sexta-feira, 2 de março de 2012

Falemos da chuva


As águas de março... sábia Elis que gostava da chuva.

É sabido que eu adoro a chuva. O cheiro da chuva, a cor do céu, o peso das nuvens, o barulho torrencial. Gosto de assistir o baile das gotas nas poças, as bolinhas que estouram, a cadência  que o vento embala. Chuva é poética. Chuva embala os pensamentos, leva pra longe.

Hoje eu assisto a chuva de camarote, de maneira clássica, com uma caneca de café gostoso e fresquinho, recostada na janela da minha sala. Sem intervenções, sem reuniões, sem problemas pessoais ou de trabalho. Vejo um pedacinho do céu que mostra o azul do calor do dia. Vejo o termômetro da rua com a temperatura caindo, grau a grau, o clima refrescando. O sol saindo entre algumas nuvens douradas e outras pretinhas, pretinhas. Ainda é verão!

Mesmo com o sol, a chuva cai há cerca de 30 minutos. Não tão forte quanto eu gosto, forte a ponto de me parafrasear com “a água que corria na rua quase levava as sapatilhas dos meus pés, e aquela sensação tomou meu corpo”. Está tranquila, discreta, querendo dizer: vim para confortar.

Confortar o calor do termômetro.

Confortar o calor do meu coração.

Confortar o turbilhão dos meus pensamentos.

A chuva sabe que, com ela, ela traz uma mensagem. E ela diz, na cadência das bolinhas que estouram no chão, que assim como o temporal passa, suas águas fecham não só uma estação, mas um ciclo.

E eu suspiro e me recosto novamente, esperando o sol brilhar mais forte.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ressaca


E não falo de ressaca de álcool. Aquela, que não interessa quão forte seja, não te faz parar de beber. No máximo, você aprende que um copo d'agua entre os drinks de whisky e energético tiram pelo menos a dor de cabeça do dia seguinte.

Não falo da ressaca do mar, que limita a faixa de areia a menos de meio metro em uma praia paradisíaca, fazendo com que a profunda conversa entre recentes amigos no por-do-sol seja constantemente interrompida pela busca das havaianas flutuantes.

Ressaca moral, de comportamentos duvidosos de alter-egos criados para tal. Catarina tem se comportado muito melhor do que eu esperava.

Ressaca emocional, de agir como uma criança que lhe roubam o doce mais divertido e colorido no meio de um parque de diversões - leia-se chorar inconsoladamente numa das melhores festas, e mais caras.

Ressaca física, de dançar de salto, até o chão, no palco, em cima da mesa. Correr por aí, em festas, shows e festivais, subir nos ombros, carregar nos ombros, rir de doer a barriga.

Falo da ressaca de vida.

Porque viver cansa. Viver intensamente, aproveitar todas as oportunidades, se entregar à diversão sem limites e curtir como se não houvesse amanhã... tudo isso cansa demais. Mas como qualquer ressaca, nada impede de fazer tudo de novo.

Fui guerreira com estilo. Foram 6 dias de festa, em trios elétricos, camarotes, abadás, arrastão, tênis sujo de barro, vontade de fazer xixi, cerveja mais barata do que água, amigos e mais amigos taxistas, fitas de Senhor do Bonfim, flores, tranças, frases e refrões, e suor, muito suor. Foram os dias mais esperados, um sonho de adolescente realizado, estar na casa daqueles que embalaram trios, micaretas, festas de faculdade, churrascos sem carne. E melhor, reunir tantos amigos diferentes em uma mesma viagem. 

Ressaca de vida, de alegria, de realização, de felicidade. Ressaca de acompanhar as voltas que a vida dá.

Esta ressaca que não passa, e que nem eu quero que passe. Tão cedo.

Digo que valeu!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ao fulano, e sem mais.

Às vezes, precisamos desabafar, seja com o cachorro ou gato, no colo da mãe, do namorado ou da melhor amiga, ou seja apenas escrevendo, traduzindo o som do “tectec” do teclado por toda uma mágoa, desespero ou apenas uma dúvida ressentida. Às vezes é segredo, às vezes uma indireta, às vezes uma carta endereçada. Por isso, desabafos com nome e sobrenome, facebook e twitter não devem ser divulgados. Ou não deveriam. Mas quem tá aqui, quem lê, quem digita aquele endereço ali na barra do navegador, tem de alguma forma algum interesse na minha vida, então quer saber.

E quer saber?

Blah. Página virada, sim, move on. Gostava pracaralho, mas... paciência. Passou muito tempo e se eu fosse de fato importante na vida de fulano, isso já teria passado. Queria só um desfecho, e tivemos. Quando eu me abri, me mostrei e tentei de novo uma aproximação, sabia que existia a possibilidade do sim e do não.

Sério, se é importante pra fulano, que viva em sua insignificância! Eu não tenho máscaras, não me escondo em palavras, feias ou bonitas. Se me incomoda eu falo, escrevo, mando email, choro, mostro todas minhas armas e falhas. E se necessário, peço desculpas pra quem é importante pra mim.

Durante todo este tempo, me remoía em pensar que, pela primeira vez eu teria decepcionado um amigo, que é a coisa mais importante que eu tenho na vida. O que eu sentia era remorso. Hoje eu sinto pena. Porque fulano escolheu isso, escolheu se fechar e se afastar, viver no amargor e achar que é feliz na jaula de sentimentos onde vive.
Então, eu não tenho mais nada a fazer. Eu fui até onde deu. E minha consciência está leve, não posso me culpar por algo que eu sequer sei o que é. E me livro desta culpa sem qualquer pudor, porque eu quis melhorar, quis saber o que fiz ou não fiz, quis ser importante assim como fulano foi pra mim. Mas fulano tem suas próprias escolhas, e cada escolha uma renúncia.

Amigos vem e, infelizmente, vão. Faz parte da vida, e cabe a nós deixar nossa marca em cada um. Cabe a nós fazer desta marca uma coisa boa, mas isso depende da receptividade, da recíproca. E não queira me disciplinar, não queira ser melhor que eu em palavras. Seja em atitudes. Quem quer ser o professor da vida tem que ter didática. Aluno nenhum aprende com achismos, com conclusões próprias ou análises de consciência. Até porque, cada um tem o seu padrão de certo e errado, seu senso e seus próprios limites e limitações. Cabe aos relativos, àqueles que se importam e estão por perto, instruir e equilibrar este senso próprio com o senso comum.

E, quer saber... fulano foi importante sim, mas tinha sombra demais. Tinha preto demais, tinha mágoa demais. Eu aprendi com sua excelente convivência – porque eu sou o copo meio cheio – a ser menino, mas não quis deixar de ser menina. Aprendi a ser over, mas não quis deixar ter meu brilho. E principalmente aprendi a respeitar a diferença entre as pessoas. Por isso fulano, vá com Deus, segue teu caminho com sua felicidade única. E quem sabe um dia então, e sem crédito nenhum, só então, você enxergue que a vida tem muito mais cor que sua esmera caixa de 12 cores.

Ah, e fulano, se estas palavras algum dia passaram por seus olhos, quem dá o conselho final agora sou eu: quem desdenha quer comprar. Talvez minha marca na sua vida seja mais forte do você mesmo pode admitir.

E esta soberba em minhas palavras, obrigada, você me ensinou, levo para vida. 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Paulista enquanto ciclista


Desde a que a Juliana entrou na minha vida, virei uma fã de São Paulo. Em tempo, Juliana é minha bike (e as coisas têm nomes na minha vida), uma nova paixão que surgiu recentemente e que por enquanto só nos encontramos em escassos domingos.

Eu confesso: nunca fui de fato apaixonada por São Paulo. Aquele sentimento forte de paulista, morar na Móoca, adorar o centro da cidade. Eu na mais absoluta sinceridade acho que esta cidade vai sofrer um colapso em pouco tempo, acho o centro cultural de São Paulo sujo e perigoso e sei que não posso contar com o transporte público daqui.

Em contrapartida, eu tenho um sotaque paulista forte e carregado, falo "meu" e "porra" de maneira nasalada em todas as sentenças, não consigo ficar em qualquer lugar que não tenha comércio e trânsito 24 horas por dia e adoraria comer pastel de feira todo sábado - embora minha úlcera já cicatrizada não me permita.

Já morei fora, conheci o organizado caos londrino e de outras cidades européias, sei da selva fantástica que é Nova York e até o Rio de Janeiro já me fez pulsar o coração, ainda que a ideia de morar em ambiente praiano sempre me fizera pensar que todo dia seria domingo.

Mas tem um momento que me faz pensar o contrário, que me faz querer ser paulista: quando Juliana e eu corremos pela Ciclofaixa de São Paulo. É o único momento em que me pego admirando a cidade, a simpatia de todos os organizadores de semáforos da ciclofaixa, a civilidade dos ciclistas, o respeito dos motoristas. O verde dos meios-fios, o sentimento de ser saudável, o escasso trânsito, o techno tocando no ipod, que embala cada pedalada. A entrada do parque do Ibirapuera, o lugar que minha mente para pra respirar e meus pensamentos me dão um breve descanso. É o momento em que penso como seria se minha cidade - amada - tivesse aquele grau de trânsito todos os dias, como seria se uma estação de metrô fosse minha vizinha, numa linha mesmo que com baldeações para aquela que seria vizinha do meu trabalho, ou como seria até se eu pudesse ir trabalhar de bike. Novamente, em tempo: meu caminho casa-trabalho é feito pela avenida dos bandeirantes, marginal pinheiros e outras vias carregadas.

Mas naquele momento, enquanto a "Ju" não murchou o pneu, enquanto sua marcha ainda não saiu do lugar ou enquanto o selim não está me matando aos poucos entre as pernas (ainda tenho algumas providências e aprendizados na vida de ciclista domingueira), naquele momento, eu tenho orgulho de São Paulo. E não pretendo sair daqui enquanto a ciclofaixa fizer parte dos meus domingos, o Parque do Povo fizer parte dos meus fins de tarde e de corrida e o Parque do Ibirapuera for meu terapeuta de abraços e bosques abertos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Presentes de 2011

O primeiro dia do ano passado foi marcado pela maior ressaca moral da vida, por um grande buraco que eu mesma fiz no meu estômago. Foi um dia primeiro de um vazio sem explicação, que por mais que eu queira justificar a gravidade, não consigo. Talvez a intensidade de um sentimento tenha marcado um ano de grandes feitos. Eu prometi naquele dia que meu ano seria MEU ano. Que eu me divertiria como se não houvesse amanhã, que eu seria feliz e me dei 3 grandes objetivos. E pela primeira vez eu encho o peito e posso dizer que concluí os três grandes objetivos do ano. Entre erros e acertos, tropeços mas com minha graça eu venci. A sensação do dever cumprido é algo inebriante.

2011 era um ano 11, e com toda minha ladainha numerológica, eu fiz por onde. A viagem de volta à Londres, rever os amigos, viajar para o desconhecido novamente, reviver as melhores sensações, e poder fazer tudo sem me preocupar com a vida, apenas curtir, viajar, sorrir. Caminhar e conhecer, fazer amigos, viajar sozinha, comprar, comer... e todos os verbos que eu quis. Resolver pendências financeiras, físicas e emocionais. Me empenhar e crescer na carreira, me focar e sentir que eu de fato gosto do que faço. Fazer uma festa. Uma festa não, a melhor e maior festa de todos os anos, a sexta-feira onze do onze do onze, a festa rosa, os melhores amigos todos juntos. O bolo, a champagne, o momento mais esperado no relógio do cantinho inferior da tela do computador. Entrar no mundo da cerveja, e me apaixonar.

Eu sempre sou nostálgica no final do ano. Acho até que é um tanto normal este comportamento, afinal é o momento que a gente avalia todo o ano, as perdas e os ganhos, os objetivos e os obstáculos, se as resoluções do ano anterior foram concluídas... enfim, o balanço anual de nossas vidas. Eu sempre escrevo agradecendo no final do ano, sou uma otimista de carteirinha e acho que a cada ano que passa minha vida melhora de formas que no primeiro dia do ano eu nunca nem imagino. Mas este ano foi diferente. Desta vez eu esperei viver todos os dias para escrever. Esperei todos os momentos. Sinceramente falando, eu nunca vivi tão intensamente a ponto de deixar de lado a paixão de escrever sobre a vida para de fato vive-la.

Eu esperei a virada, esperei todos os brindes, todas as promessas porque eu queria que este agradecimento fosse especial. Eu vou replicar o brinde que eu fiz no momento da ceia de Ano Novo mais bonita que tive na vida. Eu entendi tudo, eu entendi que a vida é mais que aquela caixinha de surpresas. Eu sei que às vezes eu acho que sei tudo ou que entendo de tudo, mas dessa vez tudo fez sentido. Naquele momento, naquele brinde ao redor da mesa mais bonita tudo fez mais sentido e eu me senti quase que completa.

Numa madrugada o termo nasceu: “Aqui é Equipe”. Em um carnaval, um furto que hoje eu acho providencial aproximou uma garota perdida no Rio de Janeiro com um grupo de meninos sem igual. Em uma coincidência que hoje eu assumo premeditada, um resgate ocorreu. Em outro momento, uma festa de aniversário onde dois núcleos se uniram. Algum tempo depois, por uma série de eventos que eu não consigo explicar, 10 pessoas hoje são a Equipe, aquela que fez o meu ano sensacional, minha festa do rosa inesquecível e o Ano Novo um dos momentos mais especiais e intensos da vida. Uma equipe única, 5 homens e 5 mulheres, onde, claro, casais se formaram, por uma noite, uma semana ou até hoje, mas que uma amizade nasceu de pessoas diferentes, de núcleos diferentes e com histórias diferentes, mas que não importa para o que, eu posso contar seja para uma cerveja, uma dança, uma lágrima, um desabafo, boas risadas ou apenas companhia.

Cada um com seu apelido, mas a Nicole, a Vania, a Bruna, a Camila, o Leonardo, o Fernando, o Guilherme, o Ali e o Everton são os 9 melhores presentes do ano de 2011. E eu não os trocaria por nenhum outro presente.

Obrigada Equipe, por fazer de 2011 o ano ONZE que eu sempre sonhei.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11 é dia de Chucru!

Data mais que esperada. Há muito tempo eu pensava... como vai ser? Onde vai ser? Com quem? Como vou me sentir?

O 11 representa muito na vida, sempre foi assim. Desde o nascimento, em 83. Desde datas, desde números de telefone, desde coincidências do destino, o onze é meu número.

11 - Revelação, atemporalidade, originalidade, exotismo, inspiração, intuição, paranormalidade, idealismo, ausência de rótulos, extravagância, vanguarda, modernidade, fanatismo, loucura, iluminação, incompreensão, incomunicabilidade, antipatia, degradação, ar, fogo, nova era. Arcano = 11 (A FORÇA)

Original e paranormal. Ou anormal e ideal, não importa! Hoje é 11, hoje é novembro, hoje é rosa!

Hoje eu tenho todas as respostas! E mais respostas ainda, mais até do que imaginava...

Hoje, na data mais cabalística da vida, eu posso dizer que eu sei o que quero. Sei o que vou pedir ao soprar as velas, já sabia o que pedir ao acordar.

Não quero dinheiro. Só dinheiro. Quero uma vida confortável, e só.
Não quero amor. Só amor. Quero um amor que me faça me amar, e só.
Não quero felicidade. Só felicidade. Quero fazer feliz, e só.
Não quero sucesso. Só sucesso. Quero levar comigo quem me fazer crescer, e só.
Não quero sorrir. Só sorrir. Quero que o sorriso venha de dentro e contagie, e só.

Quero muito, quero tudo, quero pouco. Mas sei que tenho tudo, tudo necessário. Se desta vida eu sair apenas com o sorriso no rosto, já terei o suficiente!

Hoje, soprar as velinhas vai ter um gostinho diferente.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por dias de inferno

Não, não é o inferno. Porque no inferno há pecado.

No inferno, há o desejo, a volúpia, o dissabor do promíscuo.
No inferno, o calor do fogo, o vermelho da paixão, a obscuridade de pensamentos mais íntimos.
No inferno, a luta, a condescendência, a renúncia, o desespero e a enfim entrega.
No inferno, lá embaixo, aqui ao lado, ou onde quer que seja.
No inferno, astral, real, virtual, surreal. Inferno, errado, julgado, condenado.

Não, não é o inferno. Porque é paraíso; anjos, em azul, nas nuvens, por arpas e com pureza.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Curta companhia

Esteve comigo na infância, emoldurou minha personalidade, meu rosto que até hoje manteve o mesmo traço, o mesmo jeito, tem o mesmo brilho no olhar e a mesma profundidade nos sonhos.

Me deixou viver a fase de rebeldia da adolescência sem sua presença, pediu licença para que eu jamais reclamasse ou me arrependesse. Pelo menos disso, ou dela.

Foi quando, adulta, no auge de madeixas vermelhas modernas, um tom de pele bronzeado e rotinas jovens, a tentação de tê-la novamente por perto venceu. Mas por muito pouco tempo. A autoestima trabalhou contra, e foi uma batalha perdida.

Novas tecnologias vieram, e um desejo arrebatador de mudança, de desespero, um tapa na cara. Que doeu, num erro ela reapareceu, e numa sucessão de tentativas desesperadas de reparação prometi que ela nunca mais voltaria. E assim foi feito.

Até que num momento mágico, de descoberta – do mundo e do meu mundo, numa personalidade que se permitiu arriscar e ousar, ela volta, exuberante e feliz. Era toda minha, minha cria, certa ou errada, não importasse como ou onde, ganhou um brilho, elogios e marcou.

Me lembra de um tempo bom, onde eu mesma era responsável por todas as minhas ações. Não havia mais ninguém por mim, nosso momento era único, eu cuidava dela e ela me acompanhava. Por meses a fio. Hoje reaparece de tempos em tempos, sempre bem-vinda, dividindo opiniões.

Faz com que eu me sinta bem comigo, mulher e menina, clássica, moderna, retrô ou alternativa, depende do dia.

Era de criança, hoje é de mulher.

Era "sazonal", hoje é temperamental.

Minha franja

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Da minha forma, à sua espera

Muito acontecendo, pouco para contar, muitos devaneios, mais do mesmo, o mesmo e mesmo assunto rondando minha cabeça. Promessas, progressões e projetos indo e vindo. “Estou de dieta”, “parei de beber”, “vou economizar dinheiro”. Todas essas não sou eu.
Eu sou aquela que recebe pequenos escritos e para pra pensar. E devaneia, e escreve em cima de palavras alheias. E para de novo pra pensar. E sorri.
A base do texto abaixo eu recebi por email, e para cada procura, o meu caminho, a minha forma de pensar, o meu querer. O meu devaneio.

Procuro doçura. Um encaixe de abraço. E de alma.
Dormir de conchinha, mãos dadas, mãos no peito. Um beijo de criança, molhado, babado, um cabelo de tigela e um giro embaixo da árvore.

Procuro constância. Um encontro de cérebros. E de covinhas.
Piadas, muitas piadas. Nomes, momentos, discussões de pontos de vistas sobre o mundo, análises da vida e projeções para o futuro. Um sítio com pé de amora.

Procuro coragem. De sentir o que há pra sentir. De encarar os tropeços e os sustos. E gargalhar quando der na louca. 
Falar a verdade, agir com verdade, assumir culpas, erros e amores. Trocar a pista pela estrada. O texto do email pelo som das palavras ditas.

Procuro encanto. Por um par de olhos. Pela magia das coincidências.
Tons de azul, de cabelos e toques.

Procuro surpresas. Como chamados inesperados. Como chegadas repentinas.
Um ícone de mensagem em meu celular. Uma foto. O olhar de satisfação.

Procuro tesão. Por curvas perigosas. Por segredos insondáveis.
Palavras, jeitos e toques (os toques). A pele, a mão no cabelo, a mão nas costas, a mão. A palavra.

Procuro urgência. De estar junto. De estar perto, mesmo que longe.
Estar, querer, ficar, falar. Menos verbos, mais conjunções entre mim e você.

Procuro brilho interno. Que transparece no sorriso. Que cintila no silêncio.
Olhos. Os brilhos internos escapam pelos olhos, sejam eles da cor que for.

Procuro liberdade. De ser assim. De ser feliz.
Liberdade de querer estar junto. De escrever o que for, ler o que for, ter apenas uma coisa.

Procuro entrega. Com direito a colo verdadeiro. Com a regalia de um cafuné avassalador.
Um suspiro, do fundo do peito. Um beijo na testa.

Procuro luz. Que me ilumine. Que não me cegue.
Meia-luz. Mais nada.

Procuro carinho. Uma piscadela secreta. Um apelido infantil.
Mais nada.

Cadê você, meu bem?
Nada.

Fonte: Pequenos Escritos - Paula Pfeifer| www.sweetestpersonblog.com

terça-feira, 13 de setembro de 2011

(Não) Aprendi

Seja por William Shakespeare (ou não), seja por qualquer autor que internet nomeie... seja pelas palavras bonitas, seja pelo desabafo, seja para aprender como levar a vida mais ou menos a sério.

Seja para saber o que eu de fato aprendi. E o que eu preciso – e muito – aprender.

“Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.
Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.
Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.
Eu aprendi...Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.
Que por mais que se corte uma pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.
Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência.
Mas, aprendi também que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.
Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sente.
Aprendi que perdoar exige muita prática.
Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.
Aprendi... Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi que posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, e que eu tenho que me acostumar com isso.
Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.
Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto;
Aprendi que numa briga preciso escolher de que lado eu estou, mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.
Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.
Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.
Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.
Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Menos que mil palavras

Uma imagem. E só.

É o que eu tenho, e é nisso que me apeguei. E com tanta força que não consigo mais desvincular o meu eu e o meu querer desta imagem. Que aliás não é uma imagem, é uma ideia, um padrão, um conceito de vida que eu tomei por correto há algum tempo. E que outrora já me derrubou. Foram anos sustentando uma ideia, procurando alguém que não existia em outro alguém que não era o mesmo. Uma confusão de eus, tus e eles que só a mim machucava.

Eu me apaixono por ideias, por ideais. Me apaixono por palavras ditas em diálogos feitos na minha cabeça, durante minhas corridas semanais. Me apaixono por olhares dados em nanossegundos que não são direcionados à mim, mas à personagem que eu carrego. Me apaixono pelo protagonista de uma história que eu invento durante o banho, no momento mais criativo do meu dia.

E essa paixão se fortalece alimentando-se dos meus sonhos e se aloja no lado criativo do meu cérebro, montando de acordo com as informações que precisa aquilo que eu julgo perfeito. A paixão só não foi capaz de definir a forma, o modelo e o porte de toda esta idealização. Jogou em mim esta responsabilidade, eu que mal sabia o que fazia quando coloquei uma cor, um rosto e uma forma nisso tudo.  Juntei informações distintas e coloquei na mesma receita: um rosto, um sentimento, um ideal de beleza, de vida. Coloquei algumas pitadas de piadas internas, um cheiro bom e voilá! Meu veneno estava pronto.

Bebi acompanhado de uma boa dose de tequila para sustentar aquela personagem.

E a imagem... alterna entre vívida e esparsa, vem e vai em sonhos se tornando cada vez mais amena e carregando cada vez menos significados.

Talvez seja apenas o efeito da tequila, talvez seja a dose diária de realidade...

Talvez isso passe.