seleção criteriosa não tem que se basear no que a pessoa fez por uma empresa, mas o que ela faz por ela mesma. Como ela cuida da vida, da família, do gato, do cachorro. Como ela sonha e o que ela faz pra atingir o que quer. Porque o que mais fazemos no trabalho senão cuidar? Cuidar dos bens, do departamento, da imagem da empresa. Da limpeza do vidro, à logomarca, ao ativo fixo, ao papel no banheiro, à saúde financeira... Cuidamos de um bem que, quando nos envolvemos, se torna nosso.

Acho que meu passado conta muito menos sobre mim do que minha pretensão de futuro. Meu extenso histórico profissional é limitado se comparado ao que quero fazer, ou ao que eu realmente posso – ou poderia – ter feito. Minhas habilidades vão muito além do que eu mesmo posso imaginar se desafiada. E se aceitar o desafio com o coração.

Acho que um aspirante a funcionário claro que precisa de formação, de conhecimento, idiomas, experiência. O mais experiente não necessariamente é o mais zeloso. O candidato que pula “de galho em galho” não necessariamente é instável. Ao meu redor tenho todos estes, o que procura se envolver, se doar, entender o negócio da empresa e trabalhar por ele. E tem aquele ali, naquele canto, que só quer saber do dia do pagode (com letra minúscula pra ninguém confundir).

Mas acho mesmo que eu morro de medo de ser aquele ali. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cláusula

Esperamos demais.

Esperamos demais dos amigos, do marido, do trabalho, do cachorro, de nós mesmos.

Cheguei num ponto tão crítico que uma decisão fez toda a diferença: no momento que eu parei de esperar demais de mim mesma, parei de esperar mais do mundo.

Não me importo mais. Não me importo mais se eu vou ou não à tal festa, tal evento, não me importo mais se agrado ou desagrado, sequer me importo mais em tentar ser melhor. Minhas expectativas baixaram muito, e minhas frustrações são muito mais senis.

Com isso, me lixo com muitas coisas que eram meu maior pesadelo. Não foi ao meu aniversário? Poxa... Não tem tempo pra me encontrar? Poutz... Não me convidou para isso ou aquilo? :(

Isso, infelizmente não se chama maturidade, mas calo. Calos de uma alma que sofreu muito por esperar dos outros aquilo que cedia ao mundo. Dando menos, espero menos, me importo menos. Eba, me machuco menos!

Isso tem refletido não só nos meus relacionamentos – mais estáveis – como no trabalho. Sempre me dou, visto a tal da camisa, esbravejo pelo mundo corporativo perfeito.  O último ano e todos os calos conquistados me fizeram ser mais racional e muito menos coração. Já “amei” uma pessoa jurídica, mas hoje me dou nem demais nem “de menos”. Faço meu trabalho. Claro, motivação sempre funciona, ter a tal da cenoura e blábláblá. Mas não. Não quero me envolver demais. Ser passional no ambiente trabalho causa males severos à saúde. Já causaram, hoje me blindo.

Sim, tudo é precaução. Mas a partir do momento que meu trabalho virou apenas meu ganha-pão e não mais o centro da minha vida, ganhei um tal de “bem-estar”. Consigo curtir melhor minha família (cachorro, gato e marido são família), consigo descansar, dormir sem sonhar com trabalho. Sim, posso não galgar nenhum cargo de über confiança. Talvez seja porque este cargo não é meu, porque meu coração saiu dele. E enquanto meu coração não está na mesa de trabalho, minha cabeça estará lá apenas pelas horas limitadas pela lei. Da França.


Sem pedir demais, sem me dar demais. Apenas uma nova cláusula no meu contrato comigo mesma para ser feliz e sorrir por menos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Fora da caixa

Hoje, no facebook da vida, li um post de uma pessoa que não conheço, lá de Perth, mas que me tirou um sorriso do rosto, fazendo a fumacinha preta que anda por cima de mim se dissipar um pouco:

"Desde pequenos, escutamos que devíamos estudar, tirarmos boas notas para arrumarmos um bom emprego e passarmos toda a vida pagando uma casa própria que compramos financiada em 30 anos por um banco do governo, onde viveríamos pelo resto da vida. Pra vencermos em várias áreas da vida, quase sempre precisaremos DESAPRENDER muito do que fomos doutrinados ao longo da vida e nos atrevermos a mantermos a esperança em meio ao caos e a disposição de colocarmos os nossos em prática em meio a descrença difundida por todas as partes.
Pense fora da caixa!!!"

E é isso! Logo que voltei uma tia minha, muito simpática e quase nada intrometida (atire a primeira pedra quem não tem uma) me perguntou o que eu faria da vida agora. Minha resposta: não sei, viver. Ela continou: Viver com o que? Acho que está na hora de você construir alguma coisa, você não tem nada!

O conceito dela de TER é isso aí: uma casa "própria-financiada", um carro na garagem e um emprego vitalício.

O meu conceito de TER é VIVER. Daí eu não preciso de nada que me prenda neste conceito tostines da vida, num movimento cíclico de compra e venda de casa e carro, um escritório, uma sala fechada, um salário todo para a poupança.

Não, não tenho muito do concreto, não mais do que o suficiente. Faço o que gosto, meu trabalho me enche de orgulho. Tanto ogulho que me fez falta. Construo meu mundo tijolo a tijolo, e muitas vezes derrubo a parede toda porque mudo de ideia. E quando olho o vazio na minha frente viajo no meu mundo, visitando continentes de possibilidades. Conheço diversas casas e paredes concretas no mundo, mas ainda tenho muito a viver, conhecer, viajar. Meu mundo não é seu horizonte, que vai até o limite da parede do fundo da casa, do quarteirão, do bairro movimentado. Meu mundo viaja de avião, fala idiomas que não entendo, tem faces, é desconhecido e me enche de medo!

Meu mundo tinha um porto seguro, era isso que me fazia voltar todas as vezes. E este está em fase de contrução. Reconstrução. Transformação.

Porque eu saí da caixa anos atrás, e nunca mais vou me encaixar dentro dela. 

sábado, 31 de agosto de 2013

Oração

Que você encontre aquela que desenhou nos pensamentos do seu silêncio. Que ela viva de acordo com suas indagações, que não tenha dúvidas, receios. Que ela conviva pacífica e passiva com a solidão do silêncio, que saiba atravessar a muralha do seu corpo grande e consiga decifrar seus pensamentos e emoções.

Que ela seja sua perfeita professora, amiga, companheira, psicóloga e mãe, mas que nunca queira ser sua mulher. Que quando você erre, ela conserte, sem que você sequer saiba seu erro. Que ela nunca aponte seus defeitos, apenas conviva feliz com eles. Que esta mulher tenha as mãos macias para passa-las na sua cabeça concordando com todas suas decisões, todo o tempo, sem nenhuma opinião. Que ela não pense demais, nem aja de menos. Que ela tenha seu jeito, exatamente sua maneira de ver as coisas. Que cozinhe só o que gosta de comer, que viva de acordo com seus horários. Que não tenha medo do escuro, ou de ficar sozinha. Que nunca exija prioridade na sua vida, no seu tempo ou no seu corpo, e que aceite sua falta de vaidade, concordando até que polo azul combina com blusa de lã  preta. Que nunca queira passar suas camisas, nem peça que você use uma ou outra roupa. Que seja conveniente em sua inferioridade, que aceite que não será notada ou que sua falta não será sentida. Seus amigos e família são prioridade, que entenda que ela não faz parte da sua família. Que ela saiba que a academia é mais sagrada que a cama do quarto, porque é lá o único lugar onde você extravasará seus medos e anseios. Que entenda que sexo varia de acordo com os problemas da vida. Da sua, nunca da dela.

Que ela nunca queira dividir com você nenhuma vida, nenhuma história, conta bancária ou problemas financeiros. Que ela saiba das limitações dela e não queira aprender errando. Que não tenha sonhos, vontades, seja realista e nunca ultrapasse seus - ou teus - limites. Que ela nunca dependa de você.

Que ela aceite seu passado, e que nunca se questione porque sabe tão pouco de você.

Que consiga dormir sem ouvir uma história.

Que ela tenha a auto estima de um búfalo, a força de uma máquina para te carregar pela vida e que não tenha necessidade de se sentir necessária. Aliás, que não tenha nenhuma necessidade. Que espere seus tempos, que podem durar meses, que saiba que dormir sem dizer boa noite e acordar sem dizer bom dia faz parte da realidade dessa relação que busca.

Que se você desistir e, um dia mudar de ideia, ela esteja vestida do mesmo jeito, parada no mesmo ponto, te esperando sorridente.

Que ela não precise de mimos, de presentes, de manifestações de afeto e provas de amor. Que querer ser amada não esteja em seus genes.

Que ela saiba que a vida dela não será uma propaganda de margarina. Light.

Que esta mulher perfeita nunca te contrarie, e se o fizer, sinta-se feliz sendo culpada. Que ela não tenha orgulho nenhum e que entenda que seu horizonte é o chão, com seus pés caminhando à frente dela, que estará te empurrando com aquela força maquinária.

Que te dê filhas. Exatamente como ela é.

Que você encontre esta mulher perfeita. E que ela seja de fato uma mulher.

Que ela exista.

Amém.